quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Aleksandr Dugin - O Estado Nacional e o Mundo Multipolar

por Aleksandr Dugin


Um dos pontos mais importantes da Teoria do Multipolarismo concerne ao Estado nacional. A soberania dessa estrutura já foi desafiada no período do suporte ideológico dos dois blocos (a “Guerra Fria”) e, no período da globalização, o assunto já adquiriu um relevância mais nítida.

Vemos os teóricos do globalismo também falar sobre a completa exaustão dos “Estados nacionais” e sobre a necessidade de transferir ao “Governo Global” (mais cedo F. Fukuyama) ou sobre acreditar que os Estados nacionais não têm ainda cumprido sua missão até o fim e deve continuar a existir por mais períodos históricos para assim melhor preparar seus cidadãos para a integração à “Sociedade Global” (mais tarde F. Fukuyama).

A Teoria do Multipolarismo demonstra que os Estados nacionais são um fenômeno eurocêntrico, mecânico, e, para uma maior dimensão, “globalista”, no seu estágio inicial (a idéia de identidade individual normativa na forma do civismo prepara o chão para a “sociedade civil” e, correspondentemente, para a “sociedade global”). Que todo o espaço mundial é separado hoje em territórios de Estados nacionais é uma consequência direta da colonização, do imperialismo, e da projeção do modelo ocidental em toda a humanidade. Assim, um Estado nacional não carrega em si mesmo qualquer valor auto-suficiente para a Teoria do Multipolarismo. A tese da preservação dos Estados nacionais na perspectiva da construção da ordem do mundo multipolar é somente importante no caso, se isso impede pragmaticamente a globalização (não contribui com ela) e oculta sob si mesmo uma realidade social mais complicada e proeminente – depois de tudo, muitas unidades políticas (especialmente no Terceiro Mundo) são Estados nacionais simplesmente nominalmente, e eles representam virtualmente várias formas de sociedades tradicionais com sistemas de identidade mais complexos.

Aqui, a posição dos proponentes do mundo multipolar é completamente oposta aos globalistas: se um Estado nacional efetua unificação da sociedade e auxilia a atomização dos cidadãos, i.e., implementa uma profunda e real modernização e ocidentalização, tal Estado nacional não tem qualquer importância, sendo apenas uma sorte de instrumento da globalização. Tal Estado nacional não está se preservando dignamente não possui sentido algum na perspectiva multipolar.

Mas se um Estado nacional serve como uma face frontal para outro sistema social – uma especial e original cultura, civilização, religião, etc.- deveria ser apoiado e preservado enquanto atualiza sua evolução vindoura em uma estrutura mais harmoniosa, dentro dos limites do pluralismo sociológico no espírito da Teoria Multipolar.

A posição dos globalistas é diretamente oposta em todas as coisas: eles apelam a remover a idéia de que os Estados nacionais servem como uma face frontal para uma sociedade tradicional (tal como a China, a Rússia, o Irã, etc.) e, contrariamente, reforçam os Estados nacionais com regimes pró-ocidentais – Coréia do Sul, Geórgia, ou os países da Europa Ocidental.

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