domingo, 6 de novembro de 2016

Eduardo Velasco - Homo carnivorus, ou revolução carnívora: a caça, a carne e o fogo como aceleradores evolutivos

por Eduardo Velasco

"Nos tempos mais distantes, os homens viviam na escuridão e não tinham animais com que caçar. Eram pessoas pobres, ignorantes, muito inferiores às que vivem hoje em dia. Se deslocavam em busca de comida, viviam viajando como nós, mas de modo diferente. Quando paravam e acampavam, trabalhavam o solo com ferramentas de um tipo que já não conhecemos. Obtinham sua comida da terra. Nada sabiam de toda a caça que temos agora". - (Aua, xamã da etnia esquimó iglulik).

"O homem, quando se separou do ramo de primatas há quatro milhões de anos, no nível australipiteco, o fez porque deixou de ser um primata vegetariano e frugívoro para se tornar um primata caçador". - 
(Félix Rodríguez de la Fuente).

Considero apropriado dedicar um artigo ao tema da paleoantropologia nutricional evolucionária, uma vez que a informação no idioma espanhol (e português) é extremamente escassa — e em círculos mal informados todos os tipos de falácias podem prosperar. Os alimentos antinaturais são particularmente graves, pois ameaçam a nossa saúde, nossa reprodução e nosso código genético. Portanto, eles afetam toda a espécie e é de interesse que eles sejam removidos para garantir o futuro evolutivo da humanidade.

Atualmente a má reputação do colesterol e alimentos animais é inacreditável, enquanto outros alimentos altamente prejudiciais monopolizam as prateleiras dos supermercados e enchem os estômagos de países inteiros. No entanto, a caça foi a principal dirigente de nossa evolução, pois selecionou qualidades como inteligência, velocidade de reflexos, sentidos mais afiados, instinto territorial, melhor comunicação em do grupo, "espírito de equipe", um espaço vital mais amplo, beleza e ferocidade. Como veremos, a carne, o sangue, a gordura, o tutano, a medula, o cérebro e as vísceras presidiram e alimentaram o desenvolvimento da nossa inteligência e, por sua vez, nos tornaram predadores cada vez mais eficazes. Literalmente, o aumento de alimentos animais nos desaproximou dos macacos e nos aproximou dos anjos.

Os antigos hominídeos, de origem simiana e predominantemente frugívoros, foram ascendendo degraus até serem colocados no topo da pirâmide trófica no momento em que deixaram de ser presa de outros predadores. A base da pirâmide, a carne de canhão, são seres vegetais vivos que produzem sua própria energia do solo ou do mar (minerais, matéria orgânica, água) e do céu (luz solar, ar). O próximo escalão da pirâmide, menor, vê a aparência de seres com maior consciência (herbívoros) que se alimentam do escalão anterior. O escalão superior, mais aristocrático, vê um nível mais elevado de consciência aparecer: estes são carnívoros e onívoros, que se alimentam de todos os escalões anteriores. Este artigo será dedicado à longa odisseia de ascensão da pirâmide, degrau por degrau, até as formas mais perfeitas de vida que já existiram. (Em outro artigo vimos como o homem caiu do topo da pirâmide com o aparecimento da agricultura).

A carne e a caça, juntamente com outros fatores (como as oscilações rítmicas da frente glacial, o uso de ferramentas e fogo, a necessidade de cuidar de crias muito indefesas e o surgimento da vida social), explicam a aceleração evolutiva sem precedentes que experimentaram os hominídeos, realizando "saltos genéticos" sem paralelo no mundo animal. Os primeiros primatas (que viveram na China há 30 milhões de anos e não eram maiores do que um polegar) levaram mais de 25 milhões de anos para chegar ao Australopithecus, que, por conseguinte, levou mais de 2 milhões de anos para chegar ao Erectus. Esse impressionante progresso palidece perante o enorme salto que aconteceu, em tempo recorde (menos de dois milhões de anos) de 1.000 cc de capacidade craniana (Erectus) para ultrapassar os 1.700 (Cro-Magnon). As forças da evolução parecem ter sido muito claramente incorporadas no tronco dos primatas ao qual pertencemos (em alguns ramos mais do que em outros), enquanto outras espécies animais (como tubarões, crocodilos ou baratas) praticamente não mudaram nada em dezenas e mesmo centenas de milhões de anos. Essa aceleração evolucionária, difícil de ser explicada apenas pelo darwinismo, não acabou. A criação do tipo humano que herdará definitivamente a Terra ainda não está completa. Assim como os antigos construtores de catedrais trabalhavam em sua obra sabendo que nunca veriam-a concluída, temos o dever de continuar essa evolução, alcançando formas de vida cada vez mais elevadas e conscientes, mesmo se não as testemunharmos em vida. Mesmo agora, em um tempo de mestiçagem, desprovido de seleção natural, contaminado e cheios de fatores perniciosos para o genoma humano, as forças invencíveis e eternas da evolução continuam a agir em silêncio à medida que forjam o próximo salto evolutivo. O objetivo deve ser a constituição de uma forma incorruptível de vida, recipiente perfeito para a chama do espírito em estado puro, pedaços de ser no mundo de devir. Os melhores elementos genéticos da Civilização Ocidental, que superaram com sucesso o teste do frio há muito tempo e que ainda devem superar os desafios assustadores do futuro próximo, estão destinados a ser as mãos de Deus.

A CAÇA NA GENEALOGIA DO HOMEM 

"Em um sentido muito real, nosso intelecto, nossos interesses, nossas emoções e nossa vida social básica — são todos produtos do sucesso da adaptação caçadora". - (John Reader, "Man on Earth").

Primariamente é preciso dizer que nos círculos científicos paleoantropológicos não há dúvida sobre a dieta do homem primitivo; as dúvidas só surgem em pessoas desinformadas ou em vegetarianos militantes, se não são a mesma coisa. Para compreender o papel muito importante da carne na nossa evolução é necessário primeiro compreender a história do consumo de carne entre os nossos antepassados ​​distantes, uma vez que eles forjaram nossa genética atual ao longo de milhões de anos e podem nos dizer muito sobre quais são nossas verdadeiras necessidades nutricionais biologicamente predeterminadas. É importante desconsiderar o que a TV e os ditocratas da "nutrição politicamente correta" têm a dizer (eles não são movidos pela ciência, pela genética ou pela evolução, mas pela economia e pelo falso moralismo) e voltarmos nossos olhares para a dieta ancestral para a qual nós somos projetados. Começaremos essa seção examinando os primatas mais próximos a nós evolutivamente, antes de ascender na pirâmide.

• Os chimpanzés, com os quais compartilhamos as maiores semelhanças genéticas fora do gênero Homo, comem carniça e até mesmo exercem predação; eles ainda fazem lanças de caça primitivas, afiando varas com seus dentes. A primatologista inglesa Jane Goodall documentou atividades de caça entre os chimpanzés do Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia, no início da década de 1960. Atualmente, neste parque, a predação de grupos de chimpanzés machos custa entre 60 e 70 mamíferos por ano — incluindo outros primatas. Verificou-se também que eles comem cobras, ratos e filhotes de aves e répteis. Geralmente, os chimpanzés aproveitam quase todas as partes do animal, incluindo o cérebro. Embora o chimpanzé seja o maior macaco mais dado ao carnivorismo e que a carne de caça seja um alimento altamente apreciado entre eles, não constitui mais de 2% de sua dieta. Outros 6% correspondem ao consumo de insetos sociais (formigas, cupins, abelhas, larvas), o que nos dá 8% de produtos de origem animal na dieta dos chimpanzés.

É difícil para o público em geral imaginar chimpanzés como predadores e carnívoros, mas já nos anos 1960, Jane Goodall cuidadosamente monitorou e documentou as atividades de caça entre eles. Hoje aceita-se que a carne é um alimento altamente apreciado pelos chimpanzés, embora forme apenas 2% de sua dieta, devido a habilidades predatórias pouco desenvolvidas. O macaco Colobus-Vermelho (inserido na linha central à direita) parece ser uma presa favorita. Em cima à esquerda, Sagu, um chimpanzé macho do Parque Nacional Tai (Costa do Marfim). Neste parque, observou-se que as fêmeas valorizam tanto a carne que se prostituem por ela. Abaixo, uma fêmea com uma cria, pedindo carne para um grupo de machos. Quando estão grávidas, as fêmeas aumentam muito o consumo de produtos animais na dieta.

• Os gorilas, um pouco mais geneticamente distantes de nós, são muito mais herbívoros do que os chimpanzés. Seu consumo de frutas é baixo (de fato, o menor de todos os grandes macacos), e seu consumo de folhas é alto, sendo seu aparelho digestivo muito melhor adaptado para processar a celulose. No entanto, eles comem formigas, e foram encontrados DNA de pequenos macacos e antílopes nas fezes de alguns gorilas no Parque Nacional Loango, no Gabão, o que sugere claramente que, ocasionalmente, esses gorilas exercem a caça ou comem carniça. Nos jardins zoológicos, logo se notou que os gorilas sofriam de deficiências proteicas, e eles precisavam ser alimentados com carne. Então ficou sabido que a causa estava na comida desnaturada com a qual estavam sendo alimentados: os produtos vegetais do cardápio do zoológico, totalmente limpos, careciam de pequenos insetos e vestígios de outros seres vivos.

• Entrando na nossa árvore genealógica, sabemos que o Australopithecus (África, cerca de 4 milhões de anos atrás) comia, sem dúvida, carniça, uma vez que em seus sítios arqueológicos foram encontrados ossos de animais que têm marcas de utensílios e dentadas de outros predadores. Isso implicava que eles iam ao cadáver de um animal já morto e meio devorado e usavam ferramentas pétreas primitivas para cortar seus tendões e pele, rasgar sua carne, gordura e órgãos, e quebrar seus ossos para sugar a medula e o cérebro, órgãos ricos em colesterol e outras gorduras saturadas, que passaram a alimentar o cérebro destes hominídeos. Além disso, as análises de esqueletos de Australopithecus mostram proporções de estrôncio/cálcio características de animais que têm um consumo significativo de carne na dieta. Outra pista arqueológica é o estudo do micro-desgaste dentário do Australopithecus: os exames com microscópios eletrônicos mostram padrões de consumo de carne, além de grandes quantidades de produtos vegetais. Ainda não há provas sólidas de que o Australopithecus caçava. Sem embargo, se os chimpanzés atuais caçam, é consistente que com os Australopithecus, "mais evoluído" do que eles, mais perto de nós, caçassem em maior medida, embora limitado a presas de tamanho modesto, e comendo carniça sobre as de tamanho maior.

Há 2,5 milhões de anos, parece claro que o Australopithecus foi dividido, por um lado, com o gênero Homo e, por outro lado, com as diferentes variedades de Paranthropus — algumas vezes consideradas simplesmente como tipos de Australopithecus. O gênero Homo foi destinado à encefalização (desenvolvimento do cérebro), à aceleração evolutiva, à predação e ao aumento do consumo de carne. Os Paranthropus, principalmente herbívoros como evidenciado por suas dentaduras e configurações craniofacial, desapareceram do registro fóssil.

Homo habilis, o primeiro representante do gênero Homo, parece claro que chegou a caçar, que se alimentou de girafas, hipopótamos e rinocerontes, e até mesmo ocasionalmente comia certas variedades de Australopithecus. Seu consumo de carne é confirmado pelas análises de coprólitos (fezes fossilizadas). Assim, nasceu a indústria lítica olduvaiense (ou Modo 1), consistindo principalmente de choppersy chopping tools (espécie de machados e machetes muito primitivos), para esfolar os animais mortos, desmembrá-los e quebrar os ossos. É muito indicativo que, nos sítios de Habilis, as ferramentas de pedra são quase sempre acompanhadas por ossos de animais quebrados, crânios esmagados e esqueletos com sinais de terem sidos raspados para separar a carne e gordura do osso. Uma vez que a presença de uma grande indústria lítica é considerada uma das coisas que distingue  o Habilis do Australopithecus, é certo que o consumo de carne aumentou dramaticamente.

Apesar destas inovações, o Homo habilis — relativamente tolo (600 cm³), de constituição muito grácil, braços longos ainda bastante adaptados para serem suspensos em galhos, e uma estatura de aproximadamente 1 metro — ainda era uma criatura muito fraca e indefesa, à mercê dos grandes predadores que ainda o ultrapassavam na pirâmide alimentar. Por exemplo, sabemos que o Homo habilis era uma presa favorita dos Dinofelis ("gato terrível"), um tigre-de-dentes-de-sabre que viveu na África naquela época e aparentemente também se alimentou de Australopithecus, babuínos e outros herbívoros. Este tipo de predador exerceu um importante trabalho de seleção e até certo ponto foram nossos aliados evolucionistas; nosso caminho teria sido outra se gatos como o Dinofelis não tivessem existido.

As evidências forenses mais antigas (2,5 milhões de anos) para a extração de carne com ferramentas de pedra. Esquerda: marca de corte com pedra na mandíbula de um bovino, feita durante a extração de sua língua. À direita: marcas de percussão de pedra feitas na tíbia de um bovino durante a extração de sua medula.

Homo erectus (1,9 milhões de anos atrás), provavelmente descendente de um ramo Habilis, deixou a África espalhando o gênero Homo através da Eurásia, criando a indústria lítica acheulense (ou Modo 2, principalmente bifaces e similares) e usando já o fogo, embora incerto se para cozinhar. Seu esqueleto era de proporções semelhantes às dos seres humanos atuais, exceto pela configuração craniofacial, e é possível que ele realmente pertencesse à nossa mesma espécie (como recentemente foi descoberto com o Neanderthal). Foi o primeiro caçador-coletor nômade, e parece que seus deslocamentos foram sujeitos aos movimentos migratórios dos grupos de grandes mamíferos. Prova disso é que ele deixou a África ao mesmo tempo que muitas outras espécies animais (como os elefantes antepassados dos posteriores mamutes), o que sugere muito fortemente que eles dependiam desses rebanhos para sustento. O sitio de Olorgesailie (Quênia, 900-650.000 anos atrás) tem uma grande abundância de fósseis de hipopótamos, zebras, elefantes, girafas e babuínos que foram desmembrados usando machados de mão, em enclaves de concreto estabelecidos pelo Erectus para esse fim. Há 412.000 anos atrás, já havia uma raça Erectus que caçava elefantes, bisões e rinocerontes na Alemanha atual. Nos sítios de Torralba e Ambrona (Sória, Espanha, 330.000 anos) podemos verificar que o Erectus conseguia provocar estampidos e levá-los para um precipício. Entre estes restos animais foram encontrados instrumentos de pedra do tipo acheulense, usados ​​para desmembrar os corpos caídos.

O Erectus teve uma expansão sem precedentes que o levou a adaptar-se a vários tipos de terreno e condições climatológicas, diversificando-se em vários ramos, do Homo ergaster (África) ao Homo pekinensis (China), até o Homo georgicus (Cáucaso) e outros. Foi também o hominídeo que durou mais tempo: cerca de 1,6 milhão de anos, até sua "extinção" (em vez de evolução) há 300 mil anos. No entanto, algumas indicações sugerem que as raças de Erectus permaneceram em núcleos isolados (por exemplo, na Indonésia) até há apenas 50-30.000 anos.

Homo antecessor (1,2 milhão de anos atrás) poderia simplesmente ser considerado uma raça europeia de Erectus, talvez descendente do Homo ergaster, e na transição para formas mais hominídeas mais pesadas e árticas, mais europeias. Devido a análises forenses, sabemos que ele usava ferramentas do tipo acheulense para desmembrar cervos, cavalos e rinocerontes. Marcas idênticas foram encontradas nos ossos de Antecessor, o que implica que 800.000 anos atrás esses indivíduos praticavam canibalismo em uma base regular, provavelmente com presas de outras tribos de Precessor. Este indivíduo é o antepassado provável dos habitantes dos sítios sorianos já mencionados.

Homo heidelbergensis (500.000 anos atrás) procede com quase total certeza dos grupos ibéricos Antecessor e Erectus, e é o antepassado seguro dos Neandertais. Ela floresceu em plena Glaciação Mindel (a penúltima era glacial) e é o primeiro grande caçador do nosso continente com uma clara adaptação ártica: uma besta entre 1,75 e 1,80 metros de altura e não menos de 100 kg de peso, um esqueleto incrivelmente largo e robusto, e uma musculatura em sintonia com ele, que sabemos pelas marcas dos ligamentos e inserções musculares nos ossos. Ele corretamente ganhou o apelido de "Golias" nos círculos paleoantropológicos. Esses indivíduos não eram apenas bons caçadores, mas também carniceiros requintados e anatomistas. As marcas de ferramentas líticas encontradas em ossos de rinocerontes, cavalos, cervos e elefantes dos sítios Heidelbergensis (como Atapuerca na Espanha ou Boxgrove na Inglaterra) atestam que esses animais foram desmembrados de uma maneira muito "profissional". Nas palavras de Michael Pitts e Mark Roberts, dois dos maiores pesquisadores de Boxgrove, "cada animal para o qual há evidências de interferência hominídea foi cuidadosamente, quase delicadamente, desmembrado, com o propósito específico de consumir sua carne".

Neandertal (230.000 anos atrás), como sabemos agora, era uma raça humana (ou melhor, um conjunto de raças humanas). Em seu tempo já há claras evidências de uso do fogo para cozinhar carne. Acredita-se que ele era o principal predador do seu ambiente, que sua dieta era quase exclusivamente carnívora, que conseguia caçar bisontes, uros, cavalos, cervos, cabras e ovelhas, e que já estava no topo da pirâmide alimentar (parece claro que incluso caçaram urso-das-cavernas,  algo que o Homo habilis não poderia ter sonhado). Eles também praticavam o canibalismo. Este tipo de alimentação não parece ter sentado mal ao Neandertal, já que sua constituição óssea era enorme (embora sua estatura fosse geralmente reduzida) e sua capacidade craniana maior do que a do homem moderno. À luz de certos estudos, considera-se que o Neandertal tinha níveis hormonais privilegiados, que os machos estavam fortemente sexuados, que tinham um desenvolvimento impressionante da musculatura em geral e do braço direito em particular e que mesmo as fêmeas não eram criaturas muito delicadas precisamente. A partir da análise forense de alguns fósseis, sabemos que os Neandertais eram capazes de sobreviver a grandes lesões (como amputações do braço) e eram excepcionalmente resistentes ao frio e à dor. No momento, consideram-se que foram os primeiros a adotar comportamentos rituais que evidenciam a presença de uma religião. A maioria dos europeus modernos, que têm contribuições genéticas neandertais, podem se orgulhar de ter o sangue dessa raça em suas veias.

Cro-Magnon (40.000 anos atrás), antepassado da atual raça nórdico-branca, é, com toda a probabilidade, responsável pela "extinção" do Neandertal na Europa, sugerindo que possuía habilidades predatórias ainda maiores. As comunidades cro-magons tiveram que sobreviver ao Último Máximo Glacial, algo que só poderiam ter conseguido tornando-se praticamente carnívoros puros e aumentando consideravelmente a proporção de gordura animal na dieta. Suas culturas materiais (Aurignaciana, Solutreana, Magdaleniana e possivelmente Gravetiana) atestam que eram sociedades que atribuíam grande importância à caça e à pesca, e que podiam aproveitar ao máximo todas as partes dos animais (pela primeira vez, surgem indústrias de osso, chifre e marfim). Os Cro-Magnons mataram e devoraram mamutes, bisontes, uros, renas, cervos-vermelhos, cavalos, camurças, peixe, focas, aves, mariscos etc. Muitos desses animais, que foram o fundamento de sua vida e evolução, foram imortalizados e honrados nas primeiras pinturas rupestres, magníficos afrescos que mostram um conhecimento anatômico muito refinado. Mais uma vez, essa dieta produziu uma constituição física privilegiada, uma estatura muito alta (embora um esqueleto menos largo do que o Neandertal), um maxilar inferior quase tão largo como o crânio, alta capacidade craniana e uma musculatura altamente desenvolvida (novamente, menos do que o Neandertal).


Cro-Magnon 1. De todas as culturas do Paleolítico, as culturas cromagnon, sem dúvida, são as que mostram maior importância da caça, da carnificina e das armas. Observe a largura do maxilar inferior, logo retornaremos a isso.

Durante a mudança climática da deglaciação há 12 mil anos atrás, o Cro-Magnon se moveu para o Noroeste enquanto perseguia os rebanhos de animais. Depois de atravessar a França, terminou nas margens do Mar do Norte, no sul da Escandinávia, na planície germano-polonesa e na bacia do Báltico. Devido ao aumento da temperatura e da extinção da grande megafauna paleolítica (mamutes, rinocerontes lanudos e outros), a proporção de alimentos vegetais teve que aumentar ligeiramente à custa de alimentos animais durante o Mesolítico. Os micrólitos das culturas mesolíticas da Europa Ocidental (Aziliense, Sauveteriense, Tardenoisiense, Asturiense) mostram que o tamanho dos animais caçados diminuiu drasticamente naquele tempo, e que os tempos de mamute, rinoceronte-lanudo e bisonte ficaram pra trás. No entanto, os descendentes do Cro-Magon na Europa continuaram sendo caçadores-coletores até a agricultura chegar aos seus territórios há cerca de 7.000 anos atrás. Mais tarde, eles, que estavam acostumados a lidar com tigres-de-dentes-de-sabre, urso-das-cavernas e outros predadores temíveis, seriam vítimas de uma nova forma de predação para a qual eles não estavam preparados: o parasitismo.


O tempo de nossa evolução desde os primeiros hominídeos, contando os anos da AP (antes do presente). Este diagrama ajuda a dar uma ideia de dois fatos: A) A evolução que deu origem a raças humanas modernas tem sido um processo extremamente longo, durante o qual a carne nunca foi interrompida, pelo contrário, o consumo de carne aumentou com o tempo à medida que evoluímos. B) A civilização humana é uma gota de água no oceano do tempo e pode ser varrida pelos poderes da Natureza sem deixar qualquer lembrança.

*****

Vamos recapitular.

Nossos antepassados comeram carne por volta de 3 milhões de anos, pelo menos. Isso equivale a 150.00 gerações. Nossos antepassados exerceram a caça de forma consumada e intensa por volta de 500.000 milhões de anos, pelo menos. Isso equivale a 25.000 gerações.

Nossos antepassados cultivaram cereais e comeram seus amidos (açúcares complexos que precisam ser divididos em açúcares simples, como os herbívoros fazem com celulose) por cerca de 8.000 anos, sendo generoso. Isso equivale a apenas 400 gerações de agricultura. Isso não é suficiente para desenvolver mecanismos de adaptação a uma dieta tão longe do natural, e mais tendo em conta que, desde que a agricultura foi adotada, a seleção natural diminuiu, a integridade genética necessária para a evolução foi para gargarismo, além disso, o registro fóssil revela uma drástica redução da qualidade biológica devido a uma alimentação deficiente. Isso implica que, se estivéssemos geneticamente adaptados a uma dieta como a atual e a uma vida de sedentarismo, haveria um revés em nossa evolução. Portanto, se houver um componente não natural na dieta humana moderna e que deve ser extirpado, não seria carne, mas grãos de cereais, amidos e todos os seus derivados, bem como outros produtos artificiais da atual indústria alimentar (azeites hidrogenados, açúcares refinados, edulcorantes artificiais, conservantes, corantes e um longo etc.), extremamente prejudiciais para a saúde.

Os zoólogos sabem que a inteligência é quase sempre maior em animais carnívoros e onívoros que simplificaram a complexidade e reduziram o gasto metabólico de seus intestinos — isto é, do baixo ventre. Da mesma forma, nas relações tróficas, os predadores são quase sempre mais inteligentes (e muito mais ágeis, mais rápidos nos reflexos e com sentidos muito mais afiados) do que os animais do qual se alimentam. Os animais mais inteligentes, como o cão, o gato, o golfinho, a baleia assassina, o javali, o porco, o polvo, o chimpanzé, o corvo ou o falcão (muito também poderia ser dito sobre inteligentíssimos predadores já extintos, como o velociraptor), são todos predadores carnívoros ou onívoros. O mesmo reza para as variedades humanas mais evoluídas e de maior capacidade craniana que existiram: Neandertal e Cro-Magnon.

¿O HOMEM ESTÁ "PROGRAMADO" COMO CARNÍVORO OU HERBÍVORO?

Nenhum. A anatomia humana testemunha que não somos integralmente carnívoros ou herbívoros, mas, como todos sabem, onívoros, adaptados a comer produtos animais e vegetais — com diferentes nuances de acordo com as raças humanas, latitudes geográficas e a estação do ano.

No entanto, é interessante notar a direção evolutiva que tem tomado o ser humano desde os primeiros hominídeos, uma vez que a proporção de carne em sua dieta tem vindo a aumentar, a ponto de promover uma série de características interessantes que distanciam-o dos herbívoros e aproximam-o dos carnívoros. Essas características são mais notáveis ​​entre as raças nórdicas modernas, que durante o período paleolítico tiveram que depender muito mais da carne do que outras raças humanas, porque o clima das áreas que habitavam (sul da Europa no caso dos nórdicos-brancos, Ásia Central no caso do nórdicos-vermelhos) não oferecia grande abundância de produtos vegetais e, em vez disso, era abundante em megafauna (grandes mamíferos).

Em "The stone age diet", Dr. Walter L. Voegtlin compara o trato digestivo humano com o do cachorro e as ovelhas em detalhe, demonstrando que anatomicamente o sistema digestivo humano é muito mais próximo do cachorro. Neste artigo, além de mencionar algumas dessas diferenças, vamos acrescentar outras que passaram despercebidas. Passemos, então, a rever as peculiaridades anatômicas do ser humano que podem nos dizer algo sobre sua "vocação nutricional".

1. Trato digestivo. A primeira coisa a colocar em conta é que o tecido vegetal é muito mais difícil de processar do que o tecido animal. A celulose é a biomolécula orgânica mais abundante do planeta, mas também é difícil obter energia a partir dela. Os herbívoros, portanto, precisam de um trato digestivo extremamente longo e complexo para fermentar e quebrar longas cadeias de açúcar, talvez os carboidratos mais complexos que existem. Ovelhas têm um comprimento do trato digestivo/comprimento corporal relação de 1/27, o que significa que o seu aparelho digestivo é 27 vezes maior do que o seu comprimento corporal. A proporção de vacas é de 1/20, e a de cavalos 1/12.

Em contraste, animais carnívoros têm um trato digestivo curto e sucos gástricos ácidos fortes para favorecer a rápida decomposição de proteínas sem a carne apodrecer. A proporção do trato intestinal do gato é 1/3, e a do cachorro é 1/5. A proporção humana é de cerca de 1/6-1/7, o que nos coloca a meio caminho entre os cavalos herbívoros e cachorros carnívoros, mas mais perto do último.

Entre todos os primatas, os seres humanos têm o menor trato digestivo, o que concorda com certos estudos que mostram que o nosso cérebro aumentou de tamanho a medida que nosso intestino diminuiu de comprimento. Isso ocorre porque, de nossos órgãos, o cérebro é o que consome mais energia (20-25% do "orçamento" metabólico de nosso organismo). O sistema digestivo é o segundo desperdiçador de energia do nosso corpo. Reduzindo o trabalho do sistema digestivo, adotando a alimentação carnívora, favorecemos que o cérebro pudesse acumular uma maior percentagem do nosso orçamento metabólico. Em suma, quando o baixo ventre perdeu peso, a do intelecto aumentou. E vice-versa: quando o baixo ventre assume demasiada proeminência, é à custa do cérebro; qualquer pessoa que passar por uma digestão pesada e problemática logo perceberá que não tem a nitidez mental usual porque as vísceras estão roubando energia do cérebro.

Uma vez que as raças humanas são distinguidas por diferentes diferenças anatômicas, bem como psicológicas, seria útil que realizassem estudos detalhados sobre o metabolismo e sistemas digestivos de acordo com a composição racial. Por exemplo, medimos o comprimento do trato digestivo das raças tropicais e comparamo-lo com o das raças nórdicas. O mais provável, especialmente considerando as capacidades cranianas envolvidos (as raças tropicais são de baixa capacidade craniana, as raças nórdicas, especialmente os vermelhos, são de alta capacidade craniana) é que as tropicais têm um pouco maior, adaptado a uma dieta volumosa com fibras vegetais, enquanto as nórdicas têm mais curto como adaptação à carne.

No entanto, o comprimento do trato não deve ser dado mais atenção do que ele merece. Mais importante é o peso das vísceras, a existência de um estômago simples e ácido, a proporção do intestino delgado em relação à espessura, o tipo de células do intestino, a atrofia do apêndice cecal, a falta de funcionalidade digestiva do ceco, da flora bacteriana e da superfície de absorção intestinal (que por sua vez depende da densidade das vilosidades intestinais). Estes fatores, mais uma vez, assemelham os seres humanos aos carnívoros e onívoros.

2. Flora bacteriana. Os herbívoros não podem produzir sucos gástricos capazes de digerir as celuloses das plantas, portanto dependem de bactérias e protozoários que vivem no estômago (ou estômagos), no intestino, no ceco. Como todos sabem, as bactérias podem quebrar e comer praticamente qualquer coisa (plástico, asfalto, petróleo, rochas etc.) e, ao atacar as celuloses, transformam substâncias complexas (amidos, celuloses, cadeias de carboidratos extremamente longas, moléculas grandes) em substâncias simples mais facilmente absorvidas (açúcares, moléculas menores). Os herbívoros têm uma forte dependência da flora de fermentação bacteriana, já que sem ela não podem sobreviver. Os carnívoros, por outro lado, carecem praticamente de flora bacteriana devido à acidez dos sucos digestivos, que as mata (é por isso que um carnívoro pode se alimentar de carniça repleta de bactérias). As poucas bactérias intestinais que os carnívoros podem ter estão geralmente concentradas no intestino grosso e são de natureza putrefactiva e não fermentante. Os seres humanos, como onívoros que somos, têm flora bacteriana (embora apenas no intestino), mas são incapazes de digerir celuloses de plantas (também não podemos digerir cereais ou leguminosas, a menos que cozidas), e nossa dependência é muito menos pronunciada.

3. Estômago. O estômago humano tem uma capacidade de cerca de dois litros, assim como o cachorro (a ovelha tem um estômago de 32 litros). Ao contrário dos estômagos herbívoros, os nossos praticamente carecem de protozoários e flora bacteriana, devido à sua acidez. A própria acidez do estômago humano é outro argumento a favor da adaptação da carne, pois é o pH ideal para a decomposição de proteínas animais. É verdade que o estômago do ser humano é menos ácido do que o dos superpredadores clássicos, mas também é verdade que o ser humano supriu o ardor do ácido digestivo pelo ardor do fogo: cozinhando a carne, a tornou muito mais digestível e aumentou sua biodisponibilidade. Controlar o fogo e cozinhar a carne, como veremos, também afetou a capacidade cranial dos hominídeos primitivos.

4. Vesícula biliar. A vesícula biliar, perto do fígado, armazena e concentra a bile, um suco digestivo alcalino produzido pelo fígado para atacar os ácidos graxos tornando-os mais acessíveis para a digestão. Carnívoros e onívoros têm a vesícula bem desenvolvida devido à quantidade significativa de gordura animal na dieta. Herbívoros, por outro lado, têm uma vesícula biliar muito pequena, quando não totalmente ausente. O ser humano tem uma vesícula bem desenvolvida, por isso é totalmente capaz de digerir grandes quantidades de gorduras animais.

5. Ceco e apêndice cecal. Os seres humanos, como os carnívoros, perderam a função herbívora originária do ceco e do apêndice cecal, que foram reduzidos à expressão mínima, até um canto do intestino grosso. Tanto é assim que atualmente o apêndice cecal é removido sem problemas sendo considerado um órgão vestigial atrofiado (embora seja provável que exerça uma função endócrina e/ou imunológica, já não relacionada à digestão; que a medicina moderna a remova tão alegremente não deixa de ser uma aberração). Nos herbívoros, no entanto, o ceco desempenha importantes funções de armazenamento e fermentação da massa alimentar antes de ser definitivamente enviado para o intestino grosso. Funciona como um saco temporário em que os microrganismos intestinais quebram as membranas da parede celular de celuloses de plantas para liberar seus nutrientes e obter carboidratos mais simples (em última instância, açúcares). Mesmo após este processo, a digestão em muitos herbívoros não é completa devido à biodisponibilidade bruta e baixa de produtos fibrosos vegetais, e uma vez que, após o ceco, o intestino grosso não é capaz de absorver todos os nutrientes produzidos pelas bactérias. Por esta razão, muitos herbívoros não ruminantes (como coelhos) produzem dois tipos de excrementos. Os primeiros são suaves e úmidos, e são comidos de modo que os nutrientes não digeridos passam pelo intestino novamente para poderem assimilá-los durante uma segunda e definitiva digestão. Os segundos são as familiares fezes secas, que já passaram duas vezes através do intestino. Tanto ruminar como comer excrementos frescos são coisas bastante distintas dos hábitos humanos naturais.


Esquema que mostra a diferença entre o sistema digestivo de um carnívoro puro (chacal) e o de um herbívoro puro (coala) não-ruminante (os ruminantes são ainda mais diferentes dos carnívoros pois têm um estômago com quatro "câmaras" para processar melhor os alimentos). Ambos os animais têm tamanhos quase idênticos. Observe o ceco (cecum) do herbívoro em comparação com o do carnívoro, bem como o maior comprimento do intestino grosso herbívoro e menor comprimento de seu intestino delgado. Um ponto para aqueles que adivinharem qual destes dois aparatos digestivos é mais semelhante ao humano.

6. Intestino grosso. O intestino grosso herbívoro é longo, possui protozoários e flora bacteriana e cumpre uma importante função digestiva, já que terminam de fermentar e absorver os nutrientes da massa vegetal ingerida. Em contraste, o intestino grosso dos carnívoros é curto para evacuar o mais rapidamente possível a massa alimentar de carne e gordura antes de entrar em putrefação, e não cumpre qualquer função digestiva, mas só serve para reter água e sais, impedindo-os de serem evacuados com a substância residual. O intestino humano curto, com pouco ceco, com flora bacteriana putrefativa (em vez de fermentadora) e sem qualquer função digestiva, está muito mais próximo do modelo carnívoro.

7. Mandíbula. A mandíbula dos herbívoros é adaptada aos movimentos laterais e circulares para "triturar" as fibras vegetais ásperas, utilizando-se de molares planos, como acabamos de ver. Os carnívoros têm mandíbulas adaptadas aos movimentos verticais, com molares de superfície "áspera" para triturar e suavizar as carnes. A mandíbula humana está mais próxima do modelo carnívoro, na medida em que usamos principalmente movimentos verticais — embora, como bons onívoros, também possamos mover nossa mandíbula lateralmente, para frente e para trás.

O maxilar é uma peça chave da alimentação, que oferece muitas pistas sobre as dietas. Quanto maior o herbivorismo nos primatas, mais largos são os ossos zigomáticos quando vistos de frente, mais estreito o maxilar quando visto de frente e mais largo quando visto de perfil. Isso é porque o "centro da mordida" nos herbívoros é encontrado atrás das molas de moedura para esmagar os tecidos da planta. Isso requer uma construção robusta da parte de trás da mandíbula. No entanto, com o aumento do consumo de carne, a mastigação prolongada perde a proeminência e o "centro da mordida" avança, o que requer uma constituição robusta da área frontal do maxilar, especialmente do queixo.

O Paranthropus boisei foi batizado de "nutcracker" ou "quebra-nozes" porque seus imensos molares (quatro vezes maiores do que o nosso) quase planos, sua configuração facial e craniana, seus ossos zigomáticos extremamente largos quando vistos de frente, seu grosso esmalte dentário, a mandíbula retraída, larga quando vista de perfil e estreita quando vista de frente, e a musculatura temporal evidenciada pela crista sagital, sugere um indivíduo de formidável poder de mastigação, para quebrar e triturar nozes, sementes, raízes de terra e até mesmo alguns seixos. Em contraste, seus dentes frontais são reduzidos à expressão mínima, já que praticamente não exerciam trabalhos de corte e rasgo. No entanto, o ramo Homo perdeu gradualmente o tamanho dos molares, os ossos zigomáticos estreitaram cada vez mais, a mandíbula diminuiu de tamanho quando vemos de perfil, mas quando vemos de frente alargou. Essas mudanças evolutivas culminam com o homem do Cro-Magnon, que tinha uma forte cultura de caça. Atualmente, a raça humana com a mandíbula mais larga é a nórdico-vermelho.

O que nos interessa nesta série de desenhos (Erectus, Neandertal e Cro-Magon) é olhar para os ossos zigomáticos (os "cantos" que se projetam de ambos os lados, ao nível das maçãs do rosto) e a mandíbula inferior. Os ossos zigomáticos tornam-se cada vez mais estreitos. O maxilar fica cada vez mais largo quando visto de frente e cada vez mais estreito quando vista de perfil, devido ao deslocamento do "centro de mordida" de trás (mastigação) para a frente (arranque).

Crânio de um africano predominantemente cónguido. Note seu maxilar inferior estreito e compare com o Cro-Magon.

8. Musculatura craniofacial e capacidade craniana. Os carnívoros têm uma menor musculatura facial, pois interfere com a abertura das mandíbulas, enquanto os herbívoros (pense no cavalo) têm rostos musculosos, para passar grande parte do dia mastigando e ruminando, uma vez que eles devem moer a comida em pedaços muito pequenos para aumentar a sua exposição superficial à flora bacteriana e sucos digestivos. Atualmente até mesmo os chimpanzés, que são os grandes macacos mais carnívoros, passam uma média de seis horas por dia mastigando. Os hominídeos mais primitivos, adaptados a uma dieta rudimentar de fibras (como o Paranthropus robustus) possuíam tais músculos faciais que precisavam de ossos zigomáticos extremamente salientes quando vistos pela frente, bem como uma crista óssea no crânio (a crista sagital) para poderem "ganchar" os tendões de poderosos músculos temporais. Esses músculos "espremiam" o crânio impedindo-o de aumentar de tamanho. Nós, à medida que evoluímos, perdemos a musculatura facial, e agora não temos nenhum vestígio da crista sagital (a abóbada pentagonoide sagital do Homo erectus, como o crânio apontado da raça armênida, são talvez vestígios da crista sagital dos tempos antigos). O aumento de produtos de carne em nossa dieta (bem como a postura ereta, que relaxou os músculos do pescoço), ajudou a reduzir o tempo que passamos mastigando, bem como relaxou a musculatura do rosto e crânio.

Esse interessante estudo de Stephen Wroe ("The craniomandibular mechanics of being human") acerca do nível da força e desgaste exercido sobre o crânio pelos músculos mastigadores, compara o gibão, orangotango, chimpanzé, gorila, Australopithecus africanus, Paranthropus boisei e "humano moderno". Como mostrado na ilustração, quando se trata da região frontal do maxilar (uma região própria de carnívoros e de movimentos frontais de arranque e rasgo), a força exercida pelo ser humano é muito maior que qualquer outro primata. Ou seja, que os humanos podem "arrancar e rasgar" com maior força que aquela que os outros primatas "mastigam". Seria muito interessante poder adicionar mais crânios (especialmente do Homo habilis, do Neandertal e do Cro-Magnon) para poder traçar um padrão de evolução linear. Se isso for feito, o mais garantido é que se veja como, desde os Australopithecus, a região de maior força vai mudando desde trás até a frente proporcionalmente ao aumento da ingestão de carne na dieta, resultando finalmente na aparição do queixo, um traço bastante moderno evolutivamente falando. Atualmente as raças humanas com o queixo mais desenvolvido são as nórdicas, especialmente a vermelha. Na morfopsicologia, o queixo forte indica um caráter forte.

9. Fogo, carne e encefalização. Quando os músculos de mastigação pararam de "espremer" o crânio em uma gaiola muscular, o crânio estava livre para crescer, e com ele, o cérebro. Este processo foi aumentado quando descobrimos o fogo e aprendemos a cozinhar a carne, primeiro porque o trabalho de mastigação foi ainda mais reduzido, e em segundo lugar porque o calor aplicado com moderação e cuidado quebrava as longas cadeias de proteínas, tornando-as mais acessíveis para as enzimas digestivas e, assim, economizando substância ainda mais vital e energia metabólica. Também transformou praticamente em gelatina o colágeno na pele, que em seu estado natural é muito difícil de digerir. Depois de aprender a cozinhar alimentos animais (supostamente na era Neandertal, mas provavelmente já na era Erectus), nossos antepassados ​​estavam alimentando-se com alimentos mais concentrados, biodisponíveis e nutritivos em toda a Natureza, que tinham uma maior energia térmica, uma melhor qualidade biológica e o desvio dos processos de construção para o aumento do tamanho esquelético e para os tecidos da aparência evolutiva recente, como o neocórtex do cérebro.

A inevitável dedução destes dois últimos pontos é que se tivéssemos permanecido no clima quente da África com uma dieta estritamente herbívora, nunca teríamos podido aumentar a capacidade craniana. Nós ainda seríamos outra espécie de primatas que perderiam seis horas por dia mastigando duras fibras vegetais como ovelhas, com a crânio preso por uma gaiola muscular que evita a evolução do cérebro. Portanto, pode-se dizer literalmente que comer carne (e especialmente gorduras, órgãos, tutano, medula e cérebros) alimentou nosso sistema nervoso, aumentou nossa inteligência e nos fez humanos, um fato atualmente muito confirmado pela ciência, basta pesquisar por dieta paleolítica.

Desde o Paleolítico Superior, perdemos 11% da capacidade craniana (8% nos últimos 10.000 anos). Isto é devido, por um lado, ao advento da agricultura — o que provocou uma drástica redução de alimentos animais na dieta — e, por outro lado, a mistura com raças de menor capacidade craniana, como a armênida e as raças tropicais. Também é provável que tenha havido funções cerebrais desconhecidas que tenham sido atrofiadas ao longo do tempo devido à falta de uso. Atualmente, a raça humana com maior capacidade craniana é o nórdico-vermelha, seguido pela nórdico-branca.

10. Engenho, audácia, valor, vontade, paciência, sentido ritual. O engenho dos herbívoros não é muito estimulado, já que sua comida está em toda parte e adquiri-la não implica grandes esforços. Mas os animais não são vegetais plantados que descansam silenciosamente em alguma árvore e podem ser comidos facilidade; caçar-los exige toda uma gama de qualidades excepcionais. Por esta razão, os predadores são muitas vezes criaturas fora de série em termos de nitidez dos cinco sentidos, força explosiva, agilidade, elasticidade e habilidades de rastreamento. Muitas vezes, a predação requer um pensamento muito detalhado, planejamento à frente, visualização de possibilidades e resolução de problemas, pensamento estratégico, não deixar rastros e, de acordo com as espécies, coordenar-se com os outros membros da matilha. Quanto mais difícil de adquirir for o alimento, maior será o engenho, a inteligência, o espírito de equipa e o potencial físico envolvido. Nenhuma caça foi tão exigente e desigual quanto a dos grandes mamíferos da Era do Gelo. Para matá-los, era necessário conhecer suas rotas migratórias, seus costumes, suas reações, caminhar por grandes distâncias, manter uma vida nômade, se mover furtivamente, levar em conta o vento para não ser detectado pelo cheiro e outros. Parar piorar, também exigia muito trabalho, coragem e engenhosidade para desenvolver armas, preparar armadilhas, coordenar as operações de ataque, muitas vezes lutar corpo-a-corpo com o animal, desmembrar um enorme cadáver, transportar toda carne, elaborar com sua pele roupas para proteger-se contra o frio e desenvolver métodos eficazes de armazenamento para períodos de escassez. Por causa de tudo isso, os caçadores devem ter sido verdadeiras máquinas de matar, indivíduos bastante austeros, disciplinados e trabalhadores, acostumados a não buscar prazeres fáceis ou gratificações imediatas, mas as grandes vitórias obtidas pela vontade. O caçador típico é um homem com claras virtudes paramilitares, que não espera receber tudo, mas que deve obtê-lo, pela força, se necessário. Como entre os caçadores-coletores atuais, um grande número de rituais deve ter florescido em torno do abatimento e do consumo da presa.

11. Lábios. Os herbívoros têm lábios carnudos (pense no camelo), enquanto os carnívoros têm lábios finos (pense no lobo) para evitar interferências ao rasgar a carne. Aqui, a atual biodiversidade humana entra em jogo, já que as raças tropicais têm lábios grossos, enquanto a raça armênida e as raças nórdicas, especialmente a vermelha, têm lábios finos.

12. Sucos gástricos. O sistema digestivo humano produz ácido clorídrico (HCℓ), uma substância ativadora de enzimas que quebra as proteínas animais e dos quais os animais herbívoros são praticamente desprovidos. Nosso pâncreas secreta uma variedade de enzimas digestivas para assimilar alimentos tanto animais quanto vegetais, mas o sistema digestivo humano não produz nenhuma enzima (como celulase) ou ácido capaz de digerir celulose; se nos perdêssemos em uma floresta, não seríamos capazes de sobreviver comendo grama e folhas. No entanto, nossa eficiência digestiva para os nutrientes aos quais somos adaptados, em torno de 100%, como os carnívoros. Os herbívoros, por outro lado, apenas digerem uma pequena proporção de tudo o que comem, descartando todo o resto, então eles defecam muitas vezes por dia, quase constantemente, e seus intestinos são muito volumosos. A eficiência digestiva das ovelhas, por exemplo, é inferior a 50%, apesar de passar o dia ruminando e defecando, e com um sistema digestivo complexo e um trato muito longo.

13. Fase de sono REM. A fase REM (Rapid eye movement, ou "movimento rápido dos olhos") é a quinta fase do sono, também chamada de "sono paradoxal", e é uma ocorrência evolutivamente recente. Curiosamente, sua funcionalidade ainda não é conhecida, embora as tradições rituais antigas considerassem que, durante o sono, havia uma "janela" estreita durante o qual a projeção astral e o acesso ao sobrenatural poderiam ocorrer. O que a ciência sabe com certeza é que esse período de sono é a "fase dos sonhos": durante a duração do REM, nossos olhos se movem rapidamente e nosso córtex cerebral (o neocórtex, o tecido celular mais moderno do nosso corpo) mostra taxas de atividade eletromagnética tão ou mais elevadas do que quando estamos acordados.

Embora o tema ainda possa ser bastante debatido, o que importa para nós aqui é que a fase REM é um traço particularmente desenvolvido em predadores carnívoros, especialmente naqueles cujos recém-nascidos são vulneráveis, dependentes e indefesos (portanto, em espécies de maturação lenta, especialmente a nossa). Os herbívoros, que, em certo sentido, devem "dormir com um olho aberto" para prevenirem-se dos predadores, não podem ter luxo do REM  — um sono profundo os torna vulneráveis. O ser humano, por outro lado, é talvez o animal mais sonhador (embora o tempo de sono REM diminua todas as noites desde o nascimento e assim sucessivamente), e o que registra mais atividade eletromagnética no neocórtex enquanto dorme, coisa que nos aproxima dos carnívoros. Atualmente, no entanto, devido a hábitos de vida não naturais, dietas inadequadas, alimentos diretamente prejudiciais, falta de exercícios físicos, falta de exposição ao ar livre, contato com disruptores hormonais e campos eletromagnéticos artificiais, ionização positiva e a presença de substâncias tóxicas que alteram a neuroquímica do cérebro, há muitos indivíduos que, como herbívoros, passam grande parte de suas vidas sem experimentar um estágio REM. Muitas vezes eles afirmam não terem sonhado absolutamente nada há anos.

14. Proporções de alimentos vegetais/animais nos caçadores-coletores atuais. A proporção de produtos vegetais e produtos animais na dieta de caçadores-coletores tem sido muito debatida, pois esses homens vivem no Paleolítico, são os seres humanos atuais que estão mais sintonizados com a lei natural e, portanto, podem nos dar muitas ideias sobre a dieta de nossos antepassados.

Esse homem é um caçador-coletor bosquímano do sudoeste da África, e de composição racial predominantemente khoisan (perfil facial quase vertical, lábios mais finos que o congoide “negroide”, queixo pontiagudo, ausência de ponte nasal e de prognatismo, uma constituição física extremamente delgada e leve, uma musculatura seca e uma pele marrom-amarelada, bem mais clara que a do negro subsaariano médio). Sua tribo é uma das 229 sociedades caçadoras-coletoras que ainda existem no planeta. A raça khoisan, mesclada com hominídeos distintos, é a antepassada da raça cônguida, pigmeu, mongol e armênida.

Existem muitos escritos que afirmam que, na dieta das etnias de caçadores-coletores, a proporção média de calorias obtidas a partir de produtos vegetais é de 65%, sendo que os restantes 35% correspondem a produtos de origem animal. Esses escritos parafraseiam uma publicação do antropólogo Richard B. Lee, "Man the hunter" (título estranho considerando a tese que defende). A publicação é de 1968 e, para demonstrar a época hippie e pró-comunismo a que pertence, o autor tenta deixar claro que as sociedades caçadoras-coletoras são "igualitárias" devido à "falta de propriedades materiais" (como se posses fossem a única coisa que diferencia os homens uns dos outros). No entanto, o que nos interessa neste livro não é a filosofia política pacifista-vegetariana, mas a afirmação da razão 65/35 para produtos vegetais/produtos de origem animal.

Nos últimos tempos, o Dr. Loren Cordain, um dos grandes especialistas em Paleodieta, examinou "Man the hunter" em busca de incongruências. Ele lançou uma análise computadorizada de uma dieta típica de caçadores-coletores usando a relação de Lee "65/35" para alimentos vegetais alimentos animais. Perplexo, descobriu que, para que um caçador-coletor obtenha 65% de suas calorias necessárias das fontes de plantas disponíveis, cada indivíduo teria que coletar aproximadamente 6 kg de vegetação todos os dias, um cenário improvável, se não impossível. Depois de fazer essa descoberta, o Dr. Cordain analisou os cálculos da publicação original de Lee, destacando uma série de pontos desconfortáveis:

• Lee usou apenas 58 das 181 sociedades caçadoras-coletoras em sua lista.

• Uma parte importante das sociedades "descartadas" eram as etnias americanas (como os grupos esquimós) em que o consumo de alimentos animais era muito alto.

• Ele não incluiu alimentos animais obtidos da pesca em seus cálculos.

• Classificava a busca e o consumo de frutos do mar como "colheita", atribuindo assim um caráter vegetal a alimentos como o polvo, o caranguejo, as ostras e similares.

• Como se isso não bastasse, o Atlas etnográfico, no qual Lee se baseou, considerava "coleta" como coletar e comer fauna terrestre pequena (insetos, invertebrados, larvas, vermes, pequenos mamíferos, anfíbios e répteis) com o qual atribuía à categoria "vegetariana" uma grande quantidade de calorias derivadas de fontes animais.

Depois de perceber estas questões, o Dr. Cordain foi à edição de 1997 do Atlas etnográfico (que representa 1.267 sociedades humanas no planeta, dos quais 229 são caçadores-coletores) e refez os cálculos. Usando todas as sociedades caçadoras-coletoras e colocando peixes e mariscos na categoria correta de "caça", ele descobriu que os valores de "65/35" de Lee foram invertidos: a proporção real de produtos vegetais/produtos animais era de 35/65 em média. Apenas 13,5% dos caçadores-coletores no planeta derivam mais da metade de suas calorias da coleção de produtos vegetais: são sociedades tropicais com uma superabundância de alimentos vegetais (portanto pouco representativos dos antepassados ​​do europeu moderno) e em que alimentos animais não excedem 40% do total de calorias — uma porcentagem que ainda é muito alta em comparação com dietas modernas.

Ver aqui gráfico que representa as 229 sociedades caçadoras-coletoras atuais, distribuídas de acordo com a porcentagem de dependência de produtos de origem animal.

Ver aqui uma tabela interessante que fornece uma relação entre as etnias caçadores-coletores atuais, a latitude em que vivem e a porcentagem de produtos animais e vegetais em sua dieta. É revelador ver como as sociedades com maior consumo de produtos de origem animal são árticas, enquanto as sociedades com maior consumo de produtos vegetais são tropicais.

Essas estatísticas, já autoreveladoras, inclinariam ainda mais a balança a favor de fontes animais se o Atlas etnográfico não colocasse animais pequenos na categoria "vegetal" e se examinássemos apenas as etnias que vivem em condições ambientais semelhante aos antepassados dos europeus modernos.

ALGUMAS CONCLUSÕES

"A significância da pré-história para a humanidade, no ano 2000, é que tudo o que somos hoje — nossas grandes realizações culturais, nosso potencial crescente, nossas realizações em capital humano e biológico — são um produto dessa pré-história". - (Vernon L. Smith, "Humankind in prehistory: economy, ecology and institutions").

• Somos uma espécie onívora.

• O uso de armas e ferramentas para matar animais ou se defender, cortar carne e quebrar ossos, comer carne, gorduras, tutano, medula e órgãos cozidos de carniça, canibalismo e, especialmente, predação e atividade de caça e tudo o que o rodeia, desempenhou um papel muito importante na nossa evolução. Nos pouparam o problema de ter que desenvolver dentaduras carnívoras ou garras que teriam dificultado nosso trabalho manual. Evitaram a aparição de sucos gástricos que acidificariam nosso corpo limitando o desenvolvimento esquelético. E, finalmente, liberaram nosso crânio da opressão dos músculos de mastigação, permitindo que nosso cérebro crescesse, alimentado por gorduras animais de alta qualidade, como cérebros, tutano, medula, testículos e outros órgãos.

• De todos os primatas, somos os mais adaptados ao carnivorismo e à caça.

• A raça humana mais dada aos alimentos de origem animal de acordo com a sua morfologia craniomandibular e a provável climatologia de sua Urheimat evolutiva é o nórdico-vermelha, seguido pela nórdico-branca e a mongólica.

• A Natureza colocou o homem no topo da pirâmide trófica antes do advento da agricultura. A agricultura causou a queda do homem do alto da pirâmide.

• Os paleoantropólogos agora sabem que a incorporação de carnes e gorduras na dieta, e começar a cozinhá-las posteriormente, salvou aos nossos antepassados ​​uma grande quantidade de energia calórica, uma vez que a digestão, especialmente a digestão de produtos vegetais fibrosos, é um processo que consome muito energia e requer um sistema digestivo extraordinariamente complexo. Comer carne cozida, um alimento muito denso em nutrientes e alta biodisponibilidade, permitiu simplificar o sistema digestivo e, assim, desviar toda essa energia metabólica para a produção de calorias para combater o frio, para a construção de tecidos em geral (corpos cada vez maiores) e para a criação de matéria cinzenta em particular (ampliação do cérebro).

• Durante a época em que vivíamos de acordo com o plano de Deus, estivemos acumulando um fabuloso capital genético. A "História" subsequente, como a conhecemos, não passa de uma dilapidação irresponsável e suicida desse capital, enquanto os tipos humanos defeituosos se multiplicam através da exploração do gênio, da inteligência e da compaixão da elite genética.

• Os herbívoros são, de certa forma, os "trouxas" do mundo animal, que sacrificaram sua capacidade cerebral para criar sistemas digestivos incrivelmente complexos e metabolicamente caros, a fim de digerir a matéria orgânica mais abundante e não disponível do planeta: a celulose. Os carnívoros são ousados ​​e inteligentes, porque pouparam esse custoso trabalho digestivo comendo diretamente dos herbívoros, e substituindo como principal fonte calórica os açúcares pelas gorduras, que são um combustível mais concentrado, efetivo e denso.

  
  
O filme "2001: A Space Odyssey" aborda a evolução humana desde uma perspectiva curiosa. Durante um alinhamento astral (soa a melodia "Also sprach Zarathustra" de Richard Strauss), se produz o amanhecer do homem: Deus se manifesta a um grupo de primatas herbívoros africanos, que após a "revelação", mudam de comportamento, adotando o uso de armas-ferramentas e o consumo de carne.