quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Textos introdutórios sobre a Quarta Teoria Política


Pré-introdução:


Introdução à QTP:




Elementos Constitutivos (Laocracia, identitarismo e multipolaridade):






Fundamentos epistêmico-políticos:




O levante no Donbass:




A Quarta Teoria Política no Brasil:

Eduardo Velasco - Índice dos textos

Dado que este blog está adquirindo um certo tamanho, torna-se necessário criar um índice onde todos os artigos (traduzidos) do blog aparecem organizados e acessíveis.

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DO PSICOESPAÇO AO CIBERESPAÇO 

Você é leitor habitual ou esporádico deste blog?

Você encontrou informações úteis sobre a saúde ou o paleodieta mudou sua vida?

Você se interessou pela nova classificação racial?

Você desfrutou da arte enviada aqui?

Você compartilha a idéia de que o progresso material deve ser submetido a críticas e que um novo conceito de civilização, baseado na matéria espiritual viva, é necessário, não em matéria inerte e sem espírito?

Você acha que é preciso um novo tipo de socialismo baseado na ideia de que o indivíduo não é nada e a espécie é tudo?

Você acha que a Europa deve emancipar-se da tutela do atlantismo e perguntar-se o que é bom para ela?

Você acredita no poder do mito, símbolo, espírito, ideia e fé?

Você acha que a Espanha e o mundo hispânico têm um grande potencial, mas que ele não está sendo usado corretamente e que a Espanha poderia desempenhar um papel brilhante como espada atlântica de um império continental?

Você acha que a economia "especulativa-financeira-administrativa" virtual é o carrapato da economia "real" produtiva-criativa-ativa, que o interesse do dinheiro nos leva a uma espiral de crescimento descontrolado da humanidade e que o mundo da Alta Finança deve ser aniquilado?

Você acredita que o que faz o homem humano não são suas posses materiais, mas o sangue de suas veias e os instintos e sentimentos relacionados à vida ascendente e lutadora?

Você acha que a economia usurária está nos ligando à produção e ao consumo de objetos inúteis, isto é,esgotando o planeta e o ser humano, que precisa reduzir drasticamente o consumo e as necessidades individuais e que a austeridade saudável e efetiva de Esparta é superior ao desperdício decadente de Babilônia?

Você acha que a política não existe mais, que a economia controla o governo e que o mercado controla o Estado?

Você acha que a civilização ocidental precisa de um rosário de revoluções e que essas revoluções devem ser ― além de sociais, políticas e econômicas ― espirituais, étnicas, sexuais, de saúde, dietéticas, desportivas, militares, ambientais, familiares, genéticas, culturais, religiosas e um longo etc?

Você acha que a democracia falhou, que a pax capitalistæ chegou ao fim, que o sistema econômico vai quebrar e que deve quebrar, que a indignação dos trabalhadores deve irromper com força e que políticos, banqueiros, mafiosos e outros parasitas sejam julgados pela justiça natural de um povo zangado?

Você acha que a aristocracia meritocrática e tecnocrática é a melhor forma de governo?

Você acha que o judaico-cristianismo cultural e seus contrapartes modernos prejudicaram gravemente o homem europeu, e que uma sociedade deveria mimar seus melhores elementos genéticos, não os piores?

Você acha que a imigração maciça e o multiculturalismo são uma geoestratégia de engenharia social disgênica e homogeneizadora, promovida das altas finanças para destruir os europeus étnicos de todo o mundo e padronizar a humanidade?

Você acha que a mistura maciça e desordenada de raças tem sido um desastre para o planeta e para todas as raças humanas? Você acha que as raças humanas luminosas são o produto de uma grande pressão evolutiva, que a pressão produz diamantes, que essas raças concentram as promessas evolutivas da humanidade e os avanços do próximo salto evolutivo e que devem ser cultivadas como uma promessa de evolução para as formas de vida superior e próxima de Deus? Você acha que estas raças estão atualmente sob ataque da globalização porque não se encaixam tão bem quanto as raças escuras nos moldes massificados, vulgarizados, primários e escravizados que a globalização deseja impor à humanidade futura a todo custo? 

Você acha que os mestres atuais do mundo estão tentando nos domar, e que para obter o advento do Globalistão estão nos miscigenando, castrando, atordoando, manipulando, roubando, envenenando, estrogenizando, afeminando, desequilibrando e, portanto, condenando a regressão evolutiva e o ataque por raças menos domesticadas?

Você acha que a seleção natural promovida pela atual civilização financeira, especulativa e comercial leva necessariamente à escravidão do homem por um sistema anônimo, abstrato, apátrida, anêmico, vampírico, horizontal, nivelador e mecânico?

Você acredita que Deus, a Natureza, a ordem correta do Cosmos, o fluxo natural ou o que você preferir chamar, é mais forte do que os fundamentos da torre de Babel, e que as forças eternas da vida e do mundo irão agir contra heresia iluminista e "progressista" restaurando o equilíbrio cósmico na Terra?

Você acredita que os valores naturais foram invertidos, que a moralidade do escravo é errônea, que o mundo está do avesso, que as forças dormente de sangue têm sempre a última palavra, que os reis de tempos melhores devem acordar para arrancar o estado das mãos dos comerciantes, para preparar a "ave" para César que virá e que a águia romana deve voar do Atlântico para o Mar do Japão?

Porque dizem que acreditar é poder. A Europa Soberana não é um movimento ou um grupo, nem mesmo um individuo. Trata-se de um blog de informação, baseado no fato de que o ciberespaço é uma janela para o "psicoespaço" ou espaço mental coletivo, já que captura as ideias e ansiedades que circulam em torno da imaginação popular, e talvez seja no ciberespaço onde essas ideias aterrissam antes de se materializar definitivamente. Portanto, se há leitores do vasto ciberespaço de língua espanhola que consideram que uma das idéias mencionadas merece crescer, não precisam se registrar em uma página, nem se tornarem membros de uma organização, nem compartilhar seus dados com ninguém, fazer uma doação, nem comprar um "objeto de solidariedade", uma vez que, por um lado, eles podem fazer o seu melhor para mudar suas vidas, e também têm ferramentas de difusão, mais do que aqueles que acreditam, e alguns muito eficaz. Hoje é muito fácil colocar a informação em circulação. As numerosas visitas de links colocados em redes sociais (especialmente Facebook e Twitter), blogs, fóruns e comentários de páginas de notícias mostram isso: quando um único cibernauta pendurou um único link para o blog em um ciberespaço muito ocupado, as visitas literalmente disparam. Estamos falando de centenas de novas visitas em um único dia, e dessas visitas, uma porcentagem significativa retorna ao blog com frequência, e o "público" não para de crescer.

Se você realmente quiser colocar seu grão de areia para impulsionar os ideais defendidos por mim, você pode facilmente compartilhar os textos no ciberespaço que frequentes (redes sociais, fóruns,  Facebook, Twitter, YouTube, comentários de blog e páginas de noticia etc), falar sobre os textos com conhecidos, ou o que você puder pensar: imaginação para o poder. Você também pode aplicar essas ideais em sua vida real. 

Se quiser entrar em contato: europa_soberana@hotmail.com


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Lucian Tudor - Arthur Moeller van den Bruck: Bases para um Conservadorismo Revolucionário

por Lucian Tudor



Arthur Moeller van den Bruck foi um dos mais importantes, talvez a figura mais importante, do que se conhece como a "Revolução Conservadora" do início do século XX na Alemanha. Sua influência sobre o pensamento conservador nacional alemão, apesar de suas limitações, é profunda e duradoura, e continua até o dia de hoje. De fato, pode haver algo de verdade na mística declaração feita por sua esposa: "Na tentativa de responder à pergunta de quem foi Moeller van den Bruck, estás realmente falando de uma pergunta sobre o destino da Alemanha." [1] Foi Moeller van den Bruck quem definiu essencialmente a ideia fundamental do conservadorismo revolucionário, uma linha de pensamento que faria eco através da história alemã e levaria inclusive sua influência a um nível internacional. Um exame de sua vida e de seu pensamento filosófico é um exame de uma dessas grandes forças no reino das ideias que movem as nações, e é por seu valor intelectual que nosso objetivo é realizar um exame tão sucinto.

Infância e Criação

Arthur Moeller van den Bruck nasceu em 23 de abril de 1876 em Solingen, na área da Renânia, Alemanha. Aos 16 anos, Moeller van den Bruck (de agora em diante, Moeller) foi expulso da escola secundária que frequentava em Dusseldorf porque era indiferente às aulas, o que era produto de sua preocupação com a literatura e filosofia alemães. Essa expulsão não o impediu de continuar seus estudos literários e inclusive frequentou conferências em vários centros intelectuais, mesmo quando não foi capaz de ingressar em uma universidade. [2]

A filosofia de Friedrich Nietzsche (e até certo ponto a de Paul de Lagarde e a de Julius Langbehn) tiveram muita influência no pensamento de Moeller durante sua juventude e moldaram sua posição em relação ao Segundo Reich de Bismarck, m Estado com o qual não estava de acordo por conta de seu "patriotismo forçado". Neste momento, Moeller era extremamente apolítico, pelo que decidiu deixar a Alemanha em 1902 por um tempo para assim evitar o serviço militar. [3] O primeiro lugar ao qual viajou foi Paris, onde começou a escrever um trabalho de oito volumes chamado Die Deutschen: unsere Menschengeschichte ("Os Alemães: A História de Nosso Povo"), publicado entre os anos 1904 e 1910, que consistia em uma história cultural que classificava alemães importantes segundo tipos psicológicos característicos. [4]

Complementando Die Deitschen, Moeller publicou em 1905 Die Zeitgenossen ("Os Contemporâneos"), livro no qual apresentou seus conceitos de "povos velhos" e "povos jovens", uma ideia que reafirmaria em obras notáveis posteriores. [5] Durante este tempo também adquiriu um fascínio pelo trabalho de Fyodor Dostoevsky e também uma admiração pelo "espírito oriental [russo]", que o motivou a realizar uma tradução alemã das obras de Dostoevsky com a ajuda de Dmitry Merezhkovsky. [6]

Dos anos de 1912 a 1914, Moeller havia viajado por várias nações, especialmente pela Itália, Inglaterra, Rússia e Escandinávia, tendo previsto originalmente escrever livros que descreveriam as principais características de certas nações, mas em última instância, só terminou um livro sobre arte italiana chamado Die Italienische Schönheit ("A Beleza Italiana") em 1913. [7]

Primeira Guerra Mundial, Povos Jovens e Teoria Racial


Quando começou a Primeira Guerra Mundial, Moeller voltou à Alemanha devido a um sentimento de vinculação com seu país e se alistou no serviço militar. Em 1916, depois de ter recebido baixa do exército por padecer de transtornos nervosos, escreveu uma obra fundamental conhecida como Der preussische Stil ("O Estilo Prussiano"). Este livro, ainda que seu objetivo principal fosse a arquitetura prussiana, apresenta o ponto de vista que tinha Moeller sobre a natureza do caráter prussiano, o qual elogiou, escrevendo que "O prussianismo é a vontade de Estado, e a interpretação da vida histórica como vida política na qual devemos atuar como homens políticos". [8]


Em 1919, Moeller produziu outra de suas famosas obras conhecida como Das Recht der Jungen Völker ("O Direito dos Povos Jovens"), que reafirmava sua ideia de "povos jovens" e "povos velhos" em uma nova forma. Em sua teoria, povos ou nações diferiam em "idade", mas idade não em anos ou tempo real, mas em caráter e comportamento. "Povos jovens", o que incluiria Alemanha, Rússia e EUA, possuíam uma elevada vitalidade, obstinação, vontade de poder, força e energia. "Povos velhos", o que incluía Itália, Inglaterra e França, eram saturados, altamente desenvolvidos, valorizavam a "felicidade" acima do trabalho, e geralmente tinham menor quantia de energia e vitalidade. [9]

Segundo Moeller, o destino dos povos seria determinado pela "lei da ascensão e declínio das nações", que sustentava que "todos os Estados em processo de envelhecimento caem de suas posições hegemônicas". [10] Porém, os "povos jovens" podiam ser derrotados em guerra por uma coalizão de "povos velhos", tal como a Alemanha havia sido na Primeira Guerra Mundial, ainda que isso não esmagaria um "povo jovem" caso as condições resultantes ainda deixassem aquela nação com a habilidade de existir e crescer. Consequentemente, Moeller defendia uma aliança entre Alemanha, América e Rússia, esperando que com este esforço os "Catorze Pontos" de Wilson pudessem ser implementados e a Alemanha pudesse viver sob condições razoáveis. Porém, o tratado de paz resultante foi o Tratado de Versalhes e não os Catorze Pontos. [11]

Em Das Recht der Jungen Völker Moeller também incluiu alguns escritos anteriores que ele havia feito sobre o tema racial. Moeller acreditava que os humanos não eram divisíveis em raças apenas pela antropologia porque o Homem é "mais que natureza". Ele tinha uma ideia peculiar de raça que apresentava uma dicotomia entre Rasse des Blutes ("Raça do Sangue"), que concerne o conceito biológico comum de raça, e Rasse des Geistes ("Raça do Espírito"), que concerne o caráter psicológico ou "espiritual" que não é hereditariamente determinado. [12]

Moeller argumentava que como povos da mesma raça biológica podiam ter diferentes significativas entre si, os ingleses e os alemães sendo exemplo disso, "raça do sangue" não era um conceito tão poderoso ou importante quanto o de "raça do espírito". Inversamente, também era provado pelos fatos que um podo podia ser feito de uma mistura de raças, tal como os prussianos (que eram resultado de uma antiga mistura eslavo-germânica), e ainda assim ter uma forma positiva e unificada; ainda que, obviamente, deva ser notado que apesar deste comentário, Moeller certamente não teria aprovado qualquer mistura entre grupos europeus e raças não-europeias. [13]

O Clube de Junho e o Debate com Spengler


Em 1919, Moeller fundou, com Heinrich von Gleichen-Russwurm e Eduard Stadtler, o grupo "neoconservador" (um termo alternativo para "conservador revolucionário") conhecido como Juniklub ("Clube de Junho"), uma organização da qual Moeller logo se tornaria o principal líder ideológico. [14] No início de 1920, o Clube de Junho convidou Oswald Spengler para discutir seu livro O Declínio do Ocidente com Moeller van den Bruck. Moeller e Spengler concordaram em alguns pontos básicos, inclusive a divisão básica entre Kultur ("Cultura") e Zivilisation ("Civilization"), mas tiveram algumas discordâncias significativas também. [15]


Moeller afirmou que a teoria "morfológica" de ciclos culturais de Spengler possuía algumas imprecisões fundamentais. Primeiramente, ele discordava da perspectivia histórica rigidamente determinista e fatalista de Spengler, na qual a ascensão e declínio das Altas Culturas eram "destinadas" e podiam até ser previstas, porque para Moeller a história era essencialmentei mprevisível; ela é "a história do incalculável". [16]

Em segundo lugar, as nações que Spengler afirmava constituir o "Ocidente" tinham poderosas diferenças umas entre as outras, especialmente em termos de serem "jovens" e "velhas", o que afetava se elas ascenderiam ou declinariam, bem como diferenças culturais. Moeller escreveu que devido a essas diferenças significativas claramente não havia qualquer "Ocidente homogêneo" e "por esta razão simplesmente não podia haver declínio homogêneo". [17]

Não só isso, mas a história se assemelharia a uma "espiral" mais que a um "círculo", e uma nação em declínio poderia, efetivamente, reverter seu declínio se certas mudanças psicológicas e eventos tivessem lugar nela. Na verdade, Moeller sentia que uma nação como a Alemanha não podia nem mesmo ser classificada como "ocidental" e tinha mais em comum, em termos de espírito, com a Rússia do que com França e Inglaterra. [18]

O Terceiro Império


Em 1922, Moeller, junto a seu dois amigos Heinrich von Gleichen e Max Hildeberg Boehm, publicou uma coletânea de seus artigos sob a forma de um livro chamado Die Neue Front ("O Novo Front"), que foi feito para ser um manifesto para jovens conservadores. [19] Um ano depois, porém, Moeller publicaria seu próprio manifesto, Das Dritte Reich ("O Terceiro Império"), que continha a exposição mais ampla de sua cosmovisão. [20]


Ele começou o livro com uma declaração do ideal do Terceiro Império que a Alemanha tinha o potencial de estabelecer ao mesmo tempo que simultaneamente alertou que a Alemanha deveria se tornar "politizada". No primeiro capítulo, ele discutia a Revolução Alemã de 1918 que estabeleceu a República de Weimar, declarando que essa revolução introduziu ideias políticas não-alemães que foram impostas pelas potências estrangeiras da França e Inglaterra, e que ela deveria ser superada por uma nova revolução, nacionalista e conservadora.

Aqui Moeller também repetiu seu conceito de "povos jovens" e "povos velhos", enfatizando que as nações inglesa e francesa eram "velhas", ainda que astutas e politicamente experientes, enquanto a Alemanha era "jovem" e vigorosa, mas havia se comportado de maneira inexperiente e impetuosa. Se a Alemanha pudesse se erguer por cima da situação de derrota na qual ela foi posta, seus líderes precisariam de cautela e experiência política. Moeller alertou que se líderes alemães não cuidassem da situação política "com o máximo cuidado e perícia" e com sabedoria, "a tentativa da Alemanha nos lançará novamente na impotência, na desintegração, em uma inexistência que dessa vez não durará décadas, mas séculos". [21]

As partes seguintes do Terceiro Império examinariam os quatro tipos ideológicos típicos (revolucionário, liberal, reacionário e conservador) na Alemanha e suas atitudes e ideias essenciais.

Revolucionários, Socialismo e o Proletariado


O tipo político conhecido como o "revolucionário" ou o "radical", que era representado primariamente pelos marxistas, sustentava a perspectiva equivocada de que uma nação e sua sociedade poderiam ser transformados através de uma revolução, criando rapidamente um novo mundo. Moeller acreditava que essa era uma perspectiva ingênua da vida das nações, porque os costumes, tradições e valores passados de uma nação não podiam ser simplesmente postos de lado. "Podemos ser vítimas de catástrofes que nos assolam, de revoluções que não podemos impedir, mas a tradição sempre reemerge". [22]


Moeller gastou bastante tempo criticando as bases ideológicas materialistas e racionalistas do marxismo. Ele criticou o racionalismo por ser incapaz de entender que a "razão" tinha limites e era inteiramente separada do "entendimento". "A razão deve ser una com a percepção. Essa razão deixou de perceber; ela meramente reconheceu. O entendimento é um instinto espiritual; a razão se tornou mero cálculo intelectual". [23] O materialismo (que partilha de um elo de ligação com o racionalismo) e o racionalismo "abraçam tudo, exceto o que é vital". Como o racionalismo, o materialismo não conseguia entender a história ou a natureza do homem:

"A concepção materialista da história, que dá à economia maior peso que ao homem, é uma negação da história; ela nega todos os valores espirituais... O homem se revolta contra o meramente animal em si mesmo; ele é preenchido com a determinação de não viver somente pelo pão, ou, posteriormente, não só pela economia, ele atinge consciência de sua dignidade humana. A concepção materialista da história jamais reconheceu essas coisas. Ela se concentrou em metade da história do homem: e na metade de menos crédito". [24]

Assim, o marxismo, por estar fundado em tais ideias, cometeu o erro de conceber o homem como um animal sem alma guiado meramente por motivos econômicos, enquanto em realidade forças espirituais e ideias superiores guiam suas ações. Ademais, Marx falhou em compreender que não pode haver proletariado internacional porque as pessoas, sejam elas proletárias ou não, se diferenciavam por pertencerem a diferentes Völker (isso é usualmente traduzido por "nações", mas também pode ser entendido como "etnias").

Moeller acreditava que essa falha era parcialmente produto do pensamento racionalista de Marx bem como de sua origem judaica, o que o tornava "um estranho na Europa" que ainda assim "ousava interferir nos assuntos de povos europeus". Moller apontou: "Judeu que era, o sentimento nacional lhe era incompreensível; racionalista que era, o sentimento nacional lhe era ultrapassado". [25]

Porém, o socialismo em si não se limitava a marxismo e na verdade, "o socialismo internacional não existe...o socialismo começa onde o marxismo termina". [26] Moeller clamava pelo reconhecimento do fato de que "cada povo tem seu próprio socialismo" e que um "socialismo nacional" conservador de origem alemã existia que devia ser a base de um Terceiro Império.

Este socialismo alemão era essencialmente uma forma de corporatismo socialista, uma "concepção corporativa de Estado e economia", que tinha suas fundações nas ideias de pensadores como Friedrich List, Freiherr von Stein e Constantin Frantz, bem como no sistema medieval das guildas. [27] Outros intelectuais notáveis que foram contemporâneos de Moeller, mais proeminentemente Oswald Spengler e Werner Sombart, defendiam concepções similares de "socialismo alemão". [28]

Moeller também desafiou a concepção marxiana do proletariado bem como seu conceito de luta de classes, afirmando que "o proletário é proletário por seu próprio desejo". Assim, o proletariado, no sentido marxiano, não era produto de sua posição na sociedade capitalista, mas apenas da "consciência proletária". O socialismo é um "problema populacional", que é "a questão socialista mais urgentemente concebível" e que Marx foi incapaz de reconhecer adequadamente. [29]

O problema do proletariado era essencialmente o problema de uma nação ter população excedente demais graças a uma falta de "espaço vital", o que significava que seu povo começava a viver em más condições. Como a Alemanha estava sendo impedida por potências estrangeiras de resolver seu problema populacional, "o proletariado está aprendendo que se as classes oprimidas sofrem no corpo, as nações oprimidas sofrem na alma". Proletários e não-proletários alemães eram ambos alemães e teriam que se unir para se libertar da opressão, pois "apenas a nação como um todo pode libertar a si mesma". [30]

Liberalismo e Democracia


O liberalismo foi atacado por Moeller como uma força negativa que deve ser absolutamente eliminada e que é o inimigo primário tanto da direita conservadora quanto da esquerda revolucionária. O liberalismo, ensinou Moeller, está essencialmente baseado no individualismo, significando não simplesmente a ideia de que o indivíduo tem valor, mas um tipo de egoísmo que se recusa a reconhecer qualquer coisa além do indivíduo que que até mesmo põe valor total no auto-interesse. "O liberal professa fazer tudo que faz em nome do povo; mas ele destroi o senso de comunidade que deve ligar homens excepcionais ao povo do qual eles emergem". [31]


Assim, o liberalismo é uma força degenerativa que enfraquece nações e atomiza a sociedade; ele é uma ideologia tolerada apenas por nações que não tem mais um senso de unidade ou "instinto estatal". Os liberais, consequentemente, não tem senso de responsabilidade perante sua nação, sendo indiferentes tanto a seu passado quanto a seu futuro, e buscando somente vantagem pessoal. O poder desintegrador dessa ideologia é óbvio: "O seu sonho é a grande Internacional, na qual as diferenças de povos e linguagens, raças e culturas serão obliteradas". [32]

Moeller concluiu que o liberalismo havia criado uma forma de Estado, a república, na qual a velha aristocracia era substituída por uma "camada perigosa, irresponsável, impiedosa, intermediária" de políticos corruptos guiados somente pelo interesse próprio. Moeller até mantinha que liberais não tinham nem mesmo uma ideia própria de liberdade: 'Liberdade significa para ele simplesmente o escopo de seu próprio egoísmo, e isso ele garante por meio de artifícios políticos elaborados para este propósito: o parlamentarismo e a, assim chamada, democracia". [33]

No lugar do conceito liberal-republicano de democracia, Moeller oferecia uma nova ideia: "A questão da democracia não é a questão da República", mas é, ao contrário, algo que vem a ser quando o povo "toma parte na determinação de seu próprio Destino". [34] Os alemães haviam sido originalmente um povo democrático em tempos antigos, o que não tinha nada a ver com direitos teóricos ou votação, mas sim com um laço de comunidade e com o monarca executando a vontade do povo.

Portanto, mesmo uma forte monarquia pode ser uma democracia. Porém, Moeller acreditava que a velha monarquia do Segundo Reich havia perdido contato com o povo e um novo tipo de Estado monárquico deveria surgir, uma "democracia com um líder, não com parlamentarismo". [35]Este Líder aboliria o governo dos partidos e instituiria um sistema no qual líderes se "sentiriam unos com a nação" e "identificaram o destino da nação com seu próprio". [36]

Reacionários e Conservadores

Reacionários e conservadores são usualmente vistos como intercambiáveis, mas Moeller enfatizou que há diferenças importantes entre os dois grupos. Um reacionário é essencialmente alguém que acredita em uma reinstituição total de uma forma passada. Isto é, ele busca reverter a história e trazer de volta à existência práticas antigas, independentemente de elas serem boas ou ruins, porque ele crÊ que tudo do passado era bom. Moeller, assim, distingue o reacionário do conservador:

"A leitura que o reacionário faz da história é tão superficial quanto a do conservador é profunda. O reacionário vê o mundo como ele o conheceu; o conservador o vê como ele foi e sempre será. Ele distingue o transitório do eterno. Exatamente o que foi nunca poderá ser novamente. Mas o que o mundo fez surgir ele pode fazer surgir novamente". [37]

O que se quer dizer aqui é que enquanto um reacionário busca reviver completamente formas passadas, o conservador entende como o mundo realmente funciona. Sociedades evoluem e, portanto, alguns valores e tradições mudam, mas ao mesmo tempo certos valores e tradições não mudam ou não devem ser mudados. O conservador tenta preservar os valores e costumes que são bons para a nação ou que são eternos em natureza enquanto simultaneamente aceita novos valores e práticas quando eles são positivos para a nação ou quando substituem antigas que eram negativas em efeito. Portanto,

"Ele [o conservador] não tem ambição de ver o mundo como museu; ele o prefere como oficina, onde ele pode criar coisas que servirão como novas bases. Seu pensamento difere do do revolucionário em que ele não confia em coisas que nasceram rapidamento no caos dos tumultos; as coisas possuem valor para ele apenas quando elas possuem certa estabilidade. Valores estáveis surgem da tradição". [38]

O que, então, é um "conservador revolucionário"? De muitas maneiras, a definição de Moeller de conservador é basicamente equivalente à de conservador revolucionário; alguém que valoriza o que é eterno ou bom enquanto deixa para trás o que não é mais sustentável ou é ruim. Porém, falando estritamente, para Moeller o conservador revolucionário é um conservador que funde ideias conservadores e revolucionárias para o benefício da nação. Moeller escreveu que"o pensamento conservador revolucionário" é o "único que em uma época de reviravoltas garante a continuidade da história e a preserva tanto contra a reação como contra o caos". [39] Ele é, assim, um desenvolvimento necessário que reconhece e reconcilia "todas as antíteses que estão historicamente vivas entre nós". [40]

Nacionalismo Conservador e o Terceiro Império

Segundo Moeller, o conservadorismo e o nacionalismo estão ligados, significando que um conservador é agora um nacionalista. Mas como ele define "nacionalismo", um termo que muitas vezes tem definições contraditórias? A nacionalidade (ou alternativamente, etnicidade) não está baseada simplesmente em ter nascido em um país específico e falando sua língua, como muitas vezes tem sido assumido no passado; uma nação é, na verdade, definida por "seu próprio caráter peculiar da
maneira na qual os homens de seu sangue valorizam a vida". [41] Assim, Moeller escreveu:

"A consciência da nacionalidade significa consciência dos valores vivos de uma nação. Não são só alemães os que falam alemão, ou nasceram na Alemanha, ou possuem direitos de cidadania. O conservadorismo busca preservar os valores de uma nação, tanto pela conservação de valores tradicionais, na medida em que estes ainda possuem poder de crescimento, e assimilando novos valores que ampliam a vitalidade de uma nação. Uma nação é uma comunidade de valores; e o nacionalismo é uma consciência de valores". [42]

É de interesse notar aqui que os intelectuais liberal-igualitários muitas vezes afirmam que os nacionalistas acreditam que uma nação é uma entidade totalmente imutável em termos de caráter, enquanto o conceito de Moeller de conservadorismo e nacionalismo, como explicado acima, desafia inteiramente esses preconceitos antinacionalistas. Similarmente, o associado de Moeller, o influente pensador völkisch Max Hildebert Boehm, sustentava a opinião de que um Volk não era um organismo imutável, mas estava sempre em estado de fluxo. [43]

Finalmente, Moeller declarou que "O Estado decadente ameaçou enterrar a nação em suas ruínas. Mas ali ergueu-se uma esperança de salvarção: um movimento conservador revolucionário de nacionalismo". [44] Ele estabelecerá um "Terceiro Império, um novo e último Império" que uniria o povo alemão como um todo, estaria fundado em valores conservadores e no amor do país, e resolveria os problemas populacionais e econômicos da Alemanha. Porém, Moeller enfatizou que o objetivo não era lutar apenas em prol da Alemanha, mas na verdade "ao mesmo tempo ele [o nacionalista alemão] está lutando pela causa da Europa, por cada influência europeia que irradia da Alemanha como centro da Europa". [45] Assim, a realização do destino da Alemanha significaria a salvação da Europa.

Influência e Morte

A grande visão de Moeller para o futuro do nacionalismo e conservadorismo alemães teve bastante influência entre grupos de direita na Alemanha e foi crítica no desenvolvimento do "conservadorismo revolucionário". Porém, sua influência mais importante foi sobre o movimento nacional-socialista, até o ponto de Moeller ser dito muitas vezes como um precursor do nacional-socialismo.

Apesar do termo "Terceiro Reich" não ter se originado com ele, foi ele que o popularizou durante a República de Weimar e foi a fonte a partir da qual os nacional-socialistas o adotaram. [46] Ademais, o conceito de Moeller de um Líder que se identifica com a nação, o conceito de um "socialismo nacional", seu antiliberalismo, e sua crença na importância da nacionalidade apontam uma relação óbvia com o nacional-socialismo de Hitler.

Porém, por outro lado, essas ideias certamente não são únicas seja a Moeller ou a Hitler, e na verdade precedem a ambos. Também há diferenças conspícuas entre a cosmovisão de Moeller e a de Hitler. Moeller não partilhava do anti-eslavismo de Hitler ou de suas perspectivas raciais específicas, nem eram suas atitudes antijudaicas tão fortes quanto as de Hitler, ainda que ele reconhecesse os judeus como um problema.

Quando Hitler visitou o Clube de Junho em 1922 e teve uma conversa com Moeller, Moeller considerou de apesar de Hitler estar claramente lutando pelos interesses alemães, ele não tinha as qualidades ou tendências pessoais certas: "Hitler era atrapalhado por seu primitivismo proletário. Ele não entendia como dar a seu nacional-socialismo qualquer base intelectual. Ele era paixão encarnada, mas inteiramente sem medida ou senso de proporção". [47]

Segundo Otto Strasser, outro associado de Moeller, Hitler também não entendeu a frase de Moeller "Nós fomos teutões, nós somos alemães, nós seremos europeus", que significava que a Alemanha deveria se tornar "um membro da grande família europeia". [48]Apesar disso tudo, Hitler ainda admirava Moeller e uma cópia autografada de seu Das Dritte Reich foi encontrada no bunker de Hitler em 1945. [49]

Por volta de 1925, Moeller começou a se desesperar por conta da situação política na Alemanha e vários acontecimentos negativos. Ele não tinha qualquer confiança nas forças políticas de direita que emergiam, e já foi sugerido que ele temia que os nacional-socialistas abusassem ou distorcessem suas ideias. Conforme ele começou a se retirar do ativismo político, Moeller se tornou ainda mais solitário e mais deprimido, e foi finalmente acometido por um colapso nervoso, após o que ele cometeu suicídio em 30 de maio de 1925. [50] Mas enquanto Moeller van den Bruck passou desse mundo ele deixou para trás sua visão imponente:

"O nacionalismo alemão luta pelo Império possível... Não estamos pensando na Europa de Hoje que é desprezível demais para ter qualquer valor. Estamos pensando na Europa de Ontem e no que possa ser salvo daí para a de Amanhã. Estamos pensando na Alemanha de Todo o Tempo, a Alemanha de um passado de dois mil anos, a Alemanha de um eterno presente que habita no espírito, mas que deve ser garantida na realidade e só pode ser garantida politicamente... O macaco e o tigre no homem são ameaçadores. A sombra da África recai sobre a Europa. É nossa tarefa sermos guardiões no limiar dos valores". [51]

[1] Lucy Moeller van den Bruck as quoted in Fritz Stern, The Politics of Cultural Despair (Berkeley & Los Angeles: University of California Press, 1974), p. 184.

[2] Gerhard Krebs, “Moeller Van Den Bruck: Inventor of the ‘Third Reich,’” The American Political Science Review, Vol. 35, No. 6 (Dec., 1941), pp. 1085–86.

[3] Klemens von Klemperer, Germany’s New Conservatism; Its History And Dilemma In The Twentieth Century (Princeton: Princeton University Press, 1968), pp. 154–55.

[4] Arthur Moeller van den Bruck, Die Deutschen, 8 vols. (Minden, Westphalia: J. C. C. Bruns, 1910).

[5] Krebs, “Moeller Van Den Bruck,” p. 1093.

[6] Kemperer, Germany’s New Conservatism, p. 155–56.

[7] Ibid., p. 156.

[8] Moeller, Der preussische Stil (Munich, 1916), p. 202. Quoted in Klemperer, Germany’s New Conservatism, p. 156.

[9] Moeller, Das Recht der Jungen Völker (Munich: R. Piper & Co., 1919).

[10] Moeller as quoted in Krebs, “Moeller Van Den Bruck,” p. 1093.

[11] Klemperer, Germany’s New Conservatism, pp. 158–59.

[12] On Moeller’s racial views, see Stern, Politics of Cultural Despair, pp. 142–43, 187, and Alain de Benoist, “Arthur Moeller van den Bruck: Une ‘Question a la Destinee Allemande,’” Nouvelle Ecole, Paris, 35, January 1980, http://www.alaindebenoist.com/pdf/arthur_moeller_van_den_bruck.pdf, pp. 13 & 35.

[13] Ibid.

[14] Klemperer, Germany’s New Conservatism, p. 103.

[15] Benoist, “Arthur Moeller van den Bruck,” p. 28.

[16] Moeller, Das Recht der Jungen Völker, pp. 11–39. Quoted in Zoltan Michael Szaz, “The Ideological Precursors of National Socialism,” The Western Political Quarterly, Vol. 16, No. 4 (Dec., 1963), p. 942.

[17] Moeller as quoted in Stern, Politics of Cultural Despair, p. 239.

[18] Benoist, “Arthur Moeller van den Bruck,” pp. 13, 27–30.

[19] Klemperer, Germany’s New Conservatism, p. 232 and Krebs, “Moeller Van Den Bruck,” p. 1087.

[20] Moeller, Germany’s Third Empire (Howard Fertig, New York, 1971). Note that a new edition of this work in English has recently been published by Arktos Media (London, 2012).

[21] Ibid., p. 24.

[22] Ibid., p. 223.

[23] Ibid., p. 212.

[24] Ibid., p. 55.

[25] Ibid., p. 43.

[26] Ibid., p. 76.

[27] Ibid., pp. 60, 74, 160.

[28] See Oswald Spengler, Selected Essays (Chicago: Gateway/Henry Regnery, 1967) and Werner Sombart, Economic Life in the Modern Age (New Brunswick, NJ, and London: Transaction Publishers, 2001).

[29] Moeller, Germany’s Third Empire, pp. 160–62.

[30] Ibid., p. 161.

[31] Ibid., p. 90.

[32] Ibid.

[33] Ibid., p. 110.

[34] Ibid., p. 132.

[35] Ibid., p. 133.

[36] Ibid., p. 227.

[37] Ibid., p. 181.

[38] Ibid., p. 223.

[39] Ibid., p. 192.

[40] Ibid., p. 254.

[41] Ibid., p. 245.

[42] Ibid., p. 245.

[43] Max Hildebert Boehm, Das eigenständige Volk (Göttingen: Vandenhoek & Ruprecht, 1932).

[44] Moeller, Germany’s Third Empire, p. 248.

[45] Ibid., p. 264.

[46] Klemperer, Germany’s New Conservatism, pp. 153, 161–62.

[47] Moeller as quoted in Stern, Politics of Cultural Despair, p. 238.

[48] Otto Strasser, Hitler and I (Boston: Houghton Mifflin Co., 1940), pp. 39 & 217.

[49] Cyprian Blamires, World Fascism: A Historical Encyclopedia, Volume 1 (Santa Barbara, Cal.: ABC-CLIO, 2006), p. 431.

[50] Stern, Politics of Cultural Despair, p. 266 and Benoist, “Arthur Moeller van den Bruck,” p. 49.


[51] Moeller, Germany’s Third Empire, p. 264.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Eduardo Velasco - Introdução à Eugenia

por Eduardo Velasco


"A investigação das doenças progrediu tanto que está tornando-se cada vez mais difícil encontrar alguém totalmente saudável".
(Aldous Huxley).

"A cada dia estamos mais doentes e melhor curados".
(Savitri Devi).

[Este texto é uma introdução de temas que serão vistos em profundidade no próximo artigo].


É inegável que na espécie e em qualquer grupo humano há uma diversidade de qualidades. 

Alguns indivíduos são inteligentes e alguns são burros. 

Alguns indivíduos têm uma saúde de ferro e outros são doentes. 

Alguns indivíduos são altos, outros são baixos. 

Alguns indivíduos são fortes, outros são fracos. 

Alguns indivíduos são corajosos, alguns são covardes. 

Alguns indivíduos são disciplinados e trabalhadores, outros são vagos e preguiçosos. 

Alguns indivíduos são honestos, nobres, retos e leais, outros têm uma inclinação clara para a mentira, falsidade, deslealdade e traição. 

Também é inegável que quase todas essas qualidades são hereditárias e dependem da genética em maior ou menor extensão (geralmente mais em maior que menor). 

A questão que se coloca é: quais as qualidades, das acima listadas, nos parecem mais desejáveis e que gostaríamos que acabassem prevalecendo no mundo futuro se quisermos que a Terra seja um lugar melhor? 

Se você é uma pessoa lógica, tomo nota de sua resposta óbvia e abordo a seguinte questão: o caminho que, como uma espécie, temos atravessado nos últimos milênios, quais qualidades, das listadas acima, tendem a melhorar e selecionar? 

A mentalidade atual, produzida por uma civilização isolada em sua bolha tecnológica, ignora completamente as leis da Natureza, o sangue, a seleção e a desigualdade dos homens, leis que, necessariamente, colocam os melhores acima e os piores abaixo. O mundo moderno é, então, o exemplo perfeito de uma diabólica seleção ao reverso ou contra seleção. Muitas pessoas de genética inferior têm sido perpetuadas, e muitas pessoas de genética superior não (por exemplo, na época medieval por causa das guerras fratricidas, a caça às bruxas e o celibato de vastos setores sociais nas mãos da Igreja). Isso prejudica a espécie. Quando o número de resíduos biológicos aumenta e o de monumentos aos deuses diminui, podemos ter certeza, sem dúvida, que estamos caminhando em direção a um futuro de resíduos biológicos. 

Hoje, o indivíduo é sagrado e intocável, enquanto conceitos como "raça", "espécie", "pátria" são considerados abstrações, quando a única abstração é o indivíduo que nasce e morre fugazmente, enquanto que somente os grupos humanos são realidades sólidas e duradouras. 

Nos tempos mais difíceis e mais autênticos, a taxa de natalidade era vigorosa, mas a dureza das condições ambientais cortava a vida dos mais fracos. Assim, numa família de 10 crianças, era possível que somente 5 chegassem a idade reprodutiva. Cada um desses 5 teriam talvez, por sua vez, 10 filhos, dos quais 5 sobreviveriam, os mais aptos. O resultado era que, em várias gerações, os defeituosos eram praticamente erradicados, e os únicos que ficavam de pé eram os mais resistentes. Assim, lutando contra os elementos, em guerras, epidemias e catástrofes, a população do planeta permaneceu estável, mas, como espécie, tendemos a melhorar geração após geração. Cada "ninhada" tendia a ser melhor do que a anterior. 

A humanidade não estava preparada espiritualmente para o advento da revolução industrial, a tecnologia e a medicina moderna. Obviamente, a tecnologia acabou por ser, em muitos aspectos, uma salvação para o ser humano, mas este esqueceu de antecipar que o imenso crescimento populacional que inevitavelmente ocorreria teria que ser compensado de outras maneiras. Em vez de providenciar medidas que continuassem a manter uma seleção dos melhores para regular a população, a proliferação descontrolada do ser humano foi permitida, à custa da Natureza e da própria qualidade biológica da população. 

Uma vez que as medidas sanitárias, a tecnologia, os serviços sociais e a moral judaico-cristã estiveram à mercê deles, toda uma legião de enfermidades, decrépitas, atrasadas e deficientes invadiram o horizonte da espécie, que num mundo dominado pela Natureza nunca veriam a luz, ou teriam durado pouco. Nós, que temos a técnica e os meios para fazer rápida e indolormente o que a Natureza costuma fazer lenta e dolorosamente, estamos passando pelo arco do triunfo essa possibilidade, e estamos usando-a para propagar e perpetuar sementes inferiores. 

Argumenta-se que a tecnologia em si não é boa ou má, mas depende do seu uso. Hoje, está sendo dado um uso diabólico, destinado adoecer-nos, enfraquecer-nos e afastar-nos da Terra e nossa própria natureza. No futuro, quando a imbecilidade desta civilização for superada, a aplicação da tecnologia deve dar um giro de 360 ​​graus. 

"Mas então haveria uma seleção: escolheríamos os tipos a predominar, se discriminaria, e isso é injusto!" [Para mim, é claro, porque eu quero perpetuar meus genes, e com eles, a decrepitude associada. Resposta: Será injusto para você, mas é justo para a espécie, que é mais importante do que você. Por outro lado, é injusto para a espécie que seu desperdício hereditário se espalhe como a praga, por mais que isso ofenda ou não]. 

Sim, isso soa seleção.

É como os exames. Quem tira mais de 5, aprova, e que tira menos de 5, reprova e fica fora... uma "seleção" em toda regra. Que monstruosidade injusta. Que discriminação ameaçadora para os que foram reprovados! Que politicamente incorreto!

Semelhante nesses lugares onde você não pode entrar se estiver mal vestido, sem companhia feminina, sem nome na lista, sem muito dinheiro etc.

Discriminação e seleção pura e dura, que nos rodeia 24 horas por dia, e sempre sob formas muito mais injustas e antinaturais do que a discriminação genética.

“Mas então se formaria um sistema de castas e se destruiria a igualdade!”

Você tem razão, mas por acaso não temos um "sistema de castas" hoje? Por acaso tal sistema de castas capitalista não está baseado no dinheiro? Por acaso isso não destrói a sacrossanta "igualdade"? Por acaso tal critério econômico de estratificação social não é infinitamente mais baixo, antinatural, injusto e mesquinho do que o genético? Por acaso não tende a encantar indivíduos medíocres, vis e maliciosos?

Hoje em dia, pode-se ser um palhaço, infantil, tolo, depravado, pervertido, falso, traidor, cobra, antipático, repelente, viciado em drogas e estúpido, mas abrirão suas portas onde ele vá e se inclinarão diante dele se o mesmo for podre de dinheiro e faz ostentação visível do mesmo.

Da mesma forma, pode-se ser inteligente, uma boa pessoa, saudável, corajosa, forte e simpática, que o Sistema lhe ignorará se for pobre.

Hoje em dia, se uma moça veste decote e minissaia todas as portas se abrirão pra ela, mesmo que seja medíocre, enquanto que uma moça bonita não resulta chamativa se usa roupas discretas.

Não é isso tremendamente injusto?

Então de que tem medo quando se sugere a possibilidade de varrer com tudo isso e selecionar aos melhores indivíduos ou genes para cruzamentos e criação superior?

"Mas então operaríamos modificações sobre o indivíduo e forçaríamos mudanças em toda a sociedade!" 

Muito bom. 

Se você tem um filho. Você não ensinaria ele a se comportar para torná-lo mais apresentável? Não lavaria-o e pentearia-o para torná-lo melhor aparentado? Não lhe daria uma educação melhor para torná-lo mais sábio? Isso não é "operar modificações"? 

Por acaso não temos um sistema educacional ridículo e patético, bem como um aparato monstruoso de propaganda subliminar que "força mudanças" em toda a sociedade, inclusive na opinião pública? Essas mudanças, por sinal, não são piores

Então de que tem medo quando sugere-se a possibilidade de operar modificações, para melhor?

"Mas então seríamos todos altos, belos, loiros, fortes, superdotados, indestrutíveis, imortais, perfeitos e de olhos azuis!"

E o que há de errado com isso?

Vejamos… tomando o “leque” genético teu e do seu par, te dão para escolher como queira que seja seu futuro filho. “Como o pediria”?

Fraco, talvez?

Baixo, talvez?

Burro, talvez?

Feio, talvez?

Não “pediria” os melhores genes do leque formado por sua genética e de seu par?

Então?

“Ah, mas para mim o aspecto é indiferente, e como vier ao mundo eu vou amar o meu filho”.

Estou orgulhoso de você. Fiquei até emocionado de contemplar tanta solidariedade, tanto progressismo, tanta igualdade, tanta tolerância e tantos arco-íris.

Mas me diga.

Se o aspecto é indiferente, então por que diabos coloca gel e pinta o cabelo?

Por que se depila ou se barbeia?

Por que você compra roupas projetadas para melhorar suas virtudes e ocultar suas falhas?

Por que se maquia?

Por que tinge seu cabelo?

Por que usa saltos?

Silicone?

Implantes?

Rinoplastia?

Botox?

Lifting facial?

Cremes?

Lipoaspiração?

Insulina para diabetes?

Remoção do apêndice?

Aparelhos para a asma?

Barbitúricos?

Pílulas para dormir?

Óculos?

Lentes de contato?

Anabolizantes?

Por que, em suma, você tenta aparentar? Não será porque seja consciente de que isso é um tesouro?

E não é tudo isso mil vezes mais antinatural do que já nascer com genes privilegiados?

O problema é que as pessoas trabalham sobre o fenótipo, disfarçando seus defeitos com dinheiro, remendos, emendas, acessórios e produtos químicos nocivos (e caros, que é um negócio lucrativo que o sistema mantem em funcionamento). Por acaso, grande hipócrita, você não mataria por boa genética, por uma saúde de ferro, por beleza de nascimento e por não precisar de todos esses ridículos complementos para disfarçar suas misérias superficiais?

Por acaso não gasta (você e o Estado) um dinheiro sem fim em ditos remendos para dissimular seus defeitos e suas doenças, um dinheiro que poderia ser salvo se esses defeitos fossem erradicados ajustando certos genes inofensivamente? Por acaso todo o desperdício que supõe manter os deficientes, doentes terminais etc., não poderia ser parado em uma única geração, com um pouco de senso comum, por Deus?

"Ah, mas eu não escolheria a aparência do meu filho, simplesmente o deixaria nascer sem intervir em seus genes". 

Mais uma vez fiquei emocionado.

Mas quando você vê que todas suas amigas estão passando pela vida gerando superbebês preciosos, saudáveis, responsáveis, inteligentes, fortes, afetuosos, tenho a vaga sensação de que você não quer ficar para trás, ser a mãe menos legal e condenada a ouvir de sua criança asmática, diabética ou simplesmente medíocre, perguntar-lhe como foi tão mal intencionado para não dar-lhe um melhor nascimento tendo os meios para fazê-lo.

“Mas então os bebês que nascerem através da engenharia genética serão seres antinaturais!”

Esses bebês não seriam mais antinaturais do que um burguês obeso com um rosto de inchado, bebedor, sedentário, vestido até o pescoço e assistindo cinco horas por dia de TV, ou usando seu carro importado até pra ir ao banheiro.

Tão pouco serão mais antinaturais que uma mulher de 50 anos gorda, enrugada, materialista, fumante, com varizes, estéril, sem filhos e além disso: progressista, ativista, apadrinhadora de crianças de raças alienígenas em outros países, com o cabelo tingido de loiro, maquiada por completo, falando pelo celular e estampada em um modelo que mostra as banhas gelatinosas que ninguém quer ver.

E, naturalmente, não serão mais antinatural do que a tropa de doentes, desviados, criminosos, putas, parasitas, invertidos e degenerados que desfilam por nossa civilização, e aos que, por outro lado, ninguém privou de seu direito de nascer.

Você próprio, não pega o ônibus ou carro? Não se mete em antros de merda para beber e distrair sua vontade? Não transa com camisinha ou com pílula abortiva? Não assiste TV? Não é tudo isso também “antinatural”?

Por que, então, filhos quase perfeitos, nascidos do cruzamento dos melhores da espécies, deveriam ser seres antinaturais e abomináveis? Não podiam eles ser pessoas normais e ter os mesmos privilégios como — por exemplo — um homossexual mestiço, obeso, diabético, okupa e portador de várias doenças venéreas?

Não?

Pois isso me parece discriminação.

"Mas então, o que é que você apoiaria?"

Eu defenderia por fazer, de uma vez e sem dor, tudo o que a Natureza não pôde fazer estes dois milênios graças à proliferação descontrolada do ser humano e graças ao mal uso da tecnologia e da medicina. O que haveria que conseguir? Alcançar a perfeição.

O que é perfeição? Uma pergunta complicada. Para resumir e não perder tempo enquanto refletimos sobre isso, diríamos em primeiro lugar: a ausência de imperfeições. A primeira coisa, então, seria eliminar as questões hereditárias que, obviamente e manifestamente, são defeitos. E isso não significa matar ninguém, fazer genocídio ou eutanásia, mas intervir para alcançar a concepção de seres humanos de alta qualidade biológica. Isso pode acontecer através de todos os tipos de medidas que veremos no próximo artigo, desde a promoção de uma cultura saudável e alimentar bem mães grávidas, até melhorar a qualidade seminal dos homens, bem como prevenir gravidezes que resultarão em pessoas com deficiência.

“E quem decide quem é perfeito? Isso não é julgar como sendo Deus”?

Pode ser que seja julgar ser Deus, mas já que ninguém vai descer do céu para nos dar instruções, e como não vamos sentar e observar a espécie degenerar em tinkiwinkies doentes fundidos com a TV e automóveis ao mesmo tempo, alguém com juízo tem que preencher essa lacuna.

Tendo em conta, além disso, que a espécie está à beira da catástrofe, devemos favorecer uma elevada taxa de natalidade exacerbada nos melhores elementos e evitar que os piores se multipliquem. A civilização ocidental moderna é a única civilização da história da humanidade que não concebe o sexo, o matrimônio, a família e a natalidade como armas biológicas destinadas a propiciar "a vitória dos berços" — sem a qual "a vitória do soldado" é incompleta.

Teria que cruzar e procriar com a seleção de qualidades como o sangue branco, boa constituição, inteligência, força, estatura, coragem, capacidade de liderança, saúde, resistência, disciplina e um longo etc., que são, nem mais nem menos, as qualidades selecionadas pela própria Natureza quando a moralidade judaico-cristã suicida e demente não se interpõe entre Ela e o homem. Não seria necessário "forçar" as coisas nesse sentido ("vocês dois são bons espécimes, companheiro"), mas encorajá-los a surgir natural e espontaneamente.

Se este tipo de política fosse apoiada mediante técnicas e os meios que existem hoje, teríamos, em questão de gerações, uma raça quase perfeita, e todos os defeitos — juntamente com as despesas e misérias que causam — erradicados para sempre.

***

"Bom" é tudo o que melhora à espécie, "mau" é tudo o que piora à espécie.

Sob esse ponto de vista, se houvesse que recorrer a métodos artificiais (engenharia genética, intervenção estatal, cruzamentos seletivos) para subdividir as burradas indescritíveis causadas por dois milênios de demência não-artificial, deveria ser feito.

O estilo de vida de bordel urbano contaminado, desraigado, insalubre, asfaltado, acinzentado, degenerado, alcoolizado, imoral e cimentado, isso sim, é algo que prejudica a espécie e que é antinatural.

A compaixão e diligência com defeituosos, deficientes, homossexuais, sujos, delinquentes, doentes, parasitas e sentenciados, é algo que prejudica a espécie e que é antinatural.

A sua seleção social-econômica é algo que prejudica a espécie,  que a piora e que tende a formar um tipo de homem inferior, além de mil vezes mais imoral que a seleção natural-genética.

A castração do instinto de agressividade é algo que piora a espécie e deixa-nos desarmados perante humanoides mais brutais.

A seleção genética, a natalidade e o cruzamento seletivo dos melhores indivíduos são coisas que beneficiam a espécie e tendem a formar um tipo de homem superior. Portanto, são boas coisas e desejáveis.

Conclusão: enquanto a intervenção na reprodução humana não seja uma realidade, tenha filhos somente com indivíduos de semelhante qualidade genética e racial que você. Guie-se pelos traços do corpo, da alma, da saúde e do tom de pele, olhos e cabelos. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Eduardo Velasco - A maldição oriental: danos dietéticos trazidos pela Revolução Neolítica

(Tradução por Marcos Melinas)

por Eduardo Velasco

"E ao homem declarou: 'Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará' ".
(Gênesis 3:17-19)

"O registro fóssil indica que os primeiros agricultores, em comparação com seus antecessores caçadores-coletores, tiveram uma redução característica de altura, um aumento na mortalidade infantil, uma redução na expectativa de vida, um aumento na incidência de doenças infecciosas, um aumento da anemia ferropriva, aumento da incidência de osteomalácia, hiperostose porosa e outros distúrbios de minerais no esqueleto, e um aumento na cárie e defeitos do esmalte dentário. A agricultura não provocou um aumento na saúde, mas sim o contrário".
(Dr. Loren Cordain).

No artigo sobre nutrição e degeneração física vimos como a alimentação tradicional primitiva é infinitamente superior comparado com a moderna na produção de seres humanos mais saudáveis. A ideia mais importante que deve ser derivada disto é que a noção de "progresso" tem que ser seriamente questionada. A moderna doutrina oficial (herdeira das idéias do iluminismo francês, por sua vez fortemente influenciada pela burguesia urbana, as elites financeiro-comerciais, a maçonaria e grupos similares) insiste em que, de um passado de barbárie, "evoluímos" e progressamos e que esse progresso tem sido visível no desenvolvimento da matéria inerte e da civilização. Esse ponto de vista negligencia deliberadamente o fato de que o próprio homem não "progrediu" desde o Paleolítico, mas pelo contrário: ele perdeu a capacidade craniana, a integridade genética, a solidez esquelética e corporal, o equilíbrio psicológico, a harmonia interior e que "a cada dia estamos mais doentes e melhor curados" que nunca.

O homem deve parar de olhar para os objetos materiais que o cercam, e encontrar um espelho no qual olhe para si mesmo. Há muito tempo, a perspectiva antropocêntrica foi abandonada, na qual o homem era considerado como um modelo, um ensaio de Deus, e em que a civilização tinha de ser feita sob medida para o homem, e não vice-versa. Hoje, a civilização tornou-se um monstro que, para a maior glória do sistema econômico, procura maneiras cada vez mais distorcidas de moldar a mente humana para torná-lo apto através de marteladas em um conceito de mundo que não tem nada a ver com a ordem natural e com o que ditam os genes. Quando a natureza humana protesta ante estado de coisas, fala de "doenças", "inadaptação" e outros eufemismos, e se apressa a procurar novos remédios, remendos ou métodos educacionais que possam neutralizar os sintomas, evitando cortar o problema radicular. O desenvolvimento da civilização tecnológica e do sistema econômico exige que a natureza humana seja cada vez mais controlada e manipulada para selecionar e construir o tipo humano para o qual o sistema é adequado: uma raça majoritária de cordeiros e uma raça minoritária de pastores. É assim que Nietzsche refletiu em sua monumental "Genealogia da moral": "ressaltamos que descemos mais e mais baixos, rumo a algo mais fraco, mais manso, mais prudente, mais plácido, mais medíocre, mais indiferente, mais chinês,  mais cristão — o homem, sem dúvida, torna-se cada vez mais 'melhor' ".

No entanto, mais e mais pessoas estão percebendo que o estilo de vida moderno é uma abominação e que está promovendo todos os tipos de desajustes psicofísicos no ser humano. Quando uma força expansiva é reprimida, mais cedo ou mais tarde ela tem que explodir, e quanto mais tempo ela está contida, mais forte é a explosão. É o que o futuro nos reserva por causa da atual gestão desastrosa dos instintos humanos.

Se neste quadro eu presto atenção à dieta, é porque a comida influencia decisivamente na configuração genética e na evolução de uma espécie, pois, literalmente, "somos o que comemos". O cérebro humano só se desenvolveu quando, graças à carne cozida (ver revolução carnívora), teve como matéria-prima um alimento muito superior para alimentar o crescimento de seus tecidos. Da mesma forma, a falta de comida decente tem um impacto sobre a qualidade da substância reprodutiva, a falta de vitaminas produz uma prole raquítica e, a longo prazo, hábitos alimentares perniciosos são cobrados a toda uma espécie e causam sua involução. Na categoria de alimentos, o marco mais significativo na longa degeneração dos hábitos humanos é, sem dúvida, a adoção dos cereais como principal alimento.

Os cereais são atualmente a causa principal da superpopulação e, portanto, são os culpados de que um número crescente de seres humanos está arrancado cada vez mais recursos da terra de que dependemos. Se esses bilhões de parasitas bípedes são sustentáveis ​​no mundo moderno e podem continuar a produzir resíduos e poluição, é exclusivamente graças aos cereais. As monoculturas genocidas (especialmente arroz, trigo, milho e soja) produzem calorias baratas e fáceis, mas vazias como palha, e aniquilaram a variedade nutricional de que dispunham os nossos antepassados. A agricultura intensiva exige o uso de substâncias tóxicas e a desnaturação dos alimentos em troca da produção de mais quantidade. A dependência da humanidade dos grãos de cereais levou ao desmatamento (e à destruição da biodiversidade animal que abrigava florestas), à multiplicação descontrolada e desastrosa de nossas populações, a uma infinidade de doenças degenerativas, ao empobrecimento do solo, à desertificação etc. O número de seres humanos aumentou, mas sua qualidade decaiu.

Situemos numa sociedade caçadora do Paleolítico. Os meios de subsistência são principalmente a caça, que é ocupada por jovens da tribo. Se colocássemos um gasto calórico diário para o humano paleolítico médio, levando em conta o frio, a maior corpulência, um metabolismo basal mais intenso, atividade física frequente e rígida etc., poderíamos talvez exagerar dizendo que o humano paleolítico médio poderia consumir 9.000 calorias diárias (para ser tão generoso como eu fui, um alpinista moderno pode precisar de 7.000 calorias diárias durante o inverno, e sob o peso de uma boa mochila), que vinha de fontes auto-renováveis. Agora vamos comparar: nas sociedades industriais, as colheitas são coletadas por máquinas que consomem petróleo, e os alimentos são transportados de forma econômica a grandes distâncias por veículos que consomem grandes quantidades desse combustível. A cada passo que tomamos no mundo, devoramos grandes quantidades de eletricidade, gás, papel, carvão, plástico, metais etc., que em última análise vêm da Natureza. Desta forma, o indivíduo médio moderno pode tocar (por baixo) 250.000 calorias, a maioria das quais provenientes de fontes não renováveis ​​que são sutilmente arrancadas abominavelmente da Natureza e excretadas de formas ainda mais. Esse gasto calórico cresceu à medida que a tecnologia se desenvolveu e espera-se que continue a crescer até atingir limites insustentáveis ​​e exorbitantes, e uma guerra global de mortes por recursos seja desencadeada. Ironicamente, apesar do fato de que agora estamos arrancando mais calorias da Natureza do que nunca, o gasto calórico do próprio organismo diminuiu drasticamente devido ao sedentarismo, e o próprio corpo humano está cada vez mais degradado e contaminado. O mesmo para sua mente, já que o cérebro é parte do corpo.

Durante a Pré-história, os únicos recursos que nossos antepassados "cozinhavam" ​​vinham de fontes naturais renováveis: pedra, madeira, água, animais e plantas. A principal fonte de energia calórica para o corpo humano era a gordura animal saturada. Já vimos como atualmente consumimos uma vasta gama de recursos, desde petróleo e gás natural até lítio e urânio. Para alimentar sistemas e processos materiais que nada têm a ver com a sobrevivência da espécie, estamos saqueando os tesouros finitos do nosso planeta. Agora, a principal fonte calórica de energia humana são os açúcares. Tecnicamente, os herbívoros também funcionam a base de açúcares, pois isso é o que resulta da fermentação e decomposição de cadeias de celulose vegetal longa. Aparentemente, a domesticação do homem e a sua conversão em ovelhas perfeitas do rebanho perfeito, foi convertê-lo primeiro em herbívoro e aniquilar os instintos predatórios.

A proporção de defeitos físicos e doenças degenerativas nos humanos, de acordo com o registro paleopatológico, comparando o Paleolítico e o Neolítico. Este diagrama de Venn mostra como as evidências forenses de doenças são muito pequenas entre os restos paleolíticos, enquanto proliferam no Neolítico. Não temos evidências de doenças nutricionais antes do advento da agricultura. Em seguida, as sete pragas do Egito chegaram: raquitismo, cárie, osteoporose, beribéri, pelagra, diabetes, dermatite herpetiforme, doença celíaca, obesidade, câncer, várias pragas, cólera e tuberculose, entre outros. O assunto foi bem estudado em "Paleopathology at the origins of agriculture" (Mark N. Cohen e George J. Armelagos).


ORIGENS DA AGRICULTURA

Chegará um dia em que a Revolução Neolítica será estudada como o momento em que um tipo humano inferior se rebelou contra o plano de Deus, colocando-se fora da Natureza e se esforçando para criar uma "nova ordem" sem perceber que só pode haver uma ordem ― A ordem natural ― e que todo homem que a questione passando para o outro lado pagará com a degradação de seu corpo, mente e espírito.

Tradicionalmente, considerava-se que os cereais foram domesticados e cultivados pela primeira vez no Oriente Próximo há 14.000-12.000 anos. Sabemos agora que o primeiro uso comprovado de cereais remonta ao local de Ohalo II (atual Israel), não menos de 23.000 anos atrás, e que os neandertais já consumiam féculas.

O sítio de Ohalo II está na costa do sul do lago Galileia, ao norte da atual Israel, perto do rio Jordão e não longe de Nazaré. O verde claro representa o primeiro campo de implantação da agricultura, muitos milênios após a datação do sítio. É incrível ver como Israel nunca deixou de ser uma chave constante: lá o "homem moderno" cruzou com o Neandertal, surgiu a agricultura, infinidade de civilizações antigas chocaram, o judaísmo e o cristianismo apareceram, ocorreu a queda do mundo pagão europeu, foi objetivo dos cruzados e atualmente é o nó geopolítico mais preocupante no planeta.

Por volta de 15.000 AP (antes do presente), os israelenses da época estavam coletando trigo e cevada, moendo-as para obter farinha, algo evidenciado pelo uso de morteiros. Dois ou três milênios mais tarde, seus descendentes colhiam grãos de cereais selvagens intensamente. Daí, a domesticação dos cereais e o desenvolvimento da agricultura havia apenas um passo. Os primeiros agricultores precisavam de campos abertos para estabelecer sua praga, então eles queimavam grandes extensões de floresta para expulsar os animais, nivelar a terra e prepará-la para ser irreversivelmente parasitada. A agricultura é, portanto, um biocídio contra as árvores, plantas e animais que não podem se defender. Consiste em carregar toda uma comunidade biológica, limpando a superfície do solo e causando uma avalanche de "refugiados" que desequilibrarão o ecossistema mais próximo. Comparado a este voraz buraco negro, os hábitos de caça do Neandertal e Cro-Magnon são brincadeiras inocentes.

Posteriormente, as sociedades neolíticas conceberiam a chegada do cereal (Deméter, Ceres) como algo que os tirou da escuridão. A verdade é que facilitou a vida diária, mas começou a deteriorar a sua qualidade de vida: deformações nos dentes, deterioração da saúde, desordem do metabolismo, aparição da obesidade e lento cultivo de um tipo humano diferente. Um tipo humano que não combinava com a espécie, mas com o Sistema. Um tipo humano comitivo, humilde, conformista, ingênuo, satisfeito. As origens da moralidade escrava, magistralmente retratada por Nietzsche em sua "Genealogia da moral" e "O Anticristo", devem ser buscadas em Israel, mas não durante a ocupação romana, mas no final do Paleolítico Superior.

À esquerda, o símbolo romano da deusa Ceres, que era equivalente a Deméter (Dea Mater, ou Deusa Mãe) da tradição grega. Ceres, como o nome sugere, era uma deusa de cereal, que veio do Oriente e ensinou os homens a semear a terra, a cultivar o trigo, a colher a colheita e a fazer pão.Em virtude de uma dessas casualidades cheias de sentidos, seu símbolo astral, a foice da terra (crescente para cima e para baixo) é a inversão da de Saturno (a foice do céu, cruz acima e meia lua abaixo), que, de acordo com Hesíodo, era o deus supremo da Idade de Ouro. No mundo clássico, as divindades da agricultura geralmente tinham uma origem oriental e eram objeto de numerosos cultos de rituais sobrecarregados e complexos, como os mistérios de Elêusis. O cristianismo não é exceção: o anfitrião (um misto substituto ritual da carne de Deus encarnado) continua a ser um alimento sagrado na liturgia católica.

O Neolítico transtornou completamente a alimentação humana. Onde antes se comia a base de carne, agora se come a base de carboidratos. Como vimos, durante o Paleolítico, a principal fonte de energia biológica para os seres humanos era a gordura. A partir do Neolítico, foram os açúcares. Atualmente, 80% de nossas calorias provêm de cereais, e uma grande parte dos 20% restantes vem de açúcares refinados, gorduras processadas e edulcorantes artificiais altamente prejudiciais. Como pode ser visto, dificilmente há espaço para proteínas ou gorduras animais saturadas.

O ALVORECER DAS FÉCULAS

A fécula, também chamada amido, é um polissacarídeo (ou carboidrato complexo) presente como reserva de energia em todas as plantas verdes. Como exemplos de alimentos ricos em amidos, temos o arroz, trigo, milho, aveia, batata, a mandioca (um tubérculo tipo a batata que é muito difundida nos trópicos) e outros. Devido ao forte componente cerealífero da dieta moderna, os amidos fornecem entre 70 e 80% das calorias consumidas pela humanidade, em produtos tipicamente amiláceos como massas, pão, arroz, cuscuz, mingau, bolos, farinha, biscoitos, batatas, doces em geral e vários cereais de caixa. Os amidos são, não mais ou menos, a base da alimentação humana hoje.

É difícil entrar na psicologia dos primeiros neolíticos e de todo o mundo campesino posterior sem entender a importância do grão para eles, isto é, o que, com a debulha, separava da palha e que, quando moído e depois cozido, fornecia a base da alimentação no passado: "o pão nosso de cada dia", o primeiro alimento processado e "civilizado". Onde os invernos eram duros, onde a população era muito numerosa e a biodiversidade muito escassa para o mundo inteiro se envolver na caça e na colheita (teria implicado a extinção de muitas espécies e onde somente a agricultura poderia garantir a vida de povos inteiros, o punhado de grãos era o símbolo da vida, da prosperidade, do futuro e do sustento. Com um punhado de grãos, toda uma região poderia ser colonizada. As forças políticas que queriam subjugar uma determinada população (de invasores estrangeiros ou senhores feudais sem escrúpulos até bolcheviques soviéticos) recorriam sempre aos confiscos de grãos e à queima de colheitas, pois sabiam que tal era a dependência das populações da agricultura, que levá-los era suficiente para mergulhá-los na miséria, precipitar-los à fome e o desespero e escravizá-los: o homem já não era capaz de caçar, pescar, coletar ou sobreviver sozinho. Perdera a liberdade, dependia da tecnologia, estava mais vulnerável do que nunca e a Natureza dificilmente o reconhecia como seu filho.

No entanto, permanece de pé a pergunta de se, como seres humanos, estamos evolutivamente adaptados a esta substância. Os animais realmente adaptados à digestão dos amidos são chamados de granívoros. Entre eles estão muitos pássaros e porcos, possuindo imensas glândulas salivares que secretam uma grande variedade de enzimas "projetadas" para decompor os amidos. Os seres humanos têm o gene AMY1, que nos dá a capacidade de metabolizar o amido, mas temos apenas uma enzima capaz de decompô-lo: a ptyalin.

Que não estamos biologicamente equipados para a melhor assimilação do amido não é surpreendente. Por milhões de anos, evoluímos como caçadores-coletores e nossa genética adaptou-se a carnes, gorduras, órgãos e frutas silvestres. Em termos evolutivos, começamos muito recentemente (6.000 anos no noroeste da Europa e Cornija Cantábrica) a ingerir quantidades maciças de amidos. Todo esse tempo, nosso corpo só tem protestado e mostrando sinais de não-conformidade: os paleoarqueólogos sabem bem que o registro fóssil indica um impressionante declínio na saúde e na qualidade de vida assim que a agricultura foi adotada; tanto que os defeitos dentários, a osteoporose e o subdesenvolvimento esquelético são muitas vezes tomados como indicadores fiáveis ​​até à data da chegada do Neolítico a uma determinada área.

Nos tempos mais recentes, tem havido uma estranha campanha para promover amidos, em detrimento de gorduras animais. Assim, desde a década de 1970, o pequeno-almoço tradicional americano de ovos, bacon, salsichas e manteiga foi gradualmente substituído por comida de vitrine para mulheres menopáusicas histéricas: a conhecida tigela de cereal com leite desnatado, um café com leite e sacarina, uma fatia de pão (naturalmente com margarina em vez de manteiga), uma colher de sopa de azeite virgem, uma olhada na última revista de fofocas e uma Coca-Cola para levar em sua bolsa. A indústria agrícola tem aumentado o consumo de carboidratos refinados porque, calorias por calorias, são os nutrientes mais baratos para produzir, eles são vendidos com uma margem de lucro imensa, eles dão muito jogo para inovar e quebrar os moldes do mercado com grande variedade de produtos todos os anos e, além disso, é fácil viciar e "entrar com facilidade". Nada mais rentável para o empresário do que investir em cereais. Então, é claro, nós nos queixamos do nosso deplorável estado de saúde e culpamos tudo pelo colesterol, sem mencionar o culpado mais discreto: o amido.

Desde a década de 1970, o consumo anual de grãos de cereais aumentou em cerca de 25 kg por pessoa, e o consumo de adoçantes calóricos artificiais (especialmente xarope de milho rico em frutose) aumentou em 15 kg. Ao mesmo tempo, o consumo total de calorias aumentou mais 400 por dia desde que as organizações de mídia começaram a estigmatizar gorduras e recomendar cereais. Por outro lado, o consumo de colesterol foi reduzido de forma impressionante em tempo recorde. No entanto, com a globalização dos alimentos, a saúde sofreu um colapso colossal, talvez não visto desde a chegada do Neolítico: várias doenças degenerativas como diabetes, candidíase e obesidade estão se multiplicando a um ritmo cada vez maior. O cidadão ocidental médio é, para o deleite da indústria farmacológica (que, não nos esqueçamos, alimenta e é enriquecida por nossas doenças), um verdadeiro e autêntico saco de lixo.

Atualmente, a China é o primeiro produtor de cereais do mundo, seguido pelos EUA.

O GRANDE ORIENTE CONTRA A NATUREZA HUMANA ― COMO OS CEREAIS ATACAM O ORGANISMO

Não se trata apenas de não estar adaptado aos amidos. A dieta de amido pode chegar a matar e, provavelmente, de forma indireta, é o maior assassino em massa na história do planeta. Aqui vamos analisar alguns dos muitos problemas graves que os cereais representam para a saúde humana.

1. INCOMPATIBILIDADE DIGESTIVA E QUÍMICA DE AMIDOS COM AS PROTEÍNAS. Para digerir otimamente as proteínas animais, o estômago deve fabricar a pepsina, uma enzima digestiva que só pode agir em um ambiente com um pH altamente ácido. No entanto, quando mastigamos os amidos, as glândulas salivares secretam a ptyalin e outros sucos gástricos relacionados, com um pH alcalino, de modo que a fécula é digerida em um meio alcalinizado. É fácil ver o que acontece quando proteínas e amidos são misturados no sistema digestivo: o estômago acumula sucos ácidos (para digerir a carne) e sucos alcalinos (para digerir os amidos) que se cancelam uns aos outros, e assim permanece uma solução aquosa para digerir qualquer um dos dois alimentos. Depois disso, a massa de alimentos confusa entra em contato com as bactérias do trato intestinal, que dão uma verdadeira festa com a qual somos incapazes de digerir, deixando-nos nada além de gás, toxinas e outras substâncias residuais. Em resposta a isso, os carboidratos complexos entram em fermentação, e as proteínas entram em decomposição. A carne libera substâncias indesejáveis, tais como a putrescina, cadaverina, moertina, necrotina e putrefatina, semelhantes aos que os cadáveres em decomposição enviam. Esta é uma das principais causas da má reputação da carne entre muitos vegetarianos, que não percebem que isso acontece devido à incompatibilidade de carboidratos complexos com proteínas, e que o culpado não é a carne (que fizeram parte da nossa dieta desde a alta Pré-história e têm ajudado muito a nossa evolução), mas carboidratos complexos, de aparição muito recente.

Tanto a putrefação de proteínas quanto a fermentação de amidos têm efeitos colaterais desagradáveis ​​como gases, queimaduras, inchaço, constipação, colite, hemorroidas, retenção de líquidos e halitose. Desagradáveis ​​"alergias" também ocorrem quando a corrente sanguínea absorve toxinas da massa putrefata e fermentada transportada pelo intestino, produzindo dores de cabeça, náuseas, vômitos, erupções cutâneas, acne, colmeias e um longo e desagradável etc. Assim, enquanto as bactérias no nosso sistema digestivo são dão o banquete, ficamos com apenas restos indigestos, substâncias de resíduos, toxinas e uma sequência longa de sequelas, entre eles a degeneração completa e total do intestino grosso (os médicos dizem que o único lugar onde um intestino grosso normal pode ser visto hoje está em um livro de anatomia).

Os metabolismos muito ativos tendem a minimizar esses efeitos, uma vez que sua máquina voraz "rapidamente" queima tudo em seu caminho, mas isso não significa que a combinação de fécula-proteína (onipresente na nossa sociedade, desde o arroz, feijão e carne, o bife com batatas, passando pelo hambúrguer simples, e não esquecendo o sanduíche de presunto ou chouriço) não é incompatível em qualquer caso. Há muitas pessoas que sofrem de distúrbios misteriosos cuja origem os médicos são incapazes de ver. Eles simplesmente tomam medicamentos que reduzem os sintomas sem tocar a raiz do problema, mas o que eles não suspeitam é que eles poderiam experimentar uma melhoria significativa se, além de remover o leite de sua dieta, separar carboidratos e proteínas em diferentes alimentos.

2. OS CEREAIS TÊM EFEITO ADITIVO. Os australianos Greg Wadley e Angus Martin (The origins of agriculture: a biological perspective and a new hypothesis) postularam que os grãos de cereais (especialmente trigo, milho e cevada, também em certa medida produtos lácteos) contêm substâncias opióides chamadas exorfinas. Estes produtos químicos agem sobre os receptores opióides do cérebro imitando o efeito farmacológico do ópio, e também produzindo vício em certa medida. Nas palavras de Wadley e Martin:

"Primeiro, as extensões de cereais selvagens foram colhidas e protegidas. Os terrenos foram então limpos e semeados e nutridos para aumentar a quantidade e a confiabilidade do fornecimento. As exorfinas atraíram pessoas para se estabelecerem em torno de extensões de cereais, abandonando seu estilo de vida nômade e permitindo que elas exibissem tolerância em vez de agressão, à medida que a densidade populacional aumentava nessas novas condições".

De acordo com esse novo conceito, os cereais teriam sido o primeiro "ópio das massas", usado com o objetivo consciente ou inconsciente de sedar grandes multidões humanas para domesticá-las e forçá-las a coexistir em paz dentro de grandes comunidades, às quais os circuitos mentais humanos não foram originalmente adaptados.

Os cereais têm um defeito aditivo. É raro alguém "beliscar" produtos com gordura saturada, como patê, manteiga, salsicha, carne ou ovos. Quando se trata de beliscar, alimentos "fáceis", como pipoca, batatas fritas, biscoitos, produtos assados, refrigerantes, doces etc, estão sempre envolvidos. No cardápio rico e diverso desta mulher obesa, amidos e açúcares refinados fornecem a imensa maioria das calorias que vão inchar seu corpo. Em vez disso, as gorduras saturadas brilham pela sua ausência. Se ela removesse esses produtos (exceto as frutas) e os substituísse por carnes, gorduras animais e frutos secos, provavelmente entraria em cetose, deixaria seu círculo vicioso hiperinsulinêmico, melhoraria a sensibilidade de seus receptores de insulina e perderia uma quantidade espetacular de peso. Mas não fará, porque os apóstolos da máfia médica ensinaram que o colesterol é o Satã + Hitler + Franco.

3. O AÇÚCAR SUBSTITUI AS GORDURAS COMO PRINCIPAL FONTES DE ENERGIA. O corpo humano — especialmente no caso das raças nórdicas, particularmente adaptado à queima de gorduras — passa a funcionar de forma metabólica totalmente diferente da de seus ancestrais. Isso é grave, pois o metabolismo está perdendo a capacidade de mobilizar gordura e queimá-la, e que, precisamente, o excesso de açúcares não metabolizados é armazenado como gordura. A consequência é a obesidade, especialmente em condições de vida sedentárias.

4. O ÁCIDO FÍTICO DE GRÃOS DE CEREAIS BLOQUEIA A ABSORÇÃO DE MINERAIS IMPORTANTES. No trato intestinal, o ácido fítico (um dos vários antinutrientes dos cereais) combina com magnésio, cálcio, cobre, ferro e especialmente zinco, bloqueando sua absorção. Isto, além de envolver distúrbios sexuais e atenuar a virilização (o zinco é muito importante para a saúde hormonal do homem), implica que o esqueleto não absorve os nutrientes de que necessita e cresce com pouca densidade e largura. Um esqueleto pobremente mineralizado implica uma face mais estreita. Uma face mais estreita implica uma mandíbula mais estreita, e uma mandíbula mais estreita implica dentes amontoados e desordenados, bem como problemas com os dentes do siso. É por isso que uma dieta rica em grãos de cereais pode levar à deficiência mineral, ossos frágeis e osteoporose, bem como anemia devido à falta de ferro. Se somarmos a falta de vitaminas A e D devido à ausência de alimentos ricos em gorduras animais saturadas, ficamos verdadeiramente frágeis e praticamente deformes, quando não se deformam por completo. Não é surpreendente que, em animais de laboratório, o raquitismo seja rotineiramente induzido alimentando-os com doses elevadas de cereais.

5. OS CARBOIDRATOS TÊM UM IMPACTO FORTE NA INSULINA. Os cereais têm um índice glicêmico muito alto. Depois de fazer uma refeição convencional, o nível de açúcar no sangue aumenta muito devido à quebra das cadeias de carboidratos. Em resposta, o pâncreas libera a insulina, um hormônio responsável pelo metabolismo da glicose (açúcar) e armazená-lo em células musculares e células de gordura. Isso não seria ruim em uma dieta natural em que os carboidratos (principalmente carboidratos simples como a frutose, encontrada no mel e frutas) fossem usados com moderação. Mas hoje, devido ao esforço antinatural de ter que liberar insulina e enzimas a cada duas ou três horas para quebrar grandes quantidades de carboidratos complexos e compensar a deficiência enzimática de outros alimentos desnaturados, o pâncreas do homem moderno está cronicamente inflamado. Na verdade, em relação ao peso total do corpo, o pâncreas do humano "civilizado" é maior do que o de qualquer outra espécie animal. O Dr. Edward Howell ("Enzyme Nutrition") observa que "Em proporção ao peso corporal, o pâncreas humano pesa mais do dobro do que uma vaca" (!). Esta depravada superexploração de um órgão — realizada por um tipo humano evolutivamente inferior, mas cuja soberba miopia é acredita para fazer tudo bem — é responsável pela alta frequência de casos de diabetes, resistência à insulina, pancreatite, câncer de pâncreas, hipoglicemia, hiperinsulinemia, obesidade e outras desordens totalmente desconhecidas em sociedades "primitivas". Outra consequência lógica da alta presença de insulina em nosso sangue em quase todas as horas é que nossos receptores de insulina estão perdendo sensibilidade: estamos reagindo cada vez menos à insulina e, portanto, precisamos de mais carboidratos para manter as mesmas "subidas" insulinogênicas — um quadro muito semelhante ao de um vício em qualquer droga.

Arte por David Dees.

6. OS CEREAIS ENZIMÁTICOS SÃO UM ALIMENTO NUTRITIVAMENTE INFERIOR. Mel, carne, manteiga, frutas, legumes ou frutos secos podem ser considerados alimentos "densos em nutrientes". Cereais, por outro lado, têm praticamente apenas carboidratos. É por isso que todos os cereais matinais são muitas vezes artificialmente enriquecidos "com oito vitaminas + ferro" (mas sem as enzimas necessárias para assimilá-las): precisamente porque são conhecidos por serem deficientes em vitaminas e minerais. Devido à baixa biodisponibilidade dos cereais, o corpo deve rasgar-se dos elementos enzimáticos necessários para a sua digestão, absorção e metabolização, desvitalizando o nosso corpo, desmineralizando o nosso esqueleto e dentes, e pressionando ainda mais o já ferido pâncreas.

O que importa para o sistema não é a sua saúde, mas a saúde de alguns. E a dita economia está apenas preocupada em conseguir dinheiro, criando necessidades artificiais para endossar bens e serviços que você não precisa. Esta enorme montanha de resíduos tóxicos multicoloridos é suspeitamente boa para a indústria alimentar. Um filé de cordeiro será sempre um filete de cordeiro; não pode decorar, não pode moldar, o marketing não prossegue: simplesmente carne. Mas os cereais dão um monte de jogo para aumentar drasticamente as vendas com novas inovações: chocolate, passas, com mel, em forma de anel, ursinho de pelúcia, sopa de letrinhas, macio, fofo, inflado, comprimido, colorido, com todos os tipos de caricaturas ridículas e sentimentais nas caixas para idiotizar nossas crianças... e agora com oito vitaminas + ferro, todos sintéticos, de laboratório e baixa biodisponibilidade. O mercado é permanentemente energizado pelo efeito halo da mais recente publicidade lançada, e o consumidor será sempre atraído para o esquema de cores hipnotizante do último produto da vez.

7. O TRASTORNO DA INSULINA TEM EFEITO NEGATIVO NO SISTEMA IMUNE. A insulina permanece flutuando na corrente sanguínea muito tempo depois que o açúcar foi metabolizado. Seu efeito colateral mais conhecido é produzir um novo episódio de fome de açúcar, uma vez que o excesso de insulina em nosso sangue precisa de algo para fazer, "fica entediado" e exige mais açúcar para queimar (um processo que se assemelha a criação de crédito do nada, muito acima das necessidades da economia produtiva, o que faz com que o dinheiro alavancado "fique entediado" e dedique-se a especular, conceder hipotecas e maus investimentos). Isto por sua vez irá liberar mais insulina em um círculo vicioso que é indesejável e leva diretamente a compulsão alimentar, obesidade e diabetes. No entanto, o efeito secundário mais sutil e mais nocivo do aumento prolongado e frequente da insulina é que elas suprimem a liberação do hormônio do crescimento. O hormônio do crescimento é secretado pela glândula pituitária (um importante plexo nervoso no meio do cérebro, que os antigos hindus chamavam de "sexto chacra"), além de promover a altura, o desenvolvimento muscular, a densidade óssea e a queima de gordura. Importante agente imunológico e rejuvenescedor.

8. ACIDIFICAÇÃO CORPORAL. O corpo precisa encontrar o equilíbrio entre o ácido (que o chineses antigos associavam com o Yang) e o alcalino (o Yin). Como regra, carnes, ovos (especialmente a gema) e produtos de origem animal são acidificantes, bem como cereais. A maioria dos produtos vegetais são alcalinizantes. Antigamente nossos ancestrais compensavam o consumo de carne com produtos vegetais e temperaturas muito baixas. Agora, fornecer ao corpo com quase 80% de nossas calorias a base de cereais, os corpos são fortemente acidificados. O ambiente ácido irrita os órgãos com os quais está em contato, causando inflamações ou mesmo tumores, e os ácidos em excesso são depositados como cristais que "soldam" as articulações sabotando a flexibilidade do corpo e levando a anquilose e artrite a longo prazo. Outra consequência da acidificação é a desmineralização e, portanto, a descalcificação do esqueleto e dos dentes, uma vez que o corpo precisa "jogar" minerais no ácido para neutralizá-lo e restabelecer o equilíbrio ácido-base. Muitas pessoas são atualmente viciadas em café, não tanto por causa da própria cafeína, mas por causa do efeito fortemente alcalinizante que tem sobre seus corpos. A solução para esta situação seria reduzir drasticamente o consumo de cereais, substituir as suas calorias por gorduras animais e aumentar os produtos alcalinizantes naturais (em resumo: paleodieta ou dieta paleolítica). Hoje em dia é raro um corpo ser alcalinizado, embora isto seja frequentemente verdadeiro para muitos vegetarianos. A alcalinização excessiva é tão negativa quanto a acidificação.

DOENÇA CELÍACA: IMPLICAÇÕES ÉTNICAS DA INTOLERÂNCIA DO GLÚTEN

A "doença" celíaca não é uma doença, mas um protesto normal do organismo diante de uma alimentação que não lhe corresponde por natureza. Se alimentássemos com carne uma ovelha e ela sentisse mal, não diríamos que ela tem uma "doença de intolerância à carne", pelo contrário, estaria perfeitamente saudável, uma vez que as ovelhas são totalmente herbívoras e a carne não corresponde para eles. Da mesma forma, se colocarmos gasolina em um carro diesel e dirigimos, não estaríamos falando de um defeito motor, mas de um defeito mental por parte daquele que despejou o combustível errado. O mesmo é verdade para um ser humano que não é geneticamente adaptado ao glúten.

O glúten é uma proteína vegetal que é combinada com amido em vários grãos de cereais, como centeio, cevada, aveia, malte e especialmente trigo. Graças à textura peculiar do glúten (na sua forma pura, o glúten é uma substância fibrosa e pegajosa como a goma de mascar), a massa da farinha é elástica e maleável, e os produtos esponjosos e volumosos são em grande parte compostos de ar, como o pão. Devido à sua origem de cereais, o glúten é encontrado em muitos outros alimentos diários, tais como cereais do desjejum, pastas, pizzas e outras massas, bolos e biscoitos. No entanto, nem sempre é tão simples, uma vez que os cereais contendo glúten também são usados ​​como ingredientes em polmes, molhos e alguns produtos à base de carne, como salsichas e hambúrgueres. Além disso, muitos medicamentos e até mesmo suplementos dietéticos, também o contém. Arroz, batatas e milho não têm glúten, mas amido.

A intolerância ao glúten, também chamada celíaca ou doença celíaca, é a intolerância alimentar genética mais comum em seres humanos. A maioria dos doentes nem sequer sabem disso (estima-se que apenas dois em mil casos são identificados e incorporados em estatísticas), e eles podem gastar suas vidas carregando-a nas costas sem nunca ser diagnosticado. Isso ocorre porque muitas pessoas tomam para normais uma série de desconfortos que não são normais em todos, como ventre inchado, retenção de líquidos, desconforto digestivo, anemia, perda de cabelo, avitaminose, falta de vitalidade, inibição do desenvolvimento esquelético, mal rendimento físico, sexual e intelectual e até mesmo distúrbios psicológicos.

A doença celíaca significa que o corpo identifica o glúten como um corpo estranho. Consequentemente, a mucosa ou "revestimento interior" do intestino delgado deteriora-se, reduzindo assim a nossa capacidade de assimilar os nutrientes. É verdade que as proporções de celíacos, mesmo em lugares com mais casos, não são elevados. No entanto, a população que sofre de doença celíaca é apenas a ponta do iceberg, uma vez que a percentagem de indivíduos que respondem positivamente a uma dieta sem glúten é sempre muito maior. Destes, celíacos são apenas o caso extremo, assim como os pacientes com câncer de pele são apenas o caso extremo de intolerância à luz solar.

A doença celíaca é apenas a ponta do iceberg para todos os casos não diagnosticados de sensibilidade ao glúten ou intolerância.

A doença celíaca tem sido chamada de "doença celta", uma vez que seus níveis mais altos estão em áreas "célticas" como a Irlanda, Escócia, País de Gales ou País Basco (lendo entre as linhas, reconheceremos a herança da raça nórdico-vermelha). Depois, os mais afetados são os escandinavos (raça nórdico-branca). Nos EUA e no Canadá é sabido a tendência dos celíacos de ter indivíduos de ascendência irlandesa e escocesa. Na Irlanda, a proporção de celíacos na população total é de 1%: a maior proporção de toda a Eurásia e Américas. Claro, este 1% é apenas a ponta do iceberg. A porcentagem é certamente muito maior, já que a maioria dos celíacos morre sem saber que são. Além disso, isso implica que uma proporção muito maior da população irlandesa, sem doença celíaca, responderia muito positivamente a uma dieta sem glúten.

Em contraste, na maior parte da Ásia, a intolerância ao glúten é desconhecida. É considerada uma condição extremamente rara ou inexistente na maioria dos africanos (exceto os saarauís), chineses e japoneses. Na Europa, o país com a menor taxa de doença celíaca é a Grécia, e dentro da Grécia, o território menos propenso parece ser a Tessália, onde havia um núcleo neolítico (Sesklo-Dimini) muito importante de origem na Ásia Menor e de onde irradiou a agricultura em todo o Danúbio e no Mediterrâneo (por exemplo, com a cultura da cerâmica cardial). Desta vez, a leitura entre as linhas revela o perfil da raça armênia.

A extensão da agricultura em torno do ano 6500 AEC. Os sítios de Dimini e Sesklo estão sinalizados, que são considerados o germe do posterior Neolítico Balcânico e Mediterrâneo.
O aspecto que deveria ter tido o assentamento de Sesklo no VI Milênio AEC.

A genética também tem algo importante a dizer sobre isso. Os genes DQ2 e DQ8 estão presentes em 90-99% dos pacientes celíacos, e também estão presentes em 35-45% da população dos EUA, sendo particularmente circunscrita àqueles com herança do noroeste da Europa. O DQ2.5 é especialmente elevado no Noroeste da Europa e no País Basco, atingindo frequências de 50% em algumas áreas da Irlanda. O DQ8 é extremamente elevado em ameríndios da América Central, mas essas tribos tradicionalmente têm se alimentado com milho, desprovido de glúten.

Há estudos genéticos que ligam a expansão da agricultura (não a sua origem) com a linhagem paterna R1b. No entanto, considero que esta teoria coloca muitos problemas, uma vez que R1b atinge as suas mais altas frequências nas áreas mais intolerantes ao glúten do mundo, como a Irlanda ou o País Basco. Valg, por sua vez, acredita que os nórdicos-brancos são responsáveis ​​tanto pelo gado quanto pela agricultura. No entanto, os padrões étnicos interessantes na distribuição da doença celíaca e suas predisposições genéticas falam volumes. Claramente, a doença celíaca é mais baixa nas áreas europeias onde a agricultura tem sido enraizada por mais tempo, nomeadamente os Balcãs e o Mediterrâneo Oriental. Estas áreas, como a Mesopotâmia e Egito, eram propícias à agricultura em tempos passados, e seus habitantes tiveram que desenvolver rapidamente mecanismos de adaptação. Por outro lado, o Norte e Oeste da Europa tem sido tradicionalmente uma faixa não muito adequada para cultivar cereais. A agricultura levou muito tempo para chegar e, quando chegou, provavelmente depois de muitos milênios, apenas certos grupos étnicos a praticaram intensamente, enquanto outros permaneceram caçadores-coletores e/ou exerciam a pecuária. Mesmo durante a Era Moderna, numa época em que a "prosperidade" equivalia a "cereais", as zonas córnicas e celtas cantábricas das Ilhas Britânicas eram hostis à agricultura de cereais devido à sua umidade e condições de solo. Os cereais apodreciam facilmente, era difícil armazená-los e só com a introdução da batata que estas áreas poderiam ser efetivamente agrárias.

Atualmente os habitantes do oeste da Europa têm as maiores tolerâncias à lactose, algo que contrasta com a sua intolerância ao glúten. Isso é revelador em que, na Mesopotâmia do Primeiro Neolítico, a agricultura e a pecuária nunca andam de mãos dadas ou aparecem juntas. Claramente, no início havia pecuaristas (Mesopotâmia Superior, Irã), por um lado, e agricultores (Levante, Baixa Mesopotâmia), por outro. A Escócia, a Irlanda e o País de Gales são os núcleos nórdico-vermelhos mais puros da Europa, enquanto na Grécia a influência armênia é muito maior. Todos os dados acima tendem a indicar que os povos agricultores eram originalmente da raça armênia, enquanto os pecuaristas eram da raça nórdico-vermelha. A intolerância à lactose na Europa atinge as suas mais altas frequências no sul da Itália, na Sardenha e na Grécia.

As origens do gado não coincidem com as origens da agricultura. Este mapa representa as datas de domesticação dos primeiros bovinos: cabras e ovelhas (11.000 AP), porcos (10.500 AP) e vacas (10.000 AP). Nenhum desses primeiros pecuários praticavam a agricultura, e nenhum dos primeiros agricultores praticava a pecuária. A distribuição geográfica sugere uma origem iraniana do gado ou, menos provável, do caucasiano.

No artigo da Revolução Carnívora, vimos que os traços típicos da caça e da humanidade carnívora são especialmente fortes entre os nórdicos-vermelhos. Se acrescentarmos isto ao exposto, é difícil pensar que tal raça adotaria a dieta do cereal tão fácil; as suspeitas podem estar mais com a população autóctone do Oriente Médio, ou seja, com a raça armênia. Os cereais são provavelmente prejudiciais a todas as raças humanas, mas especialmente às raças que têm uma dieta mais carnívora, mal adaptada à metabolização dos açúcares e bem adaptada à queima de grandes quantidades de gordura para manter a temperatura corporal num ambiente frio. Assim, embora toda a espécie tenham se prejudicado com os grãos, as raças mais afetadas foram as nórdicos.

Os ecos da luta entre os pecuários e agricultores no Oriente Próximo ressoam claramente no episódio dos irmãos Caim e Abel (Gênesis 4), os filhos de Adão e Eva. Caim era um agricultor e ofereceu a Deus um sacrifício de frutos, enquanto Abel era pastoreiro e ofereceu um sacrifício dos melhores cordeiros de seu rebanho. O fogo de Deus consumiu apenas a oferta carnívora de Abel, e desprezou os frutos de Caim. Este, com ciúmes, matou seu irmão.

SEJA AMÁVEL COM OS CEREAIS E OS CEREAIS SERÃO AMÁVEIS COM VOCÊ

Existem inúmeras razões pelas quais uma pessoa pode se recusar a renunciar os cereais. Você pode ser um vegetariano e os cereais são a única opção viável para obter o grosso de suas calorias. Você pode pensar que cereal não te faz mal inteiramente. Talvez o preço barato da maioria dos produtos cereais pode vir a calhar. Você pode ter uma dieta esportiva rígida que inclui muitos cereais. Muitos sentem que precisam de energia que eles trazem, e não estão dispostos a substituí-los por gorduras animais de noite até amanhã. Ou ele pode simplesmente gostar deles e obstinadamente agarram-se a eles. Por outro lado, não se deve esquecer que seria impossível sustentar a população atual sem cereais. Então, se vamos usar cereais, vamos pelo menos tentar ser tão saudável quanto possível.

O que se segue são algumas indicações sobre como preparar grãos de cereais (eles também servem para alguns frutos secos e legumes) para minimizar suas substâncias mais indesejáveis. As pessoas que percebem que os cereais lhes fazem mal notarão uma melhora.

Os grãos não deixam de ser sementes, e uma semente precisa de alguma acidez, umidade, escuridão, algum calor e tempo para germinar. Para evitar germinação até que o ambiente ideal seja encontrado, as sementes têm antinutrientes (tais como ácido fítico, taninas irritantes que reduzem a biodisponibilidade de ferro e cobre, açúcares demasiado complexos para decompor, gliadina etc.) e inibidores enzimáticos sensíveis à acidez e a umidade. Até que esses antinutrientes sejam "desativados" e as sementes germinem liberando suas enzimas, o grão cru será um nutriente pobre e até tóxico para a maioria dos seres vivos. Cozinhá-lo apenas parcialmente resolve o problema. Antes de termos visto que o ácido fítico bloqueia a absorção de numerosos minerais no trato intestinal, os inibidores enzimáticos exigem que o pâncreas libere enzimas adicionais, deixando-o exausto. Estes antinutrientes realmente fazem parte do sistema de autopreservação da semente.

Para preparar as sementes, devemos imitar o processo que ocorre espontaneamente na Natureza. Fornecemos um ambiente quente, um pouco ácido, escuro e úmido para "enganar" a semente e forçá-la a germinar. O ambiente que criamos conterá enzimas (como a fitase) e bactérias benéficas (como lactobacilos), que atuarão para neutralizar os antinutrientes, aumentar o conteúdo de vitaminas (especialmente o grupo B) e quebrar substâncias complexas (taninos, glúten, açúcares complexos e outros) em formas mais simples e mais biodisponíveis. Tecnicamente, estaremos realizando uma predigestão do produto, assim como muitos animais granívoros que têm vários estômagos para o efeito.

Amêndoas de molho. Muitos leitores provavelmente lembram de recipientes com alimento ao molho na casa de seus avós. Trata-se daquela sabedoria ancestral que funcionou bem e que, devido à industrialização forçada pelo desenraizamento, esquecemos.

O processo é simples. Colocamos as sementes (por exemplo, arroz integral, amêndoas cruas, lentilhas ou flocos de aveia) em uma tigela e adicionamos o dobro do volume de água morna. Em seguida, adicione um catalisador de acidez e fermentação, como vinagre de maçã, manteiga ou suco de limão, para obter o ambiente ácido necessário. Cubra e armazene o recipiente para manter as sementes no escuro, e deixe durante a noite. Na manhã seguinte nós esvaziado a água, limpamos com água adicional e então drenamos (é opcional colocar de molho mais oito horas para assegurar-se). Notaremos mudanças substanciais, por exemplo, as amêndoas cruas terão adquirido um tom brilhante e luminoso, terão ficado crocantes e macias, e muitas delas serão divididas pela metade. O arroz, depois de drenado, estará pronto para ser cozido, e seu perfil nutricional e digestibilidade terão melhorado muito.

Este processo era seguido em praticamente todas as sociedades tradicionais que usavam grãos para se alimentar. Na Inglaterra, flocos de aveia eram "colocado de molho" por uma noite antes de preparar o porridge no dia seguinte. Em outros lugares, a massa da farinha era levada e deixada por um longo tempo para garantir a fermentação. A maioria desses sistemas benéficos de preparação deixou de ser praticada quando o surgimento da civilização comercial e a "confusão da vida moderna" privaram-nos de significado prático como quase uma superstição.

Aveias colocados de molho. Este processo irá preparar as sementes para consumo humano, neutralizando grande parte dos antinutrientes, aumentando seu valor nutritivo e biodisponibilidade, e predigerindo o alimento.

Qualquer pessoa que gosta de comer fatias de pão e não está disposto a desistir deste hábito ficará feliz em saber que assar a fatia de pão intensamente (sem queimar) ajuda a quebrar os amidos, transformando-os em açúcares simples de maior biodisponibilidade. É preferível que o pão seja integral.

E OS LEGUMES?

Os legumes (os frutos das leguminosas) são outro dos presentes orientais gentilmente trazidos pela Revolução Neolítica para transtornar nossos sistemas digestivos e enriquecer a nossa aborrecida e monolítica saúde europeia com uma rica e bela diversidade de emocionantes doenças degenerativas. Legumes não faziam parte do menu caçador-coletor e, portanto, como seres humanos, não temos experiência evolutiva com este produto. Provavelmente o primeiro uso de leguminosas não foi como alimento, mas como um método de enriquecimento do solo, já que as leguminosas tendem a fixar o nitrogênio atmosférico na terra. Isto veio particularmente bem nas áreas onde os cereais tinham sido crescidos além da conta, deixando o solo esgotado e despojado de minerais. O uso de leguminosas como alimento deve ter começado quando os agricultores começaram a perceber que os cereais estavam desorganizando seus corpos. Esses agricultores decrépitos precisavam de aminoácidos com urgência, mas não queriam caçar, ou não havia mais nada para caçar ou coletar por causa do desmatamento, então eles recorreram a leguminosas, que têm as maiores proporções de proteínas e os mais completos aminogramas do mundo vegetal. Assim, pelo ano 6.000 AEC, já encontramos no sítio israelita de Jericó lentilhas trazidas da Transjordânia. O papel das leguminosas é evidente no livro Gênesis (25:34), quando Jacob oferece seu irmão Esaú para comprar o direito de primogenitura "por um prato de lentilhas". Esaú havia caçado durante horas sem sucesso, estava exausto e aceitou.

Aconselhado por sua mãe Rebeca, Jacó (o agricultor) engana seu irmão mais velho Esaú (o caçador) para manter os direitos de sua primogenitura e herdar todas as riquezas... em troca de um prato de lentilhas. Ele mais tarde enganaria seu pai Isaque para receber sua bênção.

As leguminosas incluem alimentos como feijão, grão de bico, soja (olho com soja, merece uma boa seção separada em algum artigo futuro), ervilhas, fava e amendoim. Eles não são comestíveis no estado cru devido à sua alta toxicidade, exceto para alfafa ou soja germinada. E é que as leguminosas também deixam de ser sementes e contêm vários antinutrientes:

• As lectinas alteram os microvilos do duodeno e do jejuno, interferindo na absorção de nutrientes. Além disso, as lectinas estão associadas a certos tipos de bactérias que, a partir do intestino delgado, são arrastadas para a corrente sanguínea, favorecendo infecções. Considera-se também que favorece a esclerose múltipla, uma vez que algumas bactérias têm semelhanças com a mielina (a substância de que são feitos os revestimentos de nossos nervos), pelo que o sistema imunológico desenvolve células para atacar qualquer coisa que se assemelha as bactérias em questão, que inclui a mielina. O tomate é outro produto que tem lectinas. Uma das lectinas de soja produz coágulos de glóbulos vermelhos.

• Os taninos tendem a bloquear a absorção de ferro (sempre foi dito que as lentilhas têm muito ferro, e é verdade, mas sua biodisponibilidade é muito baixa). Além disso, podem causar irritações no estômago, intestino, rins e fígado.

• Os glicosídeos cianogênicos, através da hidrólise enzimática, dão origem ao íon cianeto, que é extremamente tóxico.

• As saponinas causam a inibição de várias enzimas digestivas e metabólicas.

• Os inibidores de tripsina neutralizam esta enzima, que é essencial para quebrar as proteínas em aminoácidos e péptidos.

• Vários componentes alergênicos. Todos estes elementos desagradáveis ​​causam desordens como o latirismo (paralisia grave causada pelo acúmulo de neurotoxinas no sistema nervoso e comum em áreas pobres da Índia), favismo (um tipo de anemia, muito comum na bacia do Mediterrâneo) e intoxicação por aflatoxinas (a partir um molde frequente envolto do mineral granada e amendoins finos).

Outro bem conhecido e famoso problema das leguminosas são os gases. Todo mundo sabe o que acontece depois de comer muito feijão. Isso ocorre porque as leguminosas têm oligossacarídeos (especialmente rafinose) que, devido à sua baixa biodisponibilidade e digestão difícil, tendem a se acumular no intestino. Lá eles são atacados por bactérias da flora intestinal, em um processo que produz enormes quantidades de metano como resíduos, e é por isso que muitas pessoas têm problemas de flatulência .

A ebulição só parcialmente neutraliza esses antinutrientes problemáticos, por isso é necessário prepará-los como grãos de cereais. Uma opção pode ser deixar de molho entre 8 a 12 horas com bicarbonato de sódio, então escorra e lave bem, e cozinhe em uma panela de pressão. E, honestamente, para evitar todas essas inconveniências, compensa mais cozinhar um bom fígado de cordeiro.

OS DANOS DO AÇÚCAR

Os carboidratos complexos são realmente longas cadeias de açúcares. As celuloses vegetais que digerem os animais herbívoros são cadeias de açúcares ainda mais longas e difíceis de digerir. Goste ou não, os carboidratos aumentam o açúcar no sangue ainda mais. Também as frutas e mel têm açúcares, mas estes são mais simples e de cadeias mais curtas. Além disso, eles têm enzimas naturais, por isso são mais facilmente absorvidos. No entanto, o que nos ocupa nesta seção será a forma moderna de "açúcar": o açúcar refinado ou sacarose.

O açúcar é obtido refinando a cana-de-açúcar ou a beterraba, isto é, retirando-as de suas vitaminas, minerais, aminoácidos, enzimas, fibras e água. Estes elementos são sinérgicos e necessários para o corpo absorver adequadamente os alimentos; quando os tiramos, permanece um produto químico que não é encontrado na Natureza e com uma estranha estrutura molecular para o nosso organismo, que o reconhece corretamente como uma substância tóxica, lutando contra ela. O açúcar mascavo é simplesmente o açúcar branco que foi adicionado alguns melaço para dar-lhe a cor e o gosto, e não tem nada natural tampouco.

Uma vez que o açúcar é completamente desprovido de nutrientes adequados, o sistema digestivo e metabólico deve "emprestar" dos tecidos do corpo as vitaminas, minerais, enzimas e outros elementos sinérgicos necessários para a metabolização do açúcar. O consumo frequente de açúcar resulta na desvitalização progressiva do corpo e perda de nutrientes. Ele tende a eliminar particularmente vitaminas B, algo especialmente sangrante no caso dos vegetarianos. Não é contato com açúcar que causa cavidades, mas o processo metabólico subsequente, que leva minerais do corpo, incluindo cálcio. Vendo os efeitos devastadores que o açúcar refinado teve sobre as partes mais duras do corpo humano (esqueleto e dentes), deveríamos ficar ouriçados de apenas imaginar os efeitos que pode ter sobre as partes mais brandas (órgãos, músculos, sangue, substância reprodutiva).

Arte por David Dees. Atualmente a maioria da população não é normal biologicamente falando. O consumo de açúcares e adoçantes artificiais é imenso, mas as indústrias alimentares e farmacológicas, lideradas por dictócratas dietéticos dos meios de comunicação, continuam a culpar tudo sobre as gorduras animais saturadas.

Mas não mais.

A perda de elementos nutritivos causada pelo açúcar provoca desejos intensos de comer ainda mais para repor todas as substâncias "roubadas". É a principal causa da "compulsão", que só piora quadro já negativa.

Muitas pessoas consomem mais açúcar do que seus corpos queimam por energia. Excesso de açúcar é convertido pelo fígado em triglicérides que são armazenados como gordura e são um fator importante na doença cardíaca.

Em 1900, o consumo de açúcar do estadunidense médio era inferior a 2 kg por ano. Atualmente é de cerca de 60 kg por ano (!), um consumo que pode ser denominado como abuso de substâncias. Geralmente poucas pessoas estão conscientes da quantidade de açúcar que consomem, porque a maioria está camuflada em outros alimentos: uma lata de refrigerante geralmente contém não menos de nove colheres de chá de açúcar branco refinado industrial.

Se você está pensando em desistir do açúcar, deve saber que você vai encontrar os sintomas típicos de uma verdadeira síndrome de abstinência: cansaço, depressão, dores de cabeça, dores no membro e desejos exorbitantes de ingerir alimentos proibidos. Estes sintomas vão durar até que o corpo tenha "resetado", ajustando o metabolismo para a nova situação.

Sem dúvida, o açúcar refinado é uma substância diabólica que nunca antes foi inventada, que está destruindo a biologia humana e deve ser banida sem cerimônia. O problema é que, se isso fosse feito, setores inteiros de supermercados iriam desaparecer; muitas empresas poderosas iriam quebrar e até mesmo seriam levadas ao tribunal. E nenhum advogado seria capaz de convencer ninguém de que essas empresas não estavam conscientemente envenenando a humanidade por décadas.

SOBRE O SAL

Quando um mapa dos primeiros assentamentos do Neolítico é sobreposto a um mapa com importantes depósitos de sal, conclui-se que o sal teve um papel muito importante no início do Neolítico e posteriormente. Os primeiros sítios neolíticos são encontrados no Levante, na Anatólia e nos Zagros, áreas ricas em sal. Por exemplo, temos o caso do Mar Morto em Israel (conhecido por suas fabulosas concentrações de sal), próximo ao qual foi estabelecida a primeira cidade da história, Jericó. Temos também o caso de Çatal Hüyük na Turquia. Este último local está localizado na planície de Konya, a algumas dezenas de quilômetros do lago salgado de Tuz Gölö. Haçilar, outra das primeiras cidades, não está longe de Hadji Bektas, a terceira fonte de sal de terra do muito posterior Império Otomano. Durante o período Neolítico, o lago era maior, suas águas chegavam na cidade, e no verão eles evaporaram deixando uma enorme crosta de sal pronta para ser coletada. Posteriormente, durante a extensão do Neolítico aos Bálcãs (cerca de 8.000 anos atrás), vemos o mesmo padrão. Por exemplo, existem mais de 20 locais na Sérvia, Romênia, Bulgária e Macedônia chamado "Slatina", um toponímico derivado do sal, e a maioria desses sítios estão relacionados com assentamentos neolíticos. Hallstatt (Alta Áustria, que abriga as minas de sal mais antigas do mundo), um importante centro da posterior Idade dos Metais, considerado talvez o germe do mundo celta, e o núcleo nórdico-vermelho, também era conhecido por suas minas de sal, assim como a atual Salzburg.

Provavelmente, mais uma vez, é que, inicialmente, o sal não era para consumo humano, mas para preservar a carne, alimentar o gado (especialmente o bovino) e talvez derreter a neve e gelo. Os hallstattianos (Hallstatt), por exemplo, dependiam fortemente da pecuária bovina e de uma dieta rica em lácteos, e para isso precisavam de sal abundante.

Antigamente havia duas fontes de sal: sal marinho (mares e lagos) e sal mineral (mineração). Sendo uma mercadoria bastante escassa e difícil de obter, considera-se que o sal tinha um valor enorme e que chegou até a ser usado como moeda (diz-se que de lá deriva o termo "salário"). O sal também era usado para destruir o inimigo: os assírios costumavam salgar os campos inimigos para que nada crescesse lá novamente, e os romanos fizeram o mesmo quando destruíram Cartago. As minas de sal da Polônia eram uma parte importante da força da poderosa República das Duas Nações, e tanto os venezianos como os genoveses lutaram pelo controle do comércio do sal no Mediterrâneo.

Nutricionalmente, o sal é muito necessário no metabolismo humano e até mesmo no sistema bioelétrico, pois fornece íons (sódio, cálcio, magnésio, potássio etc.). O problema não é o sódio ou o próprio sal, mas o sal de mesa atual, extraído pela mineração da terra, refinado, desprovido de minerais e elementos nutritivos e camuflado em inúmeros produtos embalados e processados, como aperitivos e outros (duas fatias de pão integral contém 1,5 g de sal refinado).

Este produto é o que dá a má reputação ao sal, já que durante a refinação, os fabricantes eliminam quase todos os minerais e oligoelementos, deixando apenas um cristal branco que consiste em cloreto de sódio em 98%. Entre os elementos removidos está o magnésio, um mineral que também está praticamente ausente nos alimentos atuais devido aos métodos de cultivo e processamento, e que é muito importante para o equilíbrio ácido-base, para a metabolização de gorduras e açúcares e para prevenir complicações cardíacas. Alguns estudos confirmam que mais de 75% dos estadunidenses sofrem de deficiência de magnésio.

Para obter magnésio, a melhor opção é completar os sais marinhos não refinados, especialmente as variedades cinzas e brutas, como as coletadas na costa da Bretanha. Entre 1 e 3 g destes sais por dia seria mais do que suficiente para assegurar o magnésio diário. Atualmente, o estadunidense médio consome entre 12 e 15 g de sal de mesa refinado por dia; isso é cerca de 5 kg de sal por ano. Sal refinado provoca hipertensão, prejudica a função renal e retém líquidos causando celulite e obesidade entre outras coisas. Também foi demonstrado que quanto maior a ingestão de sal, maior a quantidade de cálcio na urina, fazendo com que o sal desmineralize o esqueleto. Cloreto de sódio também cristaliza na forma de ácido úrico, que se acumula nos ossos e articulações causando dor e rigidez. Também contribui para cálculos renais.

PREJUÍZOS DA ALIMENTAÇÃO CEREALISTA
(Tirado de Daniel Reid, "The tao of health, sex, and longevity")

O início da agricultura marcou o último passo na degeneração dietética do ser humano. Quando os cereais se tornaram a base de seu alimento, um novo elemento foi introduzido no sistema digestivo humano, um elemento que a natureza não tinha a intenção de servir como alimento para o homem: os amidos. O fato de os cereais serem o único componente da dieta humana que não pode ser comido ou digerido em estado cru é prova suficiente de que não se destinavam ao consumo humano. Os cereais se tornaram o primeiro "alimento preparado" no mundo.

Todas as evidências tendem a indicar que o homem pré-civilizado se absteve de comer cereais. Aparentemente, os seres humanos começaram a colher e depois a cultivar cereais não para comê-los, mas para alimentar seus animais de estimação e preparar cerveja. O homem só recorreu aos cereais para seu sustento quando o aumento da população fez que as plantas selvagens e os animais fossem insuficientes para alimentar a espécie.

Os cereais têm sido a base da dieta humana por apenas 6.000 ou 7.000 anos, e é por isso que os sábios taoistas da China antiga considerava-os como uma adição relativamente recente à dieta humana, com efeitos prejudiciais sobre a saúde e a longevidade. Na antiga literatura taoista sobre saúde e longevidade, a expressão bi gu ("evitar cereais") aparece uma e outra vez. Isso coincide plenamente com as descobertas de estudiosos contemporâneos da nutrição, como Arnold Ehret, Dr. Herbert Sheldon, Marsh Morrison, Dr. Norman Walker e VE Irons (...) O fato de que nos últimos milênios a dieta tradicional chinesa se baseia em cereais por 80 ou 90 % reflete apenas as demandas de superpopulação. Os taoistas que "evitam cereais" desfrutam de vidas mais longas e saudáveis ​​do que a população em geral, mas pelo menos a dieta tradicional chinesa combina cereais muito mais harmoniosamente do que as dietas ocidentais modernas.

Ainda hoje — no auge dos alimentos processados industriais —, tal é o papel desempenhado por um campo de trigo maduro como símbolo de prosperidade e felicidade no imaginário coletivo de nossa civilização, que somos incapazes de ver outras implicações da praga "civilizada" cerealista: degeneração dietética, degradação da paisagem, destruição de nossa própria biologia, empobrecimento do solo e, portanto, o avanço de uma desertificação que ameaça transformar o mundo inteiro num gigantesco Oriente Próximo.

SEIS MILÊNIOS DEPOIS ― REFLEXÕES SOBRE OS CEREAIS

Os cereais foram ideais como uma "solução de emergência" fácil e barata para sair do caminho durante períodos de escassez e escassez, mas eles não deveriam ter sido estabelecidos como um hábito permanente. Eles provocaram uma multiplicação descontrolada do ser humano, puseram em marcha o círculo vicioso da civilização e do qual não havia mais vontade de voltar. Os cereais alimentavam uma inércia da qual era impossível sair: a serpente que morde a própria cauda.

Os cereais atenuaram o dimorfismo sexual (ver aqui) e afeminaram sociedades inteiras, como é evidente na maioria das culturas pré-indo-europeias anteriores às invasões. Com o passar do tempo, as qualidades de luta, ferocidade e instinto territorial só existiriam no bastião das männerbunden, os vários grupos de caráter militar e paramilitar que, ao longo da história, se dedicavam à guerra, ao esporte e à caça.

Devemos desenvolver a capacidade de metabolizar os cereais de forma eficaz? Devemos nos tornar granívoros, como porcos ou galinhas? A experiência tem mostrado que, simplesmente, aqueles que os consomem degeneram. Eles não experimentam um desenvolvimento cerebral como aconteceu com os primeiros comedores de carne, muito pelo contrário. Pode ser que se persistimos em consumir amidos, podemos nos adaptar depois de milhares de gerações, mas talvez até então o ser humano tenha degenerado terrivelmente, tornando-se um herbívoro plácido sem substância. Há muito tempo, a revolução carnívora nos distanciou dos macacos frugívoros e nos fez evoluir para alturas biológicas, provavelmente nunca alcançadas antes por algum ser vivo. A revolução dos cereais foi a inversão dessa revolução, sua antítese, e sua tendência, prolongada até o infinito, é tornar-se uma espécie herbívora. Na medida do possível, os cereais e as leguminosas devem ser dispensados, dedicando-se progressivamente ao cultivo de outros produtos, e se isso implica responsabilidade pela proliferação humana, é correto fazê-lo.



NOTAS

[1] Mais informações sobre alguns danos causados por cereais e leguminosas nos seguintes estudos:

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[X] Estudo mostrando que a dieta agricultora era inferior à caçadora-coletora: