domingo, 31 de outubro de 2010

Vida Reta

por SS-Standartenführer León Degrelle

Os que titubeiam ante o esforço é porque têm adormecida a alma. O grande ideal dá sempre forças para domar o corpo, para suportar o cansaço, a fome, o frio.

Quê importam as noites em vigília, o trabalho abrumador, ou a dor, ou a pobreza? O essencial é conservar no fundo do coração a grande força que alenta e que impulsiona, que aplaca os nervos desatados, que faz bater de novo o sangue cansado, que faz arder nos olhos, adormecidos pelo sono, um fogo ardente e devorador.

Então, nada mais é áspero. A dor se transformou em alegria porque, graças a ela, nos damos mais por inteiro, e o nosso sacrifício se purifica.

A facilidade adormece o ideal. Dá-lhe alento, ao invés, o estímulo da vida dura que nos faz advinhar o profundo do dever cumprido, as responsabilidades que há que afrontar, e a grande missão digna de nós.

O resto não conta.

A saúde nada importa.

Não estamos nesse mundo para comer em horas fixas, para dormir com regularidade, para viver cem ou mais anos.

Tudo isso é vão e néscio.

Só uma coisa conta: ter uma vida útil; perfilar a alma; estar atento a ela, instante por instante; vigiar suas debilidades e exaltar seus impulsos; servir aos outros; derramar a nosso redor a felicidade e a ternura; oferecer o braço ao próximo, para elevar-nos todos, ajudando-nos uns aos outros.

Uma vez cumpridos nossos deveres, que importa morrer aos trinta anos ou aos cem? O que importa é sentir o coração em chamas, quando a fera humana grita extenuada!

Que se levante e que siga, apesar de tudo!

Aí estás para isso, para esgotar-se, até o fim.

Somente a alma conta, e ela tem que dominar todo o resto.

Breve ou longa, a vida só vale algo se no instante de entregá-la não temos que nos envergonhar dela.

Quando a doçura da vida nos convida à felicidade de amar, a beleza de um rosto ou um céu claro, dá um sinal que, de longe, nos chama, quando estamos dispostos a ceder a certos lábios ou à luz e às cores e ao descanso das longas horas, então é quando estreitaremos dentro do coração todos os sonhos coroados de ouro dos instantes de suprema evasão.

A verdadeira evasão é renunciar às prendas amadas, e renunciá-las no instante mesmo em que seu perfume nos fazia desfalecer.

Nessa hora em que há que rechaçar e afundar o mais íntimo de nosso ser e erguer o amor por cima do coreação, e, portanto, quando tudo é cruel dor, então é quando também começa a ser completo e puro o sacrifício.

Ultrapassamos nossos próprios limites; por fim podemos dar algo. Antes, todavia, buscávamos a nós mesmos e a esses vestígios de orgulho e de glória que corrompem tantos frutos generosos da alma.

Não damos nada simplesmente por dar, sem calcular antes, pois tudo está em um dos pratos da balança, ainda mais quando, previamente, matamos o amor em nós mesmos. Isso não é fácil, não, porque a fera humana é reticente em compreender o que a amargura quer nos ensinar.

Que doce é sonhar com o ideal e construí-lo no pensamento! Porém é, em realidade, muito pouca coisa.

O ideal há de ser construído dentro mesmo de nosso viver.

Arrancando pedra a pedra, para construí-lo para nossas comodidades, para nossas alegrias, para nosso descanso, para nosso próprio coração.

Quando, apesar de tudo, o edifício ao cabo dos anos já se ergue, e quando, apesar disso, não se detém na labuta, mas sim que se avança e se avança, ainda que a pedra já não se deixe pulir, então somente é quando o ideal começa a voar.

O ideal viverá na medida em que nós nos entreguemos a ele até morrer.

Que drama, em verdade, o da vida reta!


Tradução por Raphael Machado

Relógio

"O sistema Ocidental, endorsado dentro da esfera americano-japonesa, está procedendo à domesticação dos povos em uma escala massiva. Sociedades tornam-se 'máquinas biológicas' divididas em setores, como um relógio. Sua função: satisfazer necessidades homogêneas de consumo e segurança que são artificialmente estimuladas. A vida comunitária dos povos e suas projeções de auto-destino estão desaparecendo. Para a Europa, este é o fim de uma era histórica, o enterro da Política por baixo de programas de sobrevivência e euforia restrita. O totalitarismo suave da organização, dos manipuladores, dos reguladores, dos poderes descentralizados e do incentivo, fazem-nos sentir falta da época dos criadores e tomadores de decisão. O Sistema pretende inaugurar o materialismo total, submergindo a alma dos homens e dos povos sob a obsessão do egoísmo pragmático. Sem mais tradições, sem mais modernidade: a era dos poetas, conquistadores e estrategistas está aparentemente morta."
(Guillaume Faye, Trecho de "Le système à tuer les peuples")

sábado, 30 de outubro de 2010

Marian van Court - Defesa da Eugenia

Por Marian van Court

A décima primeira edição da “Encyclopedia Britannica” define Eugenia como “ o melhoramento orgânico da Raça através da boa aplicação das leis da hereditariedade.” A maior parte das pessoas tem um branco quando ouvem essa palavra, ou ela conjura imagens de suásticas e Nazistas em marcha. Mas a Eugenia tem tido uma longa história, que se alcança a Roma Antiga e mesmo antes.

A Eugenia está preocupada com a direção atual da evolução humana. Milhares de artigos tem sido publicados em revistas acadêmicas, toneladas de poeira tem sido erguida por escovinhas em busca de caveiras, vastas quantias de dinheiro dadas a pesquisadores, e muitas carreiras gastas tentando descobrir como evoluímos cérebros maiores e inteligência superior até chegarmos ao Homo Sapiens, e essa é uma iniciativa fascinante e digna. Mas o que é urgente, o que é indiscutivelmente a questão mais importante encarando nossa espécie, é em que direção os seres humanos estão evoluindo exatamente agora. Estaríamos evoluindo em uma direção favorável, ou em uma direção desfavorável?

É verdade que a seleção natural virtualmente cessou de operar em muitas partes do mundo hoje, mas a evolução continua porque a reprodução humana está muito longe de ser aleatória. Assim como a história marcha adiante indefinidamente na direção do futuro, tanto na paz como na guerra, assim, também, o faz a evolução. Padrões reprodutivos de cada geração molda o caráter inato de gerações sucessivas, quer para melhor, ou para pior.

A maioria de nós quer dar a nossos filhos tanto quanto nossos pais nos deram, preferencialmente mais. Nós queremos que eles tenham a melhor educação possível, e cada vantagem que possamos lhes garantir. Nós também esperamos que eles tenham um mundo melhor do que aquele em que nascemos. Porém, o legado mais importante que podemos transmitir a nossos filhos é sua própria integridade biológica: boa saúde, inteligência elevada, e caráter nobre. Esses traços já são um bom caminho andado na direção de garantir sua felicidade pessoal e bem-estar. Tomados coletivamente, esses traços constituem a habilidade de uma população manter e expandir sua civilização – o mais precioso dos dons humanos – pois sem civilização, o caos impera, “ a força cria o direito”, e o sofrimento abunda.

O foco desse trabalho será sobre a inteligência. Aqui está o argumento, em um resumo:

A inteligência humana é majoritariamente hereditária. 

Civilização depende completamente de inteligência inata. Sem inteligência inata, civilização jamais teria sido desenvolvida. Quando a inteligência degenera, o mesmo ocorre com a civilização. 

Quanto mais elevado o nível de civilização, melhor estará a população. Civilização não é uma proposição “ou isso ou aquilo”. Ao invés, é uma questão de graus, e cada grau, para cima ou para baixo, afeta o bem-estar de cada cidadão. 

No momento presente, nós estamos evoluindo em direção a nos tornarmos menos inteligentes a cada nova geração. Por que isso está acontecendo? Simples: as pessoas menos inteligentes estão tendo o maior número de filhos. 

A não ser que paremos ou revertamos essa tendência, nossa civilização inevitavelmente declinará. Qualquer declínio na civilização produz uma elevação correspondente no ‘quociente de miséria’ coletivo. 
Lógica e evidência científica estão por trás de cada afirmação listada acima.

A inteligência humana é majoritariamente hereditária. 

Cientistas já descobriram que gêmeos idênticos separados no nascimento e criados separadamente são quase idênticos em QI, apesar de possuírem ambientes completamente diferentes. Notavelmente, gêmeos criados em separado são tão similares quanto gêmeos idênticos criados juntos à época que se tornam adultos. Eles também se parecem mutuamente em maneirismos, o jeito de rir, seus gostos e desgostos, fobias, temperamento, preferência sexual, realização acadêmica, renda, conscienciosidade, habilidade musical, senso de humor, se eles serão criminosos ou cumpridores da lei, e praticamente todas as outras coisas que já foram testadas, até mesmo traços peculiares como que vegetais eles se recusam a comer (Bouchard, 1993). A extensão de sua similaridade assombra até mesmo os pesquisadores e os próprios gêmeos.

A primazia dos genes é do mesmo jeito demonstrada por estudos de adoção. O QI de crianças adotadas se assemelham mais proximamente dos de seus pais biológicos do que se assemelham aos de seus pais adotivos, que essencialmente lhes proveram com seu ambiente desde o tempo do nascimento em diante. Quando crianças adotadas terminaram de crescer, praticamente não há similaridade alguma entre seu QI e o de seus pais adotivos. (Loehlin, Willerman, and Horn, 1987 ).

O papel dominante da hereditariedade na determinação do QI não é uma teoria, é um fato estabelecido, o consenso de centenas de estudos conduzidos em épocas diferentes por muitos pesquisadores diferentes. Mas o público é majoritariamente inconsciente desse fato por a mídia liberal os disse repetidamente que a maioria dos especialistas em teste de QI crê que o QI é majoritariamente ambiental. Na realidade, a maioria dos pesquisadores no campo da inteligência crê que a hereditariedade é o fator mais importante. (Snydermann and Rothmann, 1988).

A civilização depende completamente de inteligência inata. 

Essa afirmação é suficientemente auto-evidente. Leões, cães selvagens, abelhas, formigas, chimpanzés, e muitos outros animais vivem em grupos sociais. Eles podem cooperar em várias maneiras, porém eles não possuem nada que possa ser chamado civilização. Por que não? Porque eles não são, nem de perto, suficientemente inteligentes!

Obviamente, se civilização dependesse inteiramente da exposição a um meio ‘enriquecido’, nós todos estaríamos ainda explorando cavernas. Se os seres humanos primeiro existiam em condições primitivas, e o meio contou para tudo e genética para nada ( como alguns afirmam ), como pode qualquer progresso ter ocorrido? É óbvio que há um veio inato de gênio que impulsiona a criação de tecnologia e civilização. 

Uma maneira de olhar para o relacionamento entre inteligência e civilização é investigar civilizações antigas, estudando por que elas surgiram, e por que caíram. Mas um método bem mais direto seria simplesmente olharmos ao nosso redor, e analisar os vários países do mundo. Hoje, em 2004, há gradações incontáveis de civilização ao redor de todo o globo. O Japão possui um QI médio de 104, comparado com a média americana de 100. O Japão é uma potência econômica, apesar de ser um país minúsculo virtualmente sem qualquer recurso natural. Também é um lugar pacífico e previsível no qual viver. Em Tóquio, uma sacola de dinheiro abandonada em um banco de praça pode ficar por ali durante muito tempo até que alguém eventualmente simplesmente o entrega às autoridades.

O Japão possui um QI médio superior ao da América, o México possui um inferior, e as nações Africanas negras possuem o mais baixo. A mesma hierarquia de nações replica a si mesma dentro da América, tanto na pontuação de QI e no status socioeconômico ( SSE ). Por exemplo, americanos de origem japonesa pontuam mais alto nos testes de QI, e são mais bem sucedidos, do que americanos médios. Negros na América pontuam mais baixo e são menos bem sucedidos. O fato de que pessoas de origem japonesa – tanto no Japão e nos EUA – pontuam acima da média facilmente descarta a objeção comum de que testes de QI são ‘ culturalmente discriminatórios’ em favor dos Caucasianos. 

Interessantemente, SSE entre indivíduos dentro de uma mesma família é influenciado por inteligência inata. Um estudo americano descobriu que em famílias com 2 ou mais irmãos, garotos com QIs maiores que seus pais tendiam a subir na escada socioeconômica quando viravam adultos, enquanto aqueles com QIs menores tendiam a descer ( Jencks, 1982). Irmãos possuem meios quase idênticos – mesmos pais, mesma casa, mesma comida, mesma escola, mesma vizinhança. Por que eles várias vezes diferem? Porque eles recebem ‘rolagens’ diferentes do ‘dado’ genético de seus pais. Irmãos partilham seu meio quase inteiramente, mas em média, partilham apenas 50% de seus genes. Alguns partilham mais, alguns menos. ( Esperma e ovos são feios com metade dos genes de cada pai, de modo que quando eles se unem, o ovo fertilizado terá o complemento total de genes. Mas uma criança não receberá a mesma metade idêntica de seu pai, e a mesma metade idêntica de sua mãe, que seu irmão ganhou ) É alguma surpresa que irmãos e irmãs muitas vezes crescem e se tornam muito diferentes? O fato de que o mais inteligente sobe, e o mais burro desce, prova que SSE é significativamente influenciado por inteligência inata.

Quanto mais elevado o nível de civilização, melhor estará a população.

Dizer, “Quanto mais elevado o nível de civilização, melhor estará a população” é axiomático, assim como dizer, “é melhor estar sadio do que estar doente.” Está bem claro para todo mundo ver que pessoas que vivem em países com um nível de civilização superior possuem mais de tudo que é universalmente considerado bom, e menos de tudo que é universalmente considerado ruim. Por exemplo, eles possuem mais dinheiro, mais diversão, melhor alimentação, melhores roupas, casas maiores e melhores, melhor educação, maior longevidade, menos dor e doenças, menor incerteza em suas vidas, menor criminalidade, melhor sistema médico e odontológico, mais poder pessoa, mais felicidade e senso de realização, menos angústias e desespero.

Pergunta: “ Por que grande números de pessoas de países com baixo nível de civilização arriscam suas vidas a cada ano para chegar a países com altos níveis de civilização, enquanto o reverso nunca ocorre?”

Resposta: “Eles arriscam suas vidas porque eles crêem que a vida é muito melhor lá, e eles estão certos.” Se este não fosse o caso, por que ocorreria uma migração tão unilateral?

Prosperidade econômica engloba uma grande parte dessa imagem. Em “QI e a Riqueza das Nações”, Lynn e Vanhanen ( 2002 ) reuniram dados de 185 países e descobriram que o QI médio de uma nação se correlaciona .7 ( 70% ) com seu Produto Interno Bruto ( PIB ) per capita, e que o QI é o fator mais importante na riqueza de uma nação. ( Liberdade econômica e presença de recursos naturais ficaram em segundo e terceiro, respectivamente)

No momento presente, nós estamos evoluindo em direção a nos tornarmos menos inteligentes a cada nova geração. 

Por centenas de anos, até o início do século XIX na Inglaterra e América, houve fertilidade natural, ou seja, nenhum esforço para limitar o número de nascimentos. Casais tendiam a ter muitos filhos, mas nem todo mundo podia casar. Homens que não ganhavam o suficiente para sustentar uma família permaneciam solteiros e sem filhos, e o resultado final era um pequeno relacionamento positivo entre fertilidade e inteligência. Então inúmeros livros sobre anticoncepcionais foram publicados que naturalmente afetaram desproporcionalmente aqueles que sabiam ler. Camisinhas e diafragmas se tornaram disponíveis, e a taxa de natalidade das classes média e alta declinou. Ao redor da metade do século se tornou aparente que pessoas educadas estavam tendo menos filhos que os ignorantes.

Isso causou considerável alarme, e um número de estudos foram realizados tanto na Inglaterra como na América nas primeiras décadas do século XX. Foi descoberto que os QIs de crianças em idade escolar se correlacionam negativamente com o número de irmãos, o que pareceu confirmar os temores de fertilidade disgênica, mas essa conclusão foi questionada porque não havia jeito de saber os QIs dos que não tinham filhos. Posteriormente, alguns estudos americanos de QIs de adultos e número de filhos reportaram correlações negativas, mas outros estudos similares não acharam nenhuma correlação. Porém, as amostras usadas em todos esses estudos não eram representativas da população americana como um todo – elas eram restritas em termos de raça e área geográfica. Então ao redor da metade do século XX , ainda não havia resposta definitiva para a questão da fertilidade disgênica. Então em 1984, Frank Bean e eu tivemos a boa sorte de descobrir um excelente conjunto de dados, o General Social Survey (GSS), para testar a hipótese. Incluía um pequeno teste de vocabulário desenvolvido por Thorndike para conseguir uma graduação próxima de habilidade mental que era ideal para nosso estudo. O GSS havia entrevistado uma amostra ampla e representativa da população americana cujos anos reprodutivos caíram entre 1912 e 1982, resultando em dados que garantiram uma oportunidade única de uma avaliação do relacionamento entre fertilidade e QI durante a maior parte do século XX. Em todas as 15 das coortes ( na estatística, conjunto de pessoas que tem em comum um evento que se deu no mesmo período ), correlações entre resultados de testes e número de filhos eram negativos, e 12 de 15 foram estatisticamente significativos ( Van Court and Bean, 1985 )

Recentemente, Richard Lynn e eu fizemos um estudo continuando o anterior que incluía novos dados coletados na década de 90 pelo GSS, e nós conseguimos resultados similares. Nós calculamos que 0.9 pontos de QI estavam sendo perdidos a cada geração ( Lynn and Van Court,2003 ). Para descobrir quanto foi perdido durante o século XX, nós podemos simplesmente multiplicar 0.9 x 4 gerações = 3.6 pontos de QI. Não há dados precisos para a última parte do século XIX, mas há toda indicação de que o período de 1875-1900 foi seriamente disgênico. Então como uma estimativa aproximada ( porém conservadora ) do total de perdas dos 125 anos, podemos multiplicar 0.9 x 5 gerações = 4.5 pontos de QI perdidos de 1875 até o presente. Uma perda dessa magnitude aproximadamente reduziria pela metade aqueles de QI superior a 130, e dobraria os de QI menor que 70.

Em “Dysgenics: Genetic Deterioration in Modern Populations”, Richard Lynn ( 1996 ) descobriu que fertilidade disgênica é a regra ao invés de exceção ao redor do mundo. Não tem sido feitos tantos estudos na Europa, mas ela parece estar em par com os EUA em termos da severidade da onde disgênica. O único lugar em que a fertilidade disgênica não é encontrada é a África Subsaariana onde controle de natalidade não é usado.

Como o leitor pode ter começado a suspeitar, a principal razão para a fertilidade disgênica é que mulheres inteligentes usam controle de natalidade com mais sucesso que mulheres não-inteligentes. Isso parece ser o caso independentemente de qual método seja usado. Mulheres de QIs alto, médio e baixo querem, em média, o mesmo número de filhos, mas mulheres de QI baixo tem muito passam bem mais por gravidezes acidentais, e portanto mais filhos. Se todas as mulheres tivessem o exato número de filhos que elas desejam, virtualmente não haveria fertilidade disgênica ( Van Court, 1984 ). Um segundo fator é que mulheres muito inteligentes e bem sucedidas ( médicas, advogadas, professoras, engenheiras, e mulheres trabalhando nos altos níveis empresariais ) muitas vezes acabam tendo menos filhas do que gostariam de ter. Um estudo recente descobriu que 33% das mulheres bem sucedidas chegam aos 40 sem ter filhos, e apenas 14% desse grupo não tiveram filhos por escolha própria. ( Hewlett, 2002 )

A não ser que paremos ou revertamos essa tendência, nossa civilização inevitavelmente declinará. 

Essa conclusão segue logicamente das premissas 1-4.

O conceito de civilização é abstrato, mas aqui está um modo fácil de conceber o que, precisamente, se quer dizer quando a “civilização declina”: Norte-Americanos, Europeus e Japoneses podem simplesmente imaginar viver toda a sua vida no México. Mexicanos podem imaginar viver toda sua vida na África. É isso que um declínio na civilização significa, e poucos poderiam tentar dizer que é uma boa coisa.

Em “The Bell Curve”, Herrnstein e Murray ( 1994 )relataram que todos os problemas sociais eram exacerbados quando eles moviam o QI médio para baixo estatisticamente em sua amostra por meros 3 pontos, de 100 para 97. O número de mulheres cronicamente dependentes de “welfare” aumentava em quase 15%, o número de filhos nascidos fora de casamento aumentava em 8%, homens presos aumentava em 13%, e o número de jovens que abandonavam permanentemente a escola aumentava em 15%. Com uma redução factual de 3 pontos, essas percentagens representariam as vidas infelizes de milhões de pessoas reais, mais um grande peso tributário para milhões de outras. Há também o topo da distribuição de QI a se considerar – todos os cientistas, estadistas, empresários, inventores e gênios que jamais nasceriam, e cujas contribuições positivas jamais seriam feitas.

Igualitarismo: Politicamente Correto, Cientificamente Errado

Claramente, fertilidade disgênica é uma enorme ameaça a espécie humana. Então por que absolutamente nada é feito a respeito? Em uma palavra, igualitarismo. Igualitarismo é simplesmente a crença de que todas as pessoas nascem iguais em inteligência, caráter, talentos, e em todas outras coisas, exceto por diferenças triviais em cor de cabelo, cor dos olhos, e daí em diante. Se todos nascem exatamente iguais, que diferença a fertilidade disgênica faria?

Igualitarismo é a ideologia que o Ocidente abraçou desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Imediatamente surge a questão, “ se todos nascemos iguais em todas as coisas, como acabamos nos tornando tão diferentes?” Diferenças são ditas como sendo causadas por vários fatores ambientais, e qualquer tipo de problema social ou patologia é dita como sendo resultado de “carência cultural”, “ experiências traumáticas,” “criação inadequada”, ou aquele onipresente arqui-vilão, “a sociedade”.

Igualitarismo é tão fundamentalmente implausível que é difícil crer que milhões de pessoas realmente creiam nisso. Qualquer um que tenha tido mais de uma criança compreende que eles tem diferentes personalidades desde o dia de seu nascimento. Porém uma recente pesquisa descobriu que menos de 1 a cada 5 americanos acredita que os genes possuem um papel importante no comportamento humano. A maioria das pessoas achava que vício em drogas, doenças mentais, e homossexualidade eram influenciadas por hereditariedade em pequeno grau, mas aproximadamente 40% achava que os genes não possuem qualquer participação nisso ( U.S. News and World Report, April 21, 1997, p. 72-80 ).

Não há um único vestígio de evidências científicas que prestem apoio ao igualitarismo, e há uma montanha de evidência que o refuta, mas isso não impede igualitários na mídia e no meio acadêmico, que dão a pretensão de legitimidade científica ao apontar para estudos que relatam associações entre uma patologia social e outra. Por exemplo: “Crianças que crescem em vizinhanças pobres tendem a se tornar criminosas.” Sobre essa base, esforços são feitos para construir melhores casas e melhorar as favelas, com ( grande surpresa ) nenhum impacto na criminalidade. É óbvio para qualquer observador casual que correlações existem entre ambientes pobres e patologias de vários tipos. Mas correlação não prova causalidade! Galos cacarejam ao nascer do Sol. Isso quer dizer que galos causam o nascer do Sol? Se pobreza realmente causa criminalidade, não deveria a criminalidade ter crescido astronomicamente durante a Crise de 29? Bem, isso não aconteceu.

Programas desenvolvidos para resolver problemas sociais baseados em propaganda igualitária disfarçada de ciência são universalmente exaltados no início. A despeito de elevadas esperanças, retórica doce, e gastos verdadeiramente gigantescos, benefícios demonstráveis tem sido minúsculos, transitórios, artificiais, ou inexistentes. Aid to Families with Dependent Children (AFDC), o principal programa de “welfare” nos EUA, foi desenvolvido para eliminar a pobreza e suavizar uma hoste de problemas sociais associados a ela. Um grande estudo de seus efeitos relatou que ele, em verdade, piorou os problemas que pretendia resolver, ao mesmo tempo custando bilhões aos contribuintes (Murray, 1986). “Head Start” começou para elevar os QIs das crianças desprivilegiadas dos guetos através de sua exposição a um ambiente “enriquecido” ainda cedo, porém não houve qualquer ganho duradouro em QI. De algum modo seu propósito original foi esquecido, está sendo ovacionado como um grande “sucesso”, e cresce cada vez mais e se torna cada vez mais caro.

“Superstição não é o caminho”

Nós geralmente sentimos uma superioridade auto-satisfeita quando lemos sobre as tolices do passado, como o julgamento das Bruxas de Salem, a Inquisição, práticas médicas bizarras, como deixar o sangue vazar ou aplicar sanguessugas para curar doenças. Filmes antigos sobre as primeiras tentativas do homem em voar são garantia de gargalhadas. Mas como sabemos que não estamos nesse exato momento, nas garras de uma ilusão incrivelmente estúpida que nos fará parecer idiotas aos olhos das pessoas do futuro? Quão embaraçoso! Não seria absurdo dizer que o igualitarismo é a “superstição” mais prevalente dos séculos XX e XXI – provavelmente de todos os tempos – dado que é uma crença sobre causalidade que milhões de pessoas aceitam, para a qual não há qualquer evidência científica, e que a ciência, na verdade, já refutou. Igualitarismo qualifica como superstição? O Nono Dicionário Colegiado da Webster define superstição como:

uma crença ou prática resultante da ignorância, medo do desconhecido, confiança em mágica ou acaso, ou uma

falsa concepção de causalidade...uma noção mantida a

despeito de evidência do contrário.

Uma canção popular de Stevie Wonder chamada “Superstition” contem letras assim: “When you believe in things that you don't understand, then you suffer. Superstition ain't the way!” Isso resume nossa situação muito bem. O mundo ocidental tem aceito de modo pouco crítico uma imensa quantia de informações falsas sobre a natureza humana, e como resultado de nossa “mega-superstição”, nós estamos causando a nós mesmos, a todos os nosso descendentes, “mega-sofrimento”. Nós desperdiçamos vastas quantidades de tempo, esforço e dinheiro em programas equivocados enquanto toda nossa inteligência inata, a própria fundação de nossa civilização e bem-estar, está silenciosamente e constantemente desaparecendo. 

Três Fatores

Por que o mundo Ocidental está nas amarras de uma ilusão tão vasta? Por milhares de anos todos tomavam como dado que algumas pessoas nasciam mais inteligentes que outras simplesmente porque isso é tão obviamente verdade. Até nas primeiras décadas do século XX, igualitarismo seria alvo de gargalhadas, e a eugenia era amplamente aceita por pessoas proeminentes cujas visões abarcam todo o espectro político. Apenas para listar alguns proponentes: Gerge Bernard Shaw, Charles Darwin, Margaret Sanger, H.G.Wells, Francis Galton ( que cunhou o termo “eugenia” ), Theodore Roosevelt, Oliver Wendell Holmes, Alexander Graham Bell, Charles Lindbergh, e Winston Churchill. Julian Huxley descreveu eugenia como “ de todas as formas de altruísmo, aquela que é a mais compreensiva e de maior alcance.” Porém hoje, eugenia é considerada a maior das crueldades! Por que idéias entram e saem de moda é algo que eu não compreendo completamente. Porém, abaixo estão 3 fatores que provavelmente entram nessas considerações particulares pela opinião pública:

(1) Após a Segunda Guerra Mundial, as crenças salientes dos países conquistados foram universalmente rejeitadas. Hitler defendia fortemente a eugenia, apesar de não do mesmo modo que eugenistas o fazem hoje. ( Hitler se opunha a testes de QI porque achava que eles eram “judaicos”. ) Genética, comportamento, e raça passaram a se tornar tópicos desagradáveis. O movimento eugenista originado na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, e 27 outros países além da Alemanha passaram legislação eugênica durante o mesmo período e nem genocídio nem qualquer outra coisa temível aconteceu nesses países, então nenhum caso remotamente razoável pode ser argüido no sentido de que eugenia causa genocídio. Os comunistas tomaram a opinião contrária – de que o meio é todo importante e que genética não conta em nada – porém eles mataram muito mais pessoas que os Nazis. Independentemente, não importa quão injusto seja isso, a eugenia se tornou estigmatizada porque é associada nas mentes de muitos com Hitler.

(2) A opinião pública no mundo Ocidental é amplamente moldada por jornalistas ( que, isso deve ser indicado, portam muito da culpa por promover essa associação injusta com Hitler ) Estudos incontáveis demonstram que jornalistas tendem a ser bem mais liberais do que a população em geral. Entre estudantes universitários, graduandos em economia e ciências naturais tendem a ser os mais conservadores politicamente, e estudantes de literatura e jornalismo os mais liberais, o que sugere uma auto-seleção entre os estudantes que entram no campo do jornalismo. Em outras palavras, pessoas que se sentem atraídas pelo jornalismo, por quaisquer razões, tendem a ser liberais por temperamento. Junto a jornalistas liberais, acadêmicos marxistas com objetivos políticos expressos tem contribuído muito substancialmente à promoção da propaganda igualitária. 

Snyderman e Rothman (1988) compararam o que era transmitido sobre QI – na TV, nos jornais, e em revistas – ao que cientistas fazendo pesquisas sobre QI realmente diziam sobre isso. Eles descobriram que a mídia consistentemente dava opiniões extremamente preconceituosas, sugerindo que QI não mede nada realmente importante, de que é um teste “culturalmente discriminatório”, e que a maioria dos especialistas em QI concordam com essas afirmações, quando, na verdade, a maioria dos especialistas discordam com essas afirmações.

Sobre a questão racial, a mídia tem falhado absolutamente em sua responsabilidade de reportar descobertas científicas ao público. Em verdade, é bem pior do que “falhar em sua responsabilidade de reportar os fatos,” porque isso implicaria que eles tem sido um pouco desleixados, ou que eles simplesmente não tem feito tudo que deviam fazer. Na realidade, a mídia tem descaradamente mentido ao público, e isso tem sido feito por décadas. Para alguns, “mentido descaradamente” pode soar como retórica inflamatória, mas eu responderia dizendo que há provas de suas mentiras, e eu perguntaria “a que tipo de desonestidade flagrante estamos reservando o termo ‘mentido descaradamente’ que é tão pior que isso?” Poder-se-ia estar pressionado em pensar em qualquer coisa mais egrégia. Snydermann e Rothman ( 1988 ) descobriram que a maioria dos cientistas que fazem pesquisas com QI crêem que parte da diferença entre brancos e negros no QI é genética. Pela análise de centenas de relatos da mídia, eles também descobriram que a mídia retrata essa visão como uma defendida por uns poucos malucos.

Essa massiva campanha de desinformação sobre QI, genética, e raça tem sido travada por jornalistas liberais e acadêmicos marxistas contra o Ocidente desde a década de 50. Como um polvo de longos tentáculos, ela tem causado devastação em uma enormidade de modos, não sendo a menor o fato de que é bem impossível até mesmo ter um debate sério sobre eugenia, um pré-requisito óbvio para implementação de um programa eugênico. Uma desonestidade tão ampla pode ser esperado sob um regime comunista, mas isso acontecer em sociedades democráticas demanda muita explicação.

(3) Para compreender por que o igualitarismo reina supremo e eugenia foi transformada em um assunto tabu, esse tópico deve ser visto como uma parte do Zeitgeist maior que também inclui submissão à “diversidade” e “multiculturalismo,” discriminação reversa, ataques ao Cristianismo, apoio a políticas ruinosas de imigração, promoção da promiscuidade e homossexualismo, apoio à miscigenação, e relativismo moral, muito do que pode ser resumido sob o rótulo de Politicamente Correto. Esse sistema de crenças apenas “aconteceu”, como o clima, ou pessoas fizeram com que acontecesse? Se o segundo for verdade, quem, e por que?

Quando um crime sério é cometido, a primeira pergunta que um detetive provavelmente perguntará está relacionado aos motivos, ou seja, “quem ganha?” Do mesmo modo, pode-se razoavelmente perguntar, “quem se beneficia desse Zeitgeist desonesto e destrutivo?” É um tópico interessante e importante, mas infelizmente, desenvolver essa questão adiante está fora do escopo desse trabalho. Ao invés eu os indicarei o brilhante livro de Kevin MacDonald, The Culture of Critique (1998), a fonte de respostas sobre o Zeitgeist e a agenda oculta por trás dele. MacDonald defende um argumento chocante, mas que é bem documentado e convincente.

Conclusão

Os resultados de um grande e respeitado estudo sobre dificuldades mentais ilustra o potencial positivo da eugenia. 2% dos objetos da pesquisa sofriam retardo, e eles produziram 36% da próxima geração de retardados ( Reed and Reed, 1965 ), Claramente, se esses 2% não tivessem tido filhos, o retardo mental teria sido reduzido em 36% em uma geração dentro daquele grupo. Com apenas uma pequena modificação, esses números podem ser aplicados à população geral. Se os retardados tivessem recebido subsídios suficientes ou outros incentivos para adotarem um controle de natalidade permanente, o retardo mental poderia ser cortado em aproximadamente 1/3 em apenas uma geração. Essa é apenas uma entre muitas possíveis medidas eugênicas, mas esse passo sozinho poderia significativamente aliviar todos os problemas sociais, prevenir uma boa dose de abuso infantil e negligência ( retardados fazem péssimos pais ), garantir um impulso econômico, e fazer com que o “quociente de miséria” despencasse.

Igualitários pegam uma rota circular para resolver problemas sociais – eles continuam tentando mudar as pessoas através da alteração de seus meios. Apesar de testemunharem seqüências abismais de falhas, nosso desejo natural de aliviar sofrimento e melhorar o mundo persiste. Esse desejo encontra nova esperança na eugenia baseada na ciência, não propagando e pensamento positivo. Eugenia pega a rota direta. Ela possui o potencial único de realmente criar um mundo melhor, de fazer melhorias profundas, concretas e duradouras na “condição humana” pelo melhoramento dos próprios seres humanos.

Homogeneização

"De uma forma ou outra, os descendentes do Iluminismo defendem a abolição das fronteiras, a deterioração e desaparecimento das civilizações e das culturas que fizeram a diversidade do elemento humano. Colocam as suas esperanças na vocação única da humanidade, na difusão de uma mensagem universal e negam o risco de conflito com os que recusam esta mensagem. Não vêem nos homens nada mais que unidades manipuláveis que obedecem a uma só lei, a uma só moral planetária, na seqüência de um curso de educação global, de uma pedagogia corretora, ou mesmo de uma homogenização-normalização forçada, se necessário. Segundo eles, a afirmação das identidades coletivas conduziriam quase irresistivelmente ao renascimento dos ódios e das intolerâncias. No entanto, o anti-conformista constata que foi a negação da identidade coletiva, representada durante século XX pelo liberalismo e marxismo, que produziu o seu regresso sob formas patológicas e destrutivas. A procura da identidade, a redescoberta de si através da cultura, a defesa dos grupos, associações, classes, nações, raças e religiões, longe de confinar à barbárie como pretende o hiper-individualismo cosmopolita, constitui de acordo com o pensamento não-conformista a única resposta à modernidade angustiante e desestruturante."
(Arnaud Imatz)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Ideologia Americana

por Francis Parker Yockey

Este individualismo orgânico foi formulado em constituições escritas e em uma literatura político-literária. É típico do espírito dessa literatura a Declaração de Independência. Como fragmentos de Realpolitik este manifesto de 1776 é magistral; aponta para o Futuro, e abraça o Espírito da Época do Racionalismo, que era então predominante na Cultura Ocidental. Porém, no século XX, a parte ideológica dessa declaração é simplesmente fantástica; "Declaramos que essas verdades são evidentes por si mesmas: que todos os homens são criados iguais; que todos são dotados por seu criador de direitos inerentes e inalienáveis; que entre estes se encontram a vida, a liberdade e a busca da felicidade; que para assegurar estes direitos, se instituem os governos entre os homens, derivando-se seus justos poderes do consentimento dos governados; que quando uma forma de governo é contrária a estes fins, o povo tem direito a alterá-lo ou aboli-lo, instituindo um novo governo, que baseie seu fundamento em certos princípios e organize seus poderes de forma tal que seja a mais efetiva para assegurar sua segurança e felicidade". E continuou dizendo, referindo-se à Guerra de Secessão então em curso: "...nos encontramos comprometidos em uma grande guerra civil, para demonstrar que esta nação, ou qualquer nação assim concebida e assim dedicada, pode sobreviver".

Este ideologia continuou até meados do século XX, e inclusive depois da Primeira e da Segunda Guerra Mundiais quando predominava uma perspectiva totalmente diferente e incompatível, foi oferecida ao território de origem da Civilização Ocidental como um modelo a ser imitado. Somente o êxito material, inteiramente fortuito, que sorriu às armas americanas, fez possível que esta ideologia sobrevivesse no decurso de um século que a haveria superiado e, não porque é um instrumento para dividir e desintegrar a Europa, deve ser examinada aqui esta arcaica ideologia.

A Declaração de Independência está saturada do pensamento de Rousseau e Montesquieu. A idéia básica, como em todo Racionalismo, consiste em estabelecer a equação do que deveria ser com o que será. O Racionalismo começa por confundir o racional com o real, e termina por confundir o real com o racional. Este arsenal de "verdades" sobre a igualdade, direitos inalienáveis e inerentes, reflete o espírito crítico emancipado, sem respeito pelos fatos e pela tradição. A idéia de que os governos são "instituídos" com um propósito utilitário, para satisfazer uma demanda de homens "iguais", e que esses homens "iguais" dão seu "consentimento" a uma certa "forma" de "governo", e logo a suprimem quando já não serve para este propósito, é pura poesia racionalista, e não corresponde a nenhum fato que já tenha ocorrido alguma vez em parte alguma. A fonte do governo é a desigualdade dos homens: isto é um fato. A natureza do governo é um reflexo da Cultura, da Nação, e da etapa de desenvolvimento de ambos. Assim, qualquer nação pode ter uma das duas possíveis formas de governo: um governo eficiente ou um governo deficiente. Um governo eficiente leva adiante a Idéia e nação, e não a "vontade das massas", já que esta não existe se a direção é eficiente. A liderança se desintegra, não quando "o povo" racionalmente decide aboli-lo, mas sim quando tal liderança chega a um grau de decadência que derruba a si mesmo. Nenhum governo, em nenhuma parte, está "fundado" em "princípios". Os governos são a expressão de instintos políticos, e a diferença de instintos entre os diferentes povos é a fonte das diferenças em sua prática do governo. Nenhum "princípio" escrito afeta a prática do governo o mínimo que seja, e a única coisa para que servem é para enriquecer o vocabulário das disputas políticas.

Isto é tão verdadeiro para a América como para qualquer outra unidade política que tenha existido em cinco milênios de história das Grandes Culturas. Contrariamente a certo sentimento messiânico existente na América, esta não é completamente singular. Sua morfologia e seu destino podem ser lidos na história de outras colônias, em nossa Cultura, e em outras anteriores.

Na Declaração de Independência, a referência ao governo cujo propósito é assegurar a "segurança" e a "felicidade" da população é uma idiotice racionalista. Governar é o processo de manter em forma a população para a tarefa política, a expressão da Idéia de Nação.

A citação de Lincoln reflete todavia a época do Racionalismo, e na Europa de então ainda se podia sentir e compreender tal ideologia, pois ainda quando Estado, Nação e Tradição continuavam existindo na Europa - ainda que debilitados - sempre houve resistência às ideologias racionalistas, fossem da variedade de Rousseau, de Lincoln, ou de Marx. Nenhuma nação foi nunca "dedicada à uma proposição". As nações são criações de uma Grande Cultura, e em sua última essência são idéias místicas. Sua chegada, suas individualidades, sua forma, sua marcha, tudo, constituem reflexos de altos desenvolvimentos culturais. Dizer que uma nação está "dedicada a uma proposição" é reduzi-la a uma abstração que pode ser plasmada em um quadro-negro para uma demonstração em uma aula de Lógica. Isso é uma caricatura da Nação-Idéia. Falar de tal maneira de uma Nação é insultá-la e rebaixá-la: ninguém morreria nunca por uma proposição lógica. Se tal proposição - que mais além de ser proclamada "evidente" - não é convincente, a força armada não conseguirá que o seja.

A palavra "liberdade" é um dos principais tópicos da ideologia americana. A palavra somente pode ser definida negativamente como liberação de algum freio. Nem mesmo o mais moribundo ideólogo americano advoga por uma total liberdade em relação a qualquer forma de ordem, e paralelamente, nem a mais rígida tirania desejou jamais proibir a tudo. Em um país "dedicado" à "liberdade" os homens foram tirados de suas casas sob a ameaça de prisão, foram declarados soldados e enviados aos seus contrários como medida de "defesa" tomada por um governo que não pediu o "consentimento" de suas massas, sabendo perfeitamente que tal "consentimento" teria sido recusado.

No sentido prático, a liberdade americana significa liberdade perante o Estado, porém é óbvio que isso é mera literatura, toda vez que nunca houve um Estado na América, nem tampouco se sentiu a necessidade de que existisse. A palavra liberdade é, pois, meramente um conceito em uma religião materialista, e não representa nada no mundo dos fatos americanos.

Na ideologia americana é também importante a Constituição escrita adotada em 1789, como resultado do trabalho de Hamilton e Franklin. Seu interesse por ela era prático, já que sua idéia consistia em unificar as treze colônias em uma só unidade. Como união em si não poderia ter sido descrita como um governo, mas sim como uma anarquia regulamentada. As idéias da Constituição estavam inspiradas sobretudo nos escritos de Montesquieu. A idéia da "separação de poderes", particularmente, se deve a este teórico francês. De acordo com dita teoria, os poderes do governo são três: legislativo, executivo e judicial. Como todo o cristalino pensamento racionalista, isto se torna obscuro e confuso quando se aplica na vida Real. Estes poderes somente podem separar-se no papel, porém não na Vida. Nunca estiveram realmente separados na América, ainda que a teoria pretenda que sim, estiveram. Com a irrupção de uma crise interna na terceira década do século XX, todo o poder do governo central foi abertamente concentrado no executivo, e logo se encontraram teorias para abonar este fato, que continuou chamando-se "separação".

As diversas colônias conservaram a maioria dos poderes que lhes interessavam: o poder de fazer suas próprias leis, manter uma milícia e conduzir-se em estado de independência econômica em respeito às outras colônias. A palavra "estado" ("State") foi escolhida para designar aos componentes da União e isto conduziu a novas confusões no pensamento ideológico, haja vista que as formas estatais européias, nas quais o Estado era uma Idéia, foram tomadas como um equivalente dos "estados" americanos, os quais eram, acima de tudo, unidades territoriais econômico-legais, sem soberania, finalidade, destino, nem propósito.

Na União não havia soberania, quer dizer, nem se quer a contrapartida legal da Idéia-Estado. O governo central não era soberano, como tampouco o era nenhum dos governos estatais. A soberania estava representada pelo acordo de 2/3 dos estados e pelo legislativo central, ou seja, dito em outras palavras: uma abstração pura. Se tivessem havido cinqüenta, ou cem milhões de eslavos, ou inclusive de índios, nas fronteiras americanas, teria havido uma noção diferente acerca dessas coisas. Toda a ideologia americana pressupunha a situação geopolítica da América. Não haviam potências vizinhas, nem populações hostis, fortes, numerosas e organizadas. Não haviam perigos políticos...somente um amplo território semi-vazio, apenas ocupado por selvagens.

Também foi importante na ideologia americana o sentimento de universalidade expresso no citado discurso de Lincoln. Apesar de que a Guerra de Secessão não teve nada a ver com qualquer classe de ideologia e, em qualquer caso, a exposição razoável e legalista dos Sulistas fossem mais conseqüentes que a idéia Ianque. Lincoln se sentiu obrigado a injetar uma ideologia nessa Guerra. O oponente não poderia ser, simplesmente, um rival político, que buscava conquistar os mesmos poderes que o Ianque; devia ser um inimigo total, resolvido a destruir a ideologia americana. Este sentimento informou todas as guerras americanas a partir de então: todo inimigo político foi considerado ipso facto como um oponente ideológico, ainda quando o inimigo en questão não mostrara qualquer interesse na ideologia americana.

Na época das guerras mundiais, esta tendência a misturar as ideologias com a política se estendeu à escala mundial. A potência que a América escolhia por inimiga era, forçosamente, inimiga da "liberdade", da "democracia", e de todas as demais palavras, mágicas porém sem sentido, da mesma categoria. Isto conduziu a estranhos resultados. Qualquer potência lutando contra aquela que a América havia gratuitamente escolhido como inimiga se convertia ipso facto em uma potência amante da "liberdade". Assim, tanto a Rússia dos Romanov e como a Rússia Bolchevique foram potências amantes da "liberdade", em seus momentos.

A ideologia americana levou a América a considerar como aliados a países que não devolveram o cumprimento, porém o ardor americano não se resfriou por isso. Esta classe de política somente pode ser considerada na Europa como adolescente e em verdade, toda pretensão de que os problemas e formas do século XX possam ser descritos de acordo com uma ideologia racionalista do século XIX é, imatura ou, para dizê-lo mais claramente, idiota.

No século XX, quando o tipo de ideologia racionalista já havia sido descartado pela avançada Civilização Ocidental, a universalização americana da ideologia se transformou em messianismo: a idéia de que a América deve salvar o mundo. O veículo da salvação deve ser uma religião materialista na qual a "democracia" tome o lugar de Deus, a "Constituição" o da Igreja, os "princípios de governo" o dos dogmas religiosos, e a idéia da liberdade econômica o da Graça de Deus. A técnica da salvação consiste em submeter ao dólar ou, em último caso, submeter às baionetas e aos altos explosivos americanos.

A ideologia americana é uma religião, tal como o foi o Racionalismo do Terror francês, do Jacobinismo, de Napoleão. A ideologia americana é contemporânea deles, e eles estão mortos. Tão completa e internamente mortos como o está a ideologia americana. Sua principal utilidade na atualidade - 1948 - reside em dividir a Europa. O elemento "Michel" europeu se aproveita de qualquer ideologia que prometa "felicidade" e uma vida sem esforço nem energia. Desse modo a ideologia americana não serve mais do que para um propósito negativo. O Espírito de uma época passada não pode proporcionar nenhuma mensagem a uma época que a segue, porém pode negar a nova época e tentar atrasá-la, distorcê-la e apartá-la de seu âmbito vital. A ideologia americana não é um instinto, já que não inspira nenhum. É um sistema inorgânico, e quando um de seus dogmas molesta, é rapidamente descartado. Assim, a doutrina religiosa da "separação dos poderes" foi expulsa da lista de dogmas sagrados em 1933. Anteriormente, o dogma sagrado do isolamento havia sido abandonado em 1917, quando a América interveiu em uma Guerra do Ocidente que não lhe concernia nem afetava em absoluto. Ressuscitado depois da Primeira Guerra Mundial, foi novamente descartado na Segunda Guerra Mundial. Uma religião política que de tal maneira acende e apaga suas doutrinas sobrenaturais, não resulta convincente, nem desde um ponto de vista político, nem desde um ponto de vista religioso. A "Doutrina" de Monroe, por exemplo, fez saber, em princípios do século XIX, que todo o hemisfério Ocidental era uma esfera de influência imperialista americana. No século XX, isto se converteu no estatuto especial de uma doutrina esotérica, para uso doméstico, enquanto que o dogma externo era chamado "política de boa vizinhança".

A ideologia de um povo não é que vestimenta intelectual. Pode corresponder - ou não - ao instinto desse povo. Uma ideologia pode ser trocada de um dia para o outro, porém não o caráter de um povo. Uma vez que este tenha sido formado, é definitivo e influencia os acontecimentos mais do que estes a ele.


Tradução por Raphael Machado

Pátria e Tradição

"Sei por experiência e pela história humana que tudo que é essencial e grande somente pôde surgir quando o homem tinha uma Pátria e estava enraizado em uma Tradição."
(Martin Heidegger)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dispersando a Reflexão

"Um dos piores efeitos da pressa, ou do medo engendrado por ela, é a aparente inabilidade do homem moderno de passar até mesmo o mais curto dos tempos sozinho. Ele ansiosamente evita cada possibilidade de auto-comunhão ou de meditação, como se ele temesse que a reflexão pudesse apresentar-lhe um assombroso auto-retrato, como com aquele Dorian Gray. A única explicação para esse generalizado vício no barulho - é que algo tem que ser suprimido. Um dia, quando minha esposa e eu estávamos caminhando por uma floresta, fomos surpreendidos ao ouvir os sons metálicos de um radio transistor em rápida aproximação. Conforme seu dono, um ciclista de 16 anos, sozinho, apareceu, minha esposa me disse, 'Ele tem medo de ouvir o canto dos pássaros.' Eu acho que ele tinha medo de encontrar a si mesmo. Por qual outra razão pessoas perfeitamente inteligentes preferem as propagandas vazias da televisão à sua própria companhia? Eu tenho certeza de que é porque ajuda a dispersar qualquer reflexão."
(Konrad Lorenz, Trecho de "Os Oito Pecados Mortais do Homem Civilizado - A Corrida do Homem Contra Si Mesmo")

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Burrice Humana

por Carlo Cipolla

Sempre e inevitavelmente todos subestimam o número de pessoas burras em circulação.

Pessoas que considerávamos racionais e inteligentes no passado resultam ser inequivocamente burras.

Dia após dia, com uma monotonia incessante, vemos como entorpecem e obstaculizam nossa atividade indivíduos obstinadamente estúpidos, que aparecem de improviso e inesperadamente nos lugares e nos momentos menos oportunos.

Nem todos os humanos são iguais já que uns são mais burros do que outros.

Uma pessoa burra é aquela que causa perdas a outra pessoa ou grupo de pessoas sem obter nenhum lucro para si mesmo e inclusive incorrendo em perdas.

Os burros são perigosos e funestos porque para as pessoas razoáveis resulta difícil imaginar e entender um comportamento burro.

Não existe modo racional de prever se, quando, como e por que, uma criatura burra levara a cabo seu ataque. Frente a um indivíduo burro, se está completamente desarmado.

Geralmente o ataque do burro nos pega de surpresa.

Inclusive quando se tem conhecimento do ataque, não é possível organizar uma defesa racional porque o ataque, em si mesmo, carece de qualquer tipo de estrutura racional.

O burro não sabe que é burro e isso contribui em grande medida a dar maior força, incidência e eficácia a seu poder devastador.

Os não burros, em especial, esquecem constantemente que em qualquer momento, lugar e circunstância, tratar e/ou associar-se com indivíduos burros se manifesta infalivelmente como um erro extremamente custoso.

Um dos erros mais comuns é chegar a crer que uma pessoa burra só causa dano a si mesma, porém isso não é mais do que confundir a burrice com a candura dos desgraçados.

A pessoa burra é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.


Tradução por Raphael Machado

A Figura do Trabalhador

"Visto na plenitude do seu ser, e na violência de um cunho que apenas começou, a figura do trabalhador aparece em si rica em contradições, tensões e, no entanto, de uma espantosa unidade e completude em relação ao destino. Ela ser-nos-à assim manifesta, de vez em quando, em instantes em que nenhum fim e nenhuma intenção perturbe a meditação - como poder subjacente e pré-formado.

É assim que, por vezes, quando de repente a tempestade dos martelos e das rodas que nos rodeia se silencia, a tranquilidade que se esconde atrás da desmedida do movimento parece contrariar-nos quase corporalmente, e é bom o costume que no nosso tempo, para honrar os mortos ou para gravar na consciência um instante de significado histórico, declara suspenso o trabalho por um intervalo de minutos, como por um comando supremo. Pois este movimento é uma alegoria da força mais íntima, no sentido em que o significado misterioso de um animal se manifesta o mais claramente possível no seu movimento. Mas o espanto sobre a sua suspensão e, no fundo, o espanto por o ouvido julgar perceber, por um instante, as fontes mais profundas que alimentam o curso temporal do movimento, e isso eleva este ato a uma dignidade de culto.

O que distingue as grandes escolas do progresso é faltar-lhes a relação às forças originárias e a sua dinâmica ser fundada no curso temporal do movimento. Tal é a razão pela qual as suas conclusões, sendo por si persuasivas, estão não obstante condenadas, como por uma matemática diabólica, a desembocar no niilismo. Experimentamos isto nós mesmos na medida em que tomamos parte no progresso e assumimos, como a grande tarefa de uma estirpe que vivia há muito numa paisagem originária, voltar a produzir o vínculo imediato com a realidade.

A relação do progresso com a realidade é de uma natureza derivada. Aquilo que é visto é a projeção da realidade na periferia do fenômeno; tal pode-se mostrar em todos os grandes sistemas do progresso e vale também para a sua relação ao trabalhador.

E, no entanto, do mesmo modo que o iluminismo é mais profundo que o iluminismo, também o progresso não está sem pano de fundo. Também ele conheceu aqueles instantes de que precisamente se falou. Há uma embriaguez do conhecimento que é mais do que de origem lógica, e há um orgulho nas proezas técnicas, no começo do domínio ilimitado sobre o espaço, que possui uma suspeita da mais misteriosa vontade de poder, para a qual tudo isto é apenas um armamento para combates e rebeliões insuspeitados, e precisamente por isso tão valioso e necessitado de um cuidado ainda mais afetuoso do que o que um guerreiro dedica às suas armas.

Daí que para nós esteja fora de questão aquela atitude que procura contrapor ao progresso os meios inferiores da ironia romântica e que é a característica segura de uma vida enfraquecida no seu núcleo. A nossa tarefa não é ser o adversário do tempo, mas a sua última cartada, cuja entrada em ação deve ser concebida tanto na sua extensão como na sua profundidade. O pormenor que tão vincadamente os nossos pais iluminaram muda o seu significado quando é visto numa imagem maior. O prolongamento de um caminho que parecia conduzir à comodidade e à segurança entra doravante na zona daquilo que é perigoso. Neste sentido, o trabalhador, para além do pormenor que o progresso lhe assinalou, aparece como o portador da substância heróica fundamental que determina uma nova vida."
(Ernst Jünger, Trecho de "O Trabalhador")

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Marx, Moisés e os Pagãos na Cidade Secular

por Tomislav Sunic

Com a conversão do Imperador Romano Constantino ao Cristianismo, o período da Europa pagã chegaria a seu fim. Durante o próprio milênio o continente europeu seria submetido à influência do Evangelho - às vezes pela persuasão pacífica, ou frequentemente por meio da conversão forçada. Aqueles que previamente foram oprimidos por Nero, Diocleciano ou Calígula, não duvidaram em aplicar a violência "criativa" contra os pagãos infieis. Ainda que nominalmente a violência estaria proibida pelos textos cristãos, foi usada contra aqueles que não pertenciam à comunidade dos "filhos escolhidos" de Deus. Durante o reinado de Constantino, a perseguição contra os pagãos tomou proporções análogas a aquelas com as quais as velhas religiões haviam perseguido anteriormente o novo culto, porém em um espírito ainda mais feroz. "Logo do Edito do ano 346 a.C., seguido dez anos depois pelo Edito de Milão, os templos pagãos e o culto às divindades pagãs foram estigmatizados como crime máximo. A pena de morte foi inflingida em todos aqueles que fossem encontrados participando nos antigos sacrifícios ou rendendo culto aos "ídolos" pagãos. "Com Teodósio, a administração embarcou em um esforço sistemático de abolição das várias formas sobreviventes do paganismo por meio da desestabilização e da proscrição dos cultos sobreviventes." (1) O período do obscurantismo havia começado.

A violência cristã e entre cristãos, ad majorem dei gloriam, não cessou até o começo do século XVIII. Junto às catedrais góticas de impressionante beleza, as autoridades cristãs construíram fogueiras que consumiram milhares de infelizes anônimos. Vista em retrospectiva, a intolerância cristã contra os hereges, judeus e pagãos pode ser comparada à intolerância bolchevique contra os inimigos de classe na Rússa e na Europa Oriental - com a exceção de que se estendeu por muito mais tempo. Durante a queda da Roma Imperial, o fanatismo cristão fez com que o filósofo pagão Celso escrevesse: "Eles (os cristãos) não argumentam sobre o quê creem - sempre respondem 'Não examine, mas sim creia'..." A obediência, a oração, e a anulação do pensamento crítico são considerados pelos cristãos como as ferramentas mais úteis para lograr a salvação eterna. Celso descreveu os cristãos como indivíduos com tendência ao sectarismo e a uma forma primitiva de pensamento, e que, ademais, demonstravam um grande desdém pela vida. (2) Um tom similar contra os cristãos foi usado por Friedrich Nietzsche no século XIX, que, em seu estilo virulento, descreveu os cristãos como indivíduos capazes de manifestar ódio por si mesmos e pelos demias, quer dizer "ódio por aqueles que pensam diferente, e a vontade de perseguição contra eles." (3) Indubitavelmente, os cristãos primitivos deviam acreditar que o final dos tempos se aproximava, e por seu otimismo histórico, assim como também por sua violência contra os "infieis", provavelmente merecem o nome de Bolcheviques da Antiguidade.

Como foi sugerido por muitos autores, a desintegração do Império Romano não resultou das invasões bárbaras, mas sim da "ruína de Roma pela ação das seitas cristãs, objetores de consciência, inimigos do culto oficial, perseguidos, perseguidores, elementos delitivos de todas as classes, e o caos total." Paradoxalmente, o deus judeu Jeová inclusive experimentaria um destino sinistro: "ele seria convertido, se tornaria romano, cosmopolita, ecumênico, gentil, mundialista, e finalmente antissemita."(!)(4) Não é surpreendente, que nos séculos posteriores, as igrejas cristãs na Europa tivessem dificuldade para reconciliar sua vocação universalista com o particularismo étnico.

Resíduos Pagãos na Cidade Secular

Ainda que o Cristianismo tenha removido gradualmente os últimos vestígios do politeísmo romano, também se apresentou como o herdeiro legítimo de Roma. De fato, o Cristianismo não pôde cancelar inteiramente o paganismo, herdou de Roma alguns aspectos que previamente havia considerado anti-cristãos. Os culos pagãos oficiais foram eliminados porém o espírito pagão permaneceu indomável, e por séculos reapareceu nas formas mais assombrosas e em múltiplos modos: durante o período do Renascimento, durante o Romantismo, antes da Segunda Guerra Mundia, e hoje, quando as igrejas cristãs reconhecem que suas ovelhas secularizadas estão distanciando-se de seus "únicos" pastores. Finalmente, o folclore étnico parece representar um exemplo notório de sobrevivência pagã, ainda que na cidade secular tenha sido reduzido a uma comodidade culinária efêmera ou a mera atração turística. (5) Com o passar dos séculos, o folclore étnico foi submetido a transformações, adaptações, e às demandas e circunstâncias de sua época, sem embargo, manteve seu arquétipo original de mito tribal fundador. Assim como o paganismo sempre foi mais forte nos campos, assim sucedeu com o folclore que tradicionalmente foi protegido pelas classes campesinas na Europa. A princípio do século XIX, o folclore jogou um papel decisivo na criação das consciências nacionais dos povos europeus, quer dizer, "em comunidades ansiosas para conhecer suas próprias origens e baseadas muitas vezes em uma história reconstruída, mais do que real". (6)

O conteúdo pagão foi removido, mas a estrutura pagã permaneceu igual. Sob o manto e a aura dos santos cristãos, o Cristianismo logo criou seu próprio panteão de divindades. É mais, inclusive a mensagem de Cristo adaptou seu significado especial segundo o lugar, a época histórica e o genius loci de cada Povo europeu. Em Portugal, o Catolicismo se manifesta de forma diferente do que em Moçambique; e os polacos rurais continuam venerando muitas das antigas divindades eslavas costuradas cuidadosamente na liturgia católica romana. Ao longo da Europa contemporânea, a influência da fé politeísta é poderosa. A celebração de Yule (ou Natal "cristão") representa o exemplo mais famoso da tenacidade dos resíduos pagãos.(7) Ademais, muitos antigos templos pagãos e locais de culto foram convertidos em lugares sagrados da Igreja Católica. Lourdes na França, Medjugorje na Croácia, rios ou montanhas sagradas, não assinalam a presença da Europa pagã pré-cristã? O culto da deusa mãe, alguma vez praticado intensamente pelos celtas, particularmente perto dos rios, ainda pode ser observado hoje na França one muitas pequenas capelas estão construídas perto das montanhas e dos rios.(8) E finalmente, quem pode disputar que todos somos herdeiros dos gregos e latinos pagãos? Pensadores como Virgílio, Tácito, Heráclito são tão modernos hoje como o eram durante os primeiros tempos da civilização europeia.

Pagãos Conservadores Modernos

Há evidência sólida de que a sensibilidade pagã pode florescer nas Ciências Sociais, na Literatura e nas Artes, não apenas como forma de narrativa exótica mas sim também como marco mental e ferramenta de análise. Numerosos nomes nos vêm a mente quando discutimos o retorno do politeísmo Indo-Europeu. Na primeira metade do século XX, os pensadores pagãos apareceram usualmente entre aqueles que se denominavam "Conservadores Revolucionários", "Niilistas Aristocráticos", "Elitistas" - em resumo, todos aqueles que não desejavam substituir Marx com Jesus, mas sim que rechaçaram tanto Marx como Jesus.(9) Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger na Filosofia, Carl Gustav Jung na Psicologia, Georges Dumézil e Mircea Eliade na Antropologia, Vilfredo Pareto e Oswald Spengler na Ciência Política, acompanhados ademais por dezenas de poetas como Ezra Pound ou Charles Baudelaire - esses são alguns dos nomes que podem ser associados com o legado do conservadorismo pagão. Todos esses indivíduos tinham em comum a vontade de superar o legado da Europa cristã, e todos eles incluíram em sua bagagem espiritual o mundo dos celtas, eslavos, germanos e latinos pré-cristãos.

Em uma época que está sobrecarregada com a mensagem bíblica, muitos pensadores pagãos modernos, por sua crítica ao monoteísmo bíblico, foram atacados e estigmatizados como ateus impenitentes ou como portadores espirituais do Fascismo. Particularmente, Nietzsche, Heidegger e em tempos recentes, Alain de Benoist, foram atacados por difundir supostamente uma Filosofia que, para seus detratores contemporâneos, recorda as tentativas Nacional-Socialistas de "descristianizar" e "repaganizar" a Alemanha. Esses parecem ataques sem fundamento. Jean Markale observa que "o Nazismo e o Stalinismo, foram em um sentido, também religiões pelos atos que realizaram. Também foram religiões na medida em que implicavam um certo Evangelho, no sentido etimológico da palavra... O paganismo verdadeiro, ao contrário, sempre está orientado para o reino da sublimação. O paganismo não pode estar a serviço do poder temporal."(11) O paganismo parece mais bem uma forma de sensibilidade do que um credo político particular, e com o esgotamento do Cristianismo, quiçá possa florescer de novo na Europa.

O Paganismo Contra o Deserto Monoteísta

Dois mil anos de monoteísmo judaico-cristão deixaram sua pegada na civilização europeia. Em vista disso, não deveria ser surpreendente que a glorificação do paganismo, assim como a crítica da Bíblia e da ética judaico-cristã - especialmente quando vêm da Direita Política - sejam impopulares na cidade secular. É suficiente observar à sociedade norteamericana onde os ataques aos princípios judaico-cristãos são vistos frequentemente com suspeita, e onde a Bíblia e o mito bíblico do "Povo Eleito" de Deus ainda jogam um papel significativo no dogma constitucional norteamericano.(12) Ainda que agora a cidade secular seja indiferente à teologia judaico-cristão, alguns princípios morais que derivam da ética judaico-cristã tais como a "Paz Eterna", o "Amor", e a "Fraternidade Universal", não morreram e todavia mostram sinais de vida. Na cidade secular, muitos pensadores liberais e progressistas, ainda que tenha abandonado a crença na teologia judaico-cristã, não abandonaram a ética ensinada pela Bíblia.

Sem importar o que se possa pensar sobre a conotação obsoleta, perigosa, ou inclusive derrogatória do termo "Paganismo Europeu", é importante ressaltar que essa conotação se deve principalmente à influência histórica e política do Cristianismo. Etimologicamente, paganismo está relacionado com as crenças e rituais das vilas e campos europeus. Porém o paganismo, em sua versão moderna, poderia conotar também uma certa sensibilidade e uma "forma de vida" que permanece irreconciliável com o monoteísmo judaico-cristão. Em algum grau os povos europeus continuam sendo "pagãos" por sua memória nacional, suas raízes geográficas, e por, sobretudo, sua pertença à comunidades étnicas - que frequentemente contém alusões a mitos antigos, contos de fadas, e formas de folclore que incluem temas pré-cristãos. Inclusive o ressurgimento moderno do separatismo e do regionalismo na Europa aparece como um fruto de resíduos pagãos. Como observa Markale, "a ditadura da ideologia cristã não silenciou esses antigos costumes, apenas os suprimiu", e foi um dos provedores principais de imperialismo, colonialismo, e racismo no Terceiro Mundo.(14)

Na moderna cidade secular, a influência milenária e persuasiva do Cristianismo contribuiu significativamente para a noção de que a glorificação do paganismo, ou, a nostalgia do mundo greco-romano, é estranha ou na melhor das hipóteses, irreconciliável com a sociedade contemporânea. Sem embargo, recentemente, Thomas Molnar, um filósofo católico que parece simpatizar com o renascimento cultural do paganismo, nota que os aderentes modernos do neopaganismo são mais ambiciosos do que seus predecessores. Molnar escreve que o objetivo do ressurgimento pagão não é o retorno ao culto das antigas divindades europeias; mas sim em verdade, expressa uma necessidae de formar outra civilização, ou, melhor ainda, uma versão modernizada do "Helenismo científico e cultural" que outrora foi uma referência comum para todos os povos europeus. E com simpatia pela sensibilidade politeísta de alguns conservadores pagãos modernos, Molnar agrega: "O ponto não é conquistar o planeta mas sim promover uma ecúmene para os povos e civilizações que redescobriram suas origens. A ideia é que a dominação de ideologias sem Estado, notavelmente as ideologias do Liberalismo norteamericano e do Marxismo soviético, chegou a seu fim. Acredita-se em um paganismo reabilitado com o objetivo de restaurar as identidades dos Povos que existiram antes da corrupção monoteísta."(15)

Tal ponto de vista da parte de um católico também pode verter alguma luz sobre a magnitude da desilusão dos cristãos em suas cidades seculares. O mundo secularizado repleto de riqueza material não parece satisfazer as necessidades espirituais do Homem. De que outra maneira se poderia explicar o fato de que milhares de europeus e jovens norteamericanos prefiram buscar orientação espiritual em gurus indianos do que em seus próprios locais sagrados obscurecidos pelo monoteísmo judaico-cristão?

Os protagonistas contemporâneos do paganismo, enquanto ansiosos em refutar o mito do "anacronismo" pagão, e redefinir o paganismo europeu segundo o espírito dos tempos modernos, apresentaram seu significado de uma forma mais atrativa e acadêmica. Uma das figuras mais conhecidas, Alain de Benoist, resume o significado moderno do paganismo com as seguintes palavras:

"O neopaganismo não é um fenômeno de seita - como imaginam, não somente seus adversários, mas também os grupos pagãos, às vezes bem intencionados, às vezes torpes, frequentemente involuntariamente cômicos e perfeitamente marginais... O que deve temer-se hoje, não é tanto o desaparecimento do paganismo mas sim seu ressurgimento sob formas primitivas ou pueris, aparentadas com essa 'segunda religiosidade' que Spengler considerava uma das características mais notórias das culturas em decadência e sobre as quais Julius Evola escreveu que correspndiam geralmente a um fenômeno de evasão, alienação, compensação, confusão, sem nenhuma repercussão séria na realidade."(16)

O paganismo como sinônimo de cultos e seitas bizarras, não é o que os pagãos modernos tem em mente. Um século atrás, o filósofo pagão Friedrich Nietzsche já havia observado no Anticristo que "quando uma nação se torna demasiado degenerada ou desenraizada, aceita as várias formas de cultos orientais, e simultaneamente 'troca inclusive seu próprio Deus'"(979). As palavras de Nietzsche soam hoje mais proféticas do que nunca. As massas da cidade secular acometidas pela decadência e pela banalidade rampantes, estão buscando sua evasão nos gurus indianos ou na ajuda de um conjunto de profetas orientais. Porém mais além dessa paródia da transcendência, e do auto-ódio europeu acompanhado pela infatuação com os mascotes orientais, há mais do que apenas um esgotamento transitório do monoteísmo cristão. Quando os cultos modernos tentam descobrir um paganismo pervertido, fazem-no porque estão buscando o sagrado que foi eliminado pelo discurso judaico-cristão dominante.

Do Deserto Monoteísta à Antropologia Comunista

O monoteísmo introduziu na Europa uma "antropologia" alógena responsável pela legitimação da sociedade de massas igualitária e do totalitarismo, como alguns pagãos sugerem? Alguns autores parecem apoiar essa tese, argumentando que as raízes da tirania não estão em Atenas ou em Esparta, mas sim que são traçáveis, mas acertadamente, a Jerusalém. Em um diálogo com Molnar, de Benoist sugere que o monoteísmo mantém a ideia de que exista uma única verdade absoluta; é um sistema onde o inimigo é associado com o Mal Absoluto, onde o inimigo deve ser exterminado fisicamente (Deuteronômio 13). Em resumo, observa de Benoist, que o universalismo judaico-cristão, desde dois mil anos atrás, preparou o caminho para a chegada das aberrações igualitárias modernas e suas variações secularizadas, entre as quais se incluem o comunismo.

"Que existiram regimes totalitários 'ateus' é bastante óbvio, por exemplo, a União Soviética. Esses regimes sem embargo, são os 'herdeiros' do pensamento cristão no sentido em que Carl Schmitt demonstrou que a maioria dos princípios políticos modernos são princípios teológicos secularizados. Trouxeram à terra uma estrutura de exclusão; a polícia da alma cede seu lugar à polícia do Estado; as guerras ideológicas sucedem as guerras religiosas."(17)

Observações similares foram feitas antes pelo filósofo Louis Rougier e pelo politólogo Vilfredo Pareto, que representavam a "velha guarda" de pensadores pagãos cujas investigações filosóficas estiveram dedicadas à reabilitação do politeísmo político europeu. Tanto Rougier como Pareto concordavam em que o Judaísmo e sua forma pervertida, o Cristianismo, introduziram no marco conceitual europeu uma forma estrangeira de raciocínio que leva ao pensamento desejoso do utopismo, e que fica obcecado com um futuro estático.(18) De forma similar aos marxistas modernos, a crença cristã no igualitarismo espiritual deve ter tido um tremendo impacto nas massas empobrecidas do Norte da África e de Roma, na medida em que prometia a igualdade para os "infelizes da terra," para os odium generis humani, e todos os proletários do mundo. Rougier em um comentário sobre os proto-comunistas cristãos, remarca que o Cristianismo esteve desde o princípio sob a influência do dualismo iraniano e das visões escatológicas do Apocalipse judaico. Segundo isso, os judeus, e logo, os cristãos adotariam a crença de que os bons que atualmente sofrem seriam recompensados no futuro. Na cidade secular, o mesmo tema aparece nas doutrinas marxistas modernas que prometem um paraíso secularizado. "Há dois planos justapostos no espaço," escreve Rougier, "um governado por Deus e seus anjos, e o outro por Satã e Belial." As consequências dessa visão dualista do mundo, resultaram, após um período de tempo, na projeção cristã-marxistas de seus inimigos como totalmente equivocados, à diferença da atitude cristã-marxista que é sempre considerada correta. Para Rougier, a intolerância grecorromana jamais assumiu essas proporções totais e absolutas da exclusão religiosas; a intolerância por cristãos, judeus e outras seitas foi esporádica, provocada por certos costumes religiosos contrários à lei romana (tais como circuncisão, sacrifícios humanos, orgias sexuais e religiosas).(19)

Ao separar-se de suas raízes europeias politeístas, e aceitar o Cristianismo, os europeus gradualmente começaram a aceitar uma cosmovisão que enfatizava a igualdade das almas, e a obrigação de difundir a palavra de Deus a todos os povos, sem importar Raça, credo, cultura ou idioma (Paulo, Gálatas 3:28). Nos séculos seguintes, esse princípio igualitário, entrou primeiro, de forma secularizada na consciência do Homem europeu, e logo, no da humanidade inteira. Alain de Benoist escreve:

"Segundo o processo clássico do desenvolvimento e da degradação dos ciclos, o tema igualitário passou, em nossa cultura, do estado de Mito (igualdade perante Deus) ao estadio de Ideologia (igualdade entre os homens), logo ao estado de pretensão 'científica' (afirmação do fato igualitário): do cristianismo à democracia liberal, logo ao socialismo e ao marxismo. A grande censura que pode-se fazer ao cristianismo é ter inaugurado o ciclo igualitário, introduzindo no pensamento europeu uma antropologia revolucionário, com caráter universalista e totalitário".(20)

Sustentamos que o monoteísmo judaico-cristão, na medida em que implica universalismo e igualitarismo, também produz um exclusivismo religioso que diretamente emana da crença em uma verdade indiscutível. A consequência da crença cristã na unidade teológica, quer dizer, que já um só Deus, e por conseguinte uma só verdade - levou naturalmente, ao longo dos séculos, à tentação apagar ou desvalorar todas as outras verdades e valores. Quando uma seita proclama sua religião como a chave dos enigmas do Universo e se, ademais, essa seita tem aspirações universais, a igualdade e a supressão de todas as diferenças humanas são aspectos que aparecem automaticamente. Assim, a intolerância cristã pelos "infieis" pode ser justificada sempre como uma resposta legítima contra aqueles que não reconhecem a "verdade" de Jeová. Portanto, o conceito da "falsa humildade" cristã em relação a outras confissões, um conceito que é particularmente verdadeiro em relação à atitude cristã com os judeus. Ainda que sejam quase idênticos em seu culto a um único Deus, os cristãos nunca aceitaram o fato de que eles também veneram a mesma divindade daqueles a quem condenaram em um primeiro momento como povo deicida. Ademais, enquanto que o Cristianismo sempre foi uma religião universalista, acessível a todas as pessoas no mundo, o Judaísmo permaneceu como uma religião étnica do povo judeu.(21) Como aponta de Benoist, o Judaísmo sanciona seu próprio Nacionalismo, à diferença do Nacionalismo dos cristãos que é constantemente negado pelos princípios universalistas cristãos. Em vista disso, o "antissemitismo cristão", escreve de Benoist, "pode ser descrito com justiça como uma neurose." Poderia ser que o desaparecimento definitivo do antissemitismo, assim como do virulento ódio étnico, pressupõe primeiro o abandono da crença cristã no universalismo?

Conceito Pagão do Sagrado

Aos críticos que argumentam que o politeísmo é uma coisa da mente pré-histórica e primitiva incompatível com as sociedades modernas, poderíamos responder-lhes que o paganismo não é necessariamente "um retorno a um Paraíso Perdido" ou uma nostalgia pela restauração da ordem grecorromana. Para os conservadores pagãos, a lealdade ao "paganismo" significa a reconciliação com as origens históricas da Europa, assim como também reviver alguns aspectos sagrados da vida que existiram na Europa antes do Cristianismo. Poderíamos agregar, que em relação à suposta superioridade ou progresso do judaico-cristianismo frente ao "anacronismo" do politeísmo indo-europeu, as religiões judaico-cristãs, em termos de sua novidade, não são menos passadistas do que as religiões pagãs. Enfatizando esse ponto, de Benoist escreve:

"Assim como havia ontem que ver o espetáculo grotesco da denúncia dos 'ídolos pagãos' por missionários cristãos apaixonados pelos próprios totens, hoje é muito mais cômico ver denunciar o 'passado' (indo-europeu) pelos que não param de elogiar a continuidade judaico-cristã e de nos remeter ao exemplo de Abraão, Jacó, Isaque e outros beduínos proto-históricos."(22)

Segundo alguns pensadores pagãos, a racionalização judaico-cristã do tempo histórico impediu a valoração do passado nacional próprio e, ao fazê-lo, contribuiu significativamente para a "desertificação" do mundo. No último século, Ernest Renan observou que o judaísmo não tem noção de Sagrado, porque "o Espírito do Deserto é monoteísta."(23) Em um tom similar, Alain de Benoist en 'L'éclipse', citando a 'The Secular City' de Harvey Cox, escreve que a perda do sagrado, que é a causa do desencantamento da pólis moderna hoje, ocorreu como consequência da renúncia bíblica da História. Assim, o desencantamento da Natureza começou com a Criação; a dessacralização da Política com o Êxodo; e a desconsagração dos valores com a Aliança do Sinai; especialmente depois da interdição dos ídolos(29). Continuando com análise similar, Mircea Eliade, um autor influenciado pelo mundo pagão, agrega que o ressentimento judaico da "idolatria" pagã deriva do caráter ultra-racional das leis mosaicas que racionalizam todos os aspectos da vida por meio de uma infinidade de prescrições, leis e interdições:

"A dessacralização da Natureza, a desvaloração da atividade cultural, em resumo, o rechaço violento e total da religião cósmica, e sobretudo a importância decisiva que é conferida à regeneração espiritual por meio do retorno definitivo de Jeová, foi a resposta dos profetas às crises históricas que ameaçavam aos dois reinos judaicos."(24)

Alguns poderiam objetar que o Catolicismo teve sua própria forma do Sagrado e que, à diferença de algumas outras formas de judaico-cristianismo, desenvolveu sua própria transcendência espiritual. Porém há razões para pensar que o conceito católico do Sagrado não emergiu sui generis, mas sim como um fruto da amálgama cristã com o paganismo. Como de Benoist escreve, o Catolicismo deve sua manifestação do Sagrado (lugares sagrados, peregrinações, festividades de Natal, e o panteão de santos) à indomável sensibilidade pagã politeísta. Por conseguinte, parece que hoje o ressurgimento pagão não representa uma religião normativa, no sentido cristão da palavra, mas sim um certo equipamento espiritual que está em oposição à religião dos judeus e dos cristãos. Consequentemente, como alguns pensadores pagãos sugerem, a substituição da visão monoteísta do mundo pela cosmovisão politeísta não significaria somente o "retorno dos Deuses" mas sim também o retorno da pluralidade de valores sociais.

A coragem, a honra pessoal e a auto-superação física e espiritual são citadas frequentemente como as virtudes mais importantes do Paganismo. À diferença do utopismo cristão e marxista, o paganismo enfatiza o profundo sentido do trágico, o trágico como é visto nas tragédias gregas - que sustenta o homem em sua condição prometeica e que faz com que sua vida mereça o penhasco.(25)É o sentido pagão do trágico o que pode explicar o destno do Homem, que para os antigos indo-europeus significou "a ação ativa, o esforço, e a superação pessoal.(26) Hans Günther resume esse ponto nas seguintes palavras:

"A religiosidade indo-europeia não está baseada em nenhum tipo de medo, nem no temor da divindade ou da morte. As palavras do poeta dos últimos dias, nas quais se mantinha que o temor criou os Deuses (Statius, Thebais, 3:661: primus in orbe fecit deos timor), não podem ser aplicadas às formas verdadeiras da religiosidade indo-europeia, por onde quer que essa tenha se desenvolvido livremente, o "temor ao Senhor" (Provérbios, IX.10; Salmos XI, 30) não foi demonstrado como sendo a origem nem da crença, nem da sabedoria."(27)

Alguns sugeriram que as grandes civilizações são aquelas que mostraram um forte sentido do trágico e que não temem a morte.(28) No conceito pagão do trágico, o homem é motivado a tomar a responsabilidade perante a história porque somente o homem é quem dá à história um significado. Em um comentário sobre Nietzsche, Giorgio Locchi escreve, que, na cosmogonia pagã, somente o homem é considerado como o único forjador de seu próprio Destino (faber suae fortunea), isento de determinismos bíblicos ou históricos, "graça divina", ou mecanismos econômicos e materiais.(29) O paganismo propõe uma atitude heroica perante a vida oposta à atitude cristã da culpa do medo à vida. Sigrid Hunke escreve sobre a essencialização da vida, na medida em que a vida e a morte tem a mesma essência e esta está sempre contida em ambas. A vida, que é a todo momento um enfrentamento-à-morte e com a morte, torna permanente o futuro em cada instante, e a vida se torna eterna ao adquirir uma profundidade inescrutável, e assume o valor da Eternidade.

Para Hunke, junto a outros autores de sensibilidade pagã, para restaurar essas vritudes pagãs na cidade secular o homem deve em primeiro lugar abandonar a lógica dualista da exclusão religiosa e social, "uma lógica que foi responsável pelo extremismo não apenas entre os indivíduos, mas sim também entre partidos e povos, e que, ao difundir-se desde a Europa, disseminou no mundo uma divisão dualista que adquiriu proporções planetárias."(30) Para lograr esse ambicioso objetivo, o Homem europeu deve repensar o significado da História.

O Terror à História

Os pagãos modernos nos recordam que o monoteísmo judaico-cristão alterou substancialmente a atitude do homem para com a História. Por assignar à História um objetivo específico inerente, o judaico-cristianismo desvalorou todos os eventos passados, exceto aqueles que assinalam sinais de Jeová. Indubitavelmente, Jeová admite que o homem poderia ter uma história, porém somente se está subordinada a um objetivo assignado e específico. Não obstante, se o homem adere a um conceito da história que exalta a memória coletiva de sua tribo ou povo, ele corre o risco de ofender a Jeová e provocar a sua ira. Para judeus e cristãos, porém também para os marxistas, a historicidade não é a essência real do Homem; a essência verdadeira do Homem está mais além da História. Observamos que o conceito judaico-cristão do Fim da História implícito no Apocalipse é no que se inspiram as doutrinas igualitárias e pacifistas modernas, comumente sem sabê-lo, seguem o provérbio bíblico:"Morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; o bezerro e o leão e a besta doméstica caminharão juntos, e uma criança os irá pastorear" (Isaías, 11:6). De Benoist nota em 'L'éclipse que, à diferença do conceito pagão de História que envolve a solidariedade orgânica e os laços comunitários, o conceito monoteísta da História cria divisões. Assim, Jeová deve proibir as "relações" entre o presente e o passado, entre o homem e o divino, entre o indivíduo e a comunidae, entre Israel e os gentis(31). Os cristãos, sem dúvida, rechaçaram o exclusivismo judaico - como seu proselitismo bimilenar amplamente demonstra - porém eles também mantiveram sua própria forma de exclusivismo ideológico contra os não-crentes muçulmanos, pagãos, ateus ou outros "infieis."

Frente ao dogma judaico-cristão que afirma que o tempo histórico começa com a ação de um único pai divino, no paganismo europeu não há traços do começo do tempo; mas bem, o tempo histórico é visto como um perpétuo começo, o "Eterno Retorno" que emana de pais múltiplos e diferentes, sem princípio nem final. Na cosmogonia pagã, como de Benoist escreve, o tempo é não-linear ou esférico, no qual o passado, o presente e o futuro não são percebidos como segmentos do tempo cósmico separados e opostos entre si, ou seguidos uns pelos outros em uma linha que progride. Ao invés, o presente, o passado, e o futuro são percebidos como dimensões da atualidade (L'éclipse 131). Na cosmogonia pagã é impossível que um povo ocupe o centro da história, a história é plural e cada povo tem um devir histórico diferente e contingente. Similarmente, assim como é errôneo falar da existência de uma única verdade, é igualmente equivocado manter que a humanidade inteira deve seguir a mesma direção histórica, como propõem o universalismo judaico-cristão e seu descendente secular "a democracia universal."

O conceito judaico-cristão da história sugere que o fluxo do tempo histórico é retilíneo, e por conseguinte, limitado por sua significância e significado. Daí em diante, para os judeus e para os cristãos, a história pode ser apreendida somente como uma totalidade governada pelo sentido de uma finalidade última e um propósito histórico. A história para os judeus e os cristãos aparece como um parêntese, um episódio horrível ou um "vale de lágrimas" temporal, que um desses dias finalizará e será transcendido pelo reino dos Céus.

Ademais, o monoteísmo judaico-cristão exclui a possibilidade do retorno histórico ou de um "novo começo"; a história se desenrola de uma maneira pré-determinada dirigindo-se para uma finalidade última. Na moderna cidade secular, a ideia da finalidade cristã será transposta no mito da sociedade "sem classes" que aparecerá ao fim da história ou a sociedade consumista ahistórica antipolítica do liberalismo. De Benoist escreveu o seguinte:

"A legitimação pelo futuro que substitui à legitimação pela Tradição autoriza todos os desenraizamentos, todas as 'emancipações' em relação à adesão em sua forma original. Esse futuro utópico que substitui o passado mítico é sempre incidentalmente gerador de decepções, porque o melhor do que promete deve ser constantemente adiado para um tempo cada vez mais distante. A temporalidade já não é mais um elemento fundacional do desdobramento do Ser que tenta entender o jogo da temporalidade do mundo; quando se segue uma finalidade se cria expectativa e não comunhão. Submeter o devir histórico a um significado obrigatório significa, de fato, desintegrar a história no reino da objetividade, que reduz as opções, as orientações e os projetos."(155-156)

Somente o futuro pode permitir aos judeus e aos cristãos "retificar" o passado. Somente o futuro assume o valor de redenção. Daí em diante, o tempo histórico já não é reversível para os judeus e os cristãos; desde agora cada fato histórico adquire o significado dado pela providência divina, do dedo de "Deus" ou sua teofania. Na cidade secular, essa forma de pensamento histórico linear deu nascimento à "religião" do progresso e à crença no crescimento econômico ilimitado. Moisés não recebeu os mandamentos em um certo lugar e em um tempo particular, desde então irrepetível, e Jesus não pregou, fez milagres e foi crucificado em um tempo particular, desde então irrepetível? Não começa o Fim da História para os comunistas com a Revolução Bolchevique, e para os liberais com o Século Americano? Essas intervenções "divinas" na história humana nunca poderão repetir-se. Eliade resume esse ponto com as seguintes palavras:

"Sob a 'pressão da história' e a experiência profética e messiânica, uma nova interpretação dos eventos históricos apareceu entre os Filhos de Israel. Sem renunciar totalmente ao conceito tradicional dos arquétipos e às repetições, Israel tenta 'salvar' os eventos históricos tomando-os como atos de Jeová... O messianismo lhes dá um novo valor, especialmente ao abolir a possibilidade de sua repetição ad infinitum. Quando o Messias venha, o mundo será salvo de uma vez por todas e a história cessará de existir."(31)

A História enquanto governada diretamente pela vontade de Jeová, funciona como uma série de eventos irrevogáveis e irreversíveis. Não só é descartada a história, mas sim que também luta-se contra ela. Pierre Chaunu, um historiador francês contemporâneo, observa que "o rechaço da história é uma tentação poderosa naquelas civilizações que emergiram do judaico-cristianismo."(32) Em um tom similar, Michel Maffesoli escreve que o totalitarismo ocorre naquelas Nações hostis à história, e agrega: "Entramos agora no reino da finalidade propício à escatologia política cujo resultado é o judaico-cristianismo e seus herdeiros profanos, o liberalismo e o marxismo."(33)

As observações anteriores necessitam alguns comentários. Se aceita-se a ideia do Fim da História, como foi proposta por monoteístas, marxistas e liberais, como pode ser explicado o sofrimento histórico? Como é possível, desde o ponto de vista do Marxismo e do Liberalismo "redimir" as opressões, sofrimentos coletivos, deportações e humilhações passadas que encheram a história? É suficiente dizer que esse enigma somente sublinha a dificuldade em relação ao conceito da justiça distributiva na cidade secular igualitarista. Se uma sociedade verdadeiramente igualitária emerge milagrosamente, será, inevitavelmente, uma sociedade de escolhidos - daqueles que, como notou Eliade, escaparam da pressão da história simplesmente por ter nascido no tempo e no lugar corretos. Paul Tillich notou, há algum tempo, que tal igualdade resultaria em uma imensa desigualdade histórica, na medida em que excluiria aqueles, que durante seu tempo de vida, viveram em uma sociedade desigual, ou parafraseando a Arthur Koestler "que pereceram no magma da eternidade."(34) Essas frases de Koestler e Eliade ilustram as dificuldades das ideologias salvacionistas modernas que pretendem "deter" o tempo e criar um paraíso secular. Não seria melhor em épocas de crises retomar a noção pagã do tempo cíclico? Esse parece ser o caso de alguns povos europeus do Leste, que, em tempos de crises ou catástrofes, frequentemente se refugiam no folclore popular e nos mitos, que lhes ajudam, em uma forma quase catártica, a superar sua situação. Locchi escreve:

"Um novo começo da história é possível. Não há uma verdade histórica. Se a verdade histórica existisse realmente não haveria história. A verdade histórica sempre deve ser obtida; sempre deve ser traduzida à ação. E esse é exatamente o significado da história para nós."(35)

Poderíamos concluir que para os cristãos é a fé em Cristo o que define o valor de um ser humano, para um judeu é o Judaísmo, e para a Marx não é a qualidade do homem que define a classe, mas sim a qualidade da classe que define o Homem. É assim que alguém se torna "escolhido" por virtude de sua afiliação a uma classe ou a uma religião.

Pagãos ou Monoteístas: Quem é mais tolerante?

Jeová, assim como seus sucessores seculares, enquanto portador exclusivo da verdade, se opõe à presença de outros Deuses e outros valores. Como reducionista, qualquer coisa que existe mais além de sua jurisdição deve ser proibida ou destruída. Observamos, que ao longo da história, os crentes monoteístas foram empurrados, em nome de uma verdade "superior", a castigar aqueles que não seguem a direção assignada por Jeová. Walter Scott escreve:

"Em muitas instâncias a lei mosaica da retaliação, do 'olho por olho, dente por dente,' foi invocada pelos israelitas para justificar as atrocidades que eles inflingiram em seus inimigos... A história das guerras israelitas mostra que os hebreus eram, geralmente, os agressores."(36)

Assim, em nome da verdade histórica, os antigos hebreus puderam justificar a matança dos cananeus pagãos e em nome da revelação cristã, os reinos cristãos legitimaram as guerras contra judeus, pagãos e "hereges." Sem embargo, seria impreciso, nesse contexto, negar a existência da violência nos pagãos. A destruição grega da cidade de Troia, a destruição romana de Cartago, claramente apontam a natureza frequentemente total e sangrenta das guerras conduzidas pelos gregos e pelos romanos. Porém, é importante assinalar que não encontramos entre os antigos a atitude arrogante perante suas vitórias que acompanhava as vitórias cristãs e judias. Os gregos e romanos nunca tentaram, após a derrota de seus oponentes, converter-lhes à sua religião e a seus Deuses. À diferença, tanto o Evangelho como o Velho Testamento contém relatos sobre atos de justiça auto-indulgente que, logo, justificaram a violência "redentora" contra os oponentes. Similarmente, na moderna cidade secular, a guerra pela democracia se converteu em um meio particularmente efetivo para destruir todas as diferentes entidades políticas que rechaçam a "teologia" do progresso universal e desconhecem o credo da "democracia universal". Para sublinhar esse ponto, Pierre Gripari escreve que o Judaísmo, o Cristianismo, e seus herdeiros seculares como o marxismo e o liberalismo, são doutrinas bárbaras que não podem ter lugar no mundo moderno.(60)

Frente a isso, aponte de Benoist que um sistema como o politeísta, que reconhece um número ilimitado de Deuses também reconhece a pluralidade de cultos oferecidos em sua honra, e acima de tudo, a pluralidade dos costumes, sistemas sociais e políticos, e cosmovisões das quais esses Deuses são expressões sublimes.(37) Como consequência disso, os pagãos ou crentes no politeísmo, são consideravelmente menos intolerantes. Sua relativa tolerância é atribuída principalmente à aceitação da noção do "terceiro excluído"("der ausgeschlossene Dritte"), assim como também de seu rechaço do dualismo judaico-cristão.

Para compreender o caráter da tolerância relativa dos pagãos, é interessante mencionar a atitude dos pagãos indo-europeus em relação a seus oponentes durante a confrontação militar. Jean Haudry remarca que a guerra para os pagãos era conduzida segundo regulações estritas; a guerra era declarada segundo os rituais que invocavam a ajuda dos Deuses e dirigiam seu desgosto contra o adversário. A conduta na guerra estava sujeita a regras bem definidas e consequentemente "a vitória consistia em romper sua resistência, e não necessariamente em destruir o adversário"(161). Em vista do fato de que o judaico-cristianismo não permite verdades relativas, ou verdades diferentes e contraditórias, frequentemente adota a guerra total contra seus oponentes. Eliade escreve que "a intolerância e o fanatismo característicos dos profetas e missionários das três religiões monoteístas, tem seu modelo e justificativa no exemplo de Jeová."(38)

Como a intolerância monoteísta transpira na cidade secular, supostamente tolerante? Quais são as consequências seculares do monoteísmo judaico-cristão em nossa época? Nos sistemas contemporâneos, são os indecisos - quer dizer, aqueles que não assumiram lado, e que rechaçam as escatológicas políticas modernas - que se converteram nos alvos do ostracismo ou perseguição: aqueles que hoje questionam a utilidade da ideologia dos Direitos Humanos, do mundialismo ou da igualdade. Em poucas palavras, aqueles que rechaçam o credo comunista e liberal.

Em conclusão, dizemos que, desde o primeiro momento, o judaico-cristianismo pretendeu desmistificar e dessacralizar o mundo pagão ao substituir lentamente os antigos credos pagãos com o reino da Lei Judaica. Durante esse processo bimilenar, o Cristianismo gradualmente removeu todos os vestígios pagãos que conviveram com ele. O processo de dessacralização e "Entzauberung" da vida e da política não parece ter resultado da separação dos europeus do Cristianismo, mas sim do desaparecimento gradual da concepção pagã do Sagrado que coexistiu durante muito tempo com o Cristianismo. O paradoxo de nosso tempo é que a Europa está saturada com a mentalidade judaico-cristã em um momento no qual a maioria das Igrejas e Sinagogas estão vazias.

Notas:
1. Charles Norris Cochrane, Christianity and Classical Culture (New York: Oxford UP, 1957), 254-55, 329.
2. T. R. Glover, The Conflict of Religion in the Early Roman Empire (1909; Boston: Beacon, 1960), 242, 254, passim.
3. Friedrich Nietzsche, Der Antichrist, in Nietzsches Werke (Salzburg/Stuttgart: Verlag "Das Berlgand-Buch," 1952), 983, para. 21.
4. Pierre Gripari, L'histoire du méchant dieu (Lausanne: L'Age d'Homme, 1987), 101-2.
5. Michel Marmin, "Les Piegès du folklore'," in La Cause des peuples (Paris: édition Le Labyrinthe, 1982), 39-44.
6. Nicole Belmont, Paroles paiennes (Paris: édition Imago, 1986), 160-61.
7. Alain de Benoist, Noël, Les Cahiers européens (Paris: Institut de documentations et d'études européens, 1988).
8. Jean Markale, et al., "Mythes et lieux christianisés," L'Europe paienne (Paris: Seghers, 1980), 133.
9. About European revolutionary conservatives, see the seminal work by Armin Mohler, Die Konservative Revolution in Deutschland, 1919-1933 (Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1972). See also Tomislav Sunic, Against Democracy and Equality: The European New Right (New York: Peter Lang, 1990).
10. See notably the works by Alfred Rosenberg, Der Mythus des 20. Jahrhunderts (München: Hoheneichen Verlag, 1933). Also worth noting is the name of Wilhelm Hauer, Deutscher Gottschau (Stuttgart: Karl Gutbrod, 1934), who significantly popularized Indo-European mythology among national socialists; on pages 240-54 Hauer discusses the difference between Judeo-Christian Semitic beliefs and European paganism.
11. Jean Markale, "Aujourd'hui, l'esprit païen?" in L'Europe paienne (Paris: Seghers, 1980), 15. The book contains pieces on Slavic, Celtic, Latin, and Greco-Roman paganism.
12. Milton Konvitz, Judaism and the American Idea (Ithaca: Cornell UP, 1978), 71. Jerol S. Auerbach, "Liberalism and the Hebrew Prophets," in Commentary 84:2 (1987):58. Compare with Ben Zion Bokser in "Democratic Aspirations in Talmudic Judaism," in Judaism and Human Rights, ed. Milton Konvitz (New York: Norton, 1972): "The Talmud ordained with great emphasis that every person charged with the violation of some law be given a fair trial and before the law all were to be scrupulously equal, whether a king or a pauper" (146). Ernst Troeltsch, Die Soziallehren der christlichen Kirchen and Gruppen (1922; Aalen: Scientia Verlag, 1965), 768; also the passage "Naturrechtlicher and liberaler Character des freikirchlichen Neucalvinismus," (762-72). Compare with Georg Jellinek, Die Erklärung der Menschen-und Bürgerrechte (Leipzig: Duncker and Humblot, 1904): "(t)he idea to establish legally the unalienable, inherent and sacred rights of individuals, is not of political, but religious origins" (46). Also Werner Sombart, Die Juden and das Wirtschaftsleben (Leipzig: Verlag Duncker and Humblot, 1911): "Americanism is to a great extent distilled Judaism ("geronnene Judentum")" (44).
13. David Miller, The New Polytheism (New York: Harper and Row, 1974), 7, passim.
14. Serge Latouche, L'occidentalisation du monde (Paris: La Découverte, 1988).
15. Thomas Molnar, "La tentation paienne," Contrepoint 38 (1981):53.
16. Alain de Benoist, Comment peut-on etre païen? (Paris: Albin Michel, 1981), 25.
17. Alain de Benoist, L’éclipse du sacré (Paris: La Table ronde, 1986), 233; see also the chapter, "De la sécularisation," 198-207. Also Carl Schmitt, Die politische Theologie (München and Leipzig: Duncker und Humblot, 1922), 35-46: "(a)ll salient concepts in modern political science are secularized theological concepts" (36).
18. Gerard Walter, Les origines du communisme (Paris: Payot, 1931): "Les sources judaiques de la doctrine communiste chrétienne" (13-65). Compare with Vilfredo Pareto, Les systèmes socialistes (Paris: Marcel Girard, 1926): "Les systèmes métaphysiques-communistes" (2:2-45). Louis Rougier, La mystique démocratique, ses origines ses illusions (Paris: éd. Albatros, 1983), 184. See in its entirety the passage, "Le judaisme et la révolution sociale," 184-187.
19. Louis Rougier, Celse contre les chrétiens (Paris: Copernic, 1977), 67, 89. Also, Sanford Lakoff, "Christianity and Equality," in Equality, ed. J. Roland Pennock and John W. Chapaman (New York: Atherton, 1967), 128-30.
20. Alain de Benoist, "L'Eglise, L'Europe et le Sacré," in Pour une renaissance culturelle (Paris: Copernic, 1979), 202.
21. Louis Rougier, Celse, 88.
22. Comment peut-on être païen?, 170, 26. De Benoist has been at odds with the so-called neo-conservative "nouveaux philosophes," who attacked his paganism on the grounds that it was a tool of intellectual anti-Semitism, racism, and totalitarianism. In his response, de Benoist levels the same criticism against the "nouveaux philosophes." See "Monothéisme-polythéisme: le grand debat," Le Figaro Magazine, 28 April 1979, 83: "Like Horkheimer, like Ernest Bloch, like Levinas, like René Girard, what B. H. Lévy desires is less `audacity,' less ideal, less politics, less power, less of the State, less of history. What he expects is the accomplishment of history, the end of all adversity (the adversity to which corresponds the Hegelian Gegenständlichkeit), disincarnate justice, the universal peace, the disappearance of frontiers, the birth of a homogenous society . . . "
23. Ernest Renan, Histoire générale des langues sémitiques (Paris: Imprimerie Impériale, 1853), 6.
24. Mircae Eliade, Histoire des croyances et des idées religieuses (Paris: Payot, 1976), 1:369, passim.
25. Jean-Marie Domenach, Le retour du tragique (Paris: édition du Seuil, 1967), 44-45.
26. Jean Haudry, Les Indo-Européens (Paris: PUF, 1981), 68.
27. Hans. K. Günther, The Religious Attitude of Indo-Europeans, trans. Vivian Bird and Roger Pearson (London: Clair Press, 1966), 21.
28. Alain de Benoist and Pierre Vial, La Mort (Paris: ed. Le Labyrinthe, 1983), 15.
29. Giorgio Locchi, "L'histoire," Nouvelle Ecole 27/28 (1975):183-90.
30. Sigrid Hunke, La vraie religion de l’Europe, trans. Claudine Glot and Jean-Louis Pesteil (Paris: Le Labyrinthe, 1985), 253, 274. The book was first published under the title Europas eigene Religion: Der Glaube der Ketzer (Bergisch Gladbach: Gustav Lubbe, 1980).
31. Mircae Eliade, The Myth of the Eternal Return or, Cosmos and History, trans. Willard R. Trask (Princeton: Princeton UP, 1965), 106-7.
32. Pierre Chaunu, Histoire et foi (Paris: Edition France-Empire, 1980), quoted by de Benoist, Comment peut-on être païen? 109.
33. Michel Maffesoli, La violence totalitaire (Paris: PUF, 1979), 228-29.
34. See Paul Tillich, The Eternal Now (New York: Scribner's, 1963), 41, passim. "Shrug of eternity" are the last words Arthur Koestler uses in his novel Darkness at Noon (New York: Modern Library, 1941), 267.
35. Georgio Locchi, et al., "Über den Sinn der Geschichte," Das unvergängliche Erbe (Tübingen: Grabert Verlag, 1981), 223.
36. Walter Scott, A New Look at Biblical Crime (New York: Dorset Press, 1979), 59.
37. Comment peut-on être païen? 157-58.
38. Mircea Eliade, Histoire des croyances, 1:194.




Tradução por Raphael Machado